Impossível não se lambuzar todo, feito criança, ao comer o churros bem recheado com doce de leite ou chocolate do "Tio Vovô", no Calçadão. Há 40 anos, "Tio Vovô" Luiz Carlos Cougo vende churros no mesmo lugar. “Estou ali desde a época da antiga loja Germano, no lugar da Renner. Sou da época do Cine Carlos Gomes e do Cine Glória”, recorda seu Luiz.
Quem nunca trocou uma passagem de ônibus, que ganhava dos pais para ir à escola, por um churros do Tio Vovô? “Eu ia a pé para casa, mas todos os dias precisava comer um churros. Acho que não engordei porque comia o churros e tinha que caminhar até em casa”, lembra com alegria o fotógrafo Leandro Carvalho. Hoje em dia, seu Luiz não troca mais o churros por uma passagem.
“Desde que me entendo por gente, como churros aqui. Sempre que venho ao centro, tenho que passar e comer um”, disse Anderson Ávila. Encostado na parede, ouvindo a conversa, o novo freguês Gilson Adriano completa: “Estou em Rio Grande há 10 dias. Meu primo, lá de Belo Horizonte (MG), disse que quando eu chegasse aqui, precisava vir comer esse churros. E é realmente bom”, afirmou Gilson.
“Não sei por quê, mas o churros daqui é realmente mais gostoso”, emendou o casal Mateus e Giliane. Eles contaram que conheceram o churros do “Tio Vovô” quando moravam em Rio Grande. “Atualmente, estamos morando em Porto Alegre, mas sempre que voltamos para Rio Grande, damos uma passadinha para comer um churros.”
Seu Luiz, o “Tio Vovô”, conta que há 40 anos, quando decidiu vender churros, não teve muito apoio da esposa. “Nos quatro primeiros meses, tive que colocar dinheiro do bolso. Minha esposa pediu que eu desistisse, mas aguentei firme. Hoje, o que ganho aqui dá para sustentar minha família”, conta com alegria o insistente sonhador.
Atualmente, seu Luiz vende de 100 a 150 churros por dia durante o verão, mas o forte das vendas é no inverno, quando chega a vender mais de 300 por dia. “Minha primeira máquina comprei em Caxias do Sul. Liguei e o rapaz disse que me mandava a máquina, mas eu disse que queria ir até lá para aprender a receita — e foi isso que fiz”, recorda o "Tio Vovô".
Com a receita básica, seu Luiz foi aperfeiçoando a massa até chegar ao churros mais crocante, que agrada a todos que frequentam sua carrocinha. “O meu churros é maior, mais crocante e bem recheado”, diz com orgulho.
Além de inovar na massa, seu Luiz diversificou também nos sabores. Ele vende o tradicional churros de doce de leite e também o de chocolate. E, se o freguês quiser, pode pedir um churros misto, com os dois recheios. “Temos também coberturas de flocos, coco e amendoim”, ressalta.
Nestes 40 anos de calçadão, o que não falta são fregueses e histórias para seu Luiz contar. “Outro dia, uns chineses encostaram na carrocinha e ficaram olhando enquanto eu vendia churros. Fiz um e dei para um deles provar. Ele gostou e fez sinal dizendo ao amigo que era bom. Teve um baiano que me encomendou 20 para levar para a esposa, que estava grávida, lá em Pernambuco. Achei que era brincadeira, mas no outro dia ele veio buscar mesmo”, relatou.
A receita do famoso churros, seu Luiz não revela toda. Diz apenas que a massa básica leva água, sal, margarina e gotas de baunilha. “É só colocar no fogo, mexendo sempre. Quando a massa começar a soltar do fundo da panela, está no ponto”, concluiu.



