terça-feira, 15 de novembro de 2016

Estudo aponta que dragagem é responsável pela deposição de lama na praia do Cassino


O professor Lauro Calliari, do Núcleo de Oceanografia Geológica da FURG, encaminhou ao Ministério Público, há algumas semanas, um parecer solicitado pela promotoria sobre um documento que trata da deposição de lama na praia do Cassino. Este parecer indica a influência da dragagem no processo de deposição recorrente da lama, além de apresentar uma evidência importante já detectada anteriormente: a lama depositada em abril e maio deste ano foi causada pelas dragagens recentes. "A lama depositou-se em decorrência de sedimentos lançados dentro do estuário (no caso, a dragagem do canal Miguel da Cunha), assim como pelo processo associado às dragagens maiores realizadas posteriormente e lançadas no oceano", destacou.

Segundo Calliari, a análise da lama indicou a ocorrência elevada de gastrópode Heleobia australis (caramujo da lama). Essa evidência, de acordo com o professor, é um indicador biológico importante, pois esse tipo de caramujo vive na lama do estuário e sua presença só foi registrada na praia depois das dragagens. "Vários estudos detalhados da fauna dos organismos que vivem no fundo, em frente ao Cassino, efetuados em toda a história da FURG, nunca encontraram um exemplar de Heleobia australis. E, de repente, esse organismo aparece aos milhares em um pequeno volume de lama analisado", explicou.

"No caso atual, as dragagens foram efetuadas em 2013 e 2014 (finalizadas em janeiro). Essa dragagem formou muita lama fluída em um curto espaço de tempo. Notou-se na praia, a partir de fevereiro, março e abril, a ausência de ondas na zona de arrebentação, um indício de que a lama fluída se depositou, trazendo consigo os gastrópodes", destacou Calliari. Ele explicou que a lama permaneceu no mar até a chegada das tempestades de abril (início das grandes tempestades na costa do RS). "Essas tempestades têm energia para remobilizar a lama fluída e jogá-la na praia", ressaltou.

Ocorrência desde 1998

A ocorrência de lama na praia este ano é uma repetição do que aconteceu em 1998, enfatizou Calliari. "Naquela ocasião, os sedimentos dragados foram jogados dentro do estuário e na zona costeira próxima ao molhe leste (profundidade de 12 metros). Em 1998, os produtos de dragagem foram descartados dentro do estuário e também em profundidades rasas (12 metros) no oceano", explicou, destacando ainda que, como resultado dessa ação, ocorreu o maior impacto já registrado no Cassino, com lama fluída depositada desde o Terminal Turístico até quase o Navio Altair. O processo gerou efeitos que perduraram por muito tempo, deixando a praia sem zona de arrebentação por mais de 14 meses.

A análise de todo o processo vem sendo feita há muito tempo, destacou o professor da FURG, enfatizando que existem dados sedimentológicos e hidrodinâmicos das tempestades que já foram registrados em diversos relatórios encaminhados ao Ministério Público e aos órgãos ambientais estaduais e federais. Calliari garante que a presença de Heleobia como indicador é conclusiva. "É um indicador importante que nunca foi encontrado fora destes episódios. Essa evidência só havia sido detectada na praia e longe da costa (alguns exemplares), justamente em 1998, ano do grande impacto. Junto com a Heleobia, os padrões de sedimentação na zona costeira mudam e, quando comparados com os padrões normais, são completamente diferentes", ressaltou.

Quando questionado se a dragagem está sendo feita de forma incorreta e se o local onde está ocorrendo a deposição da lama dragada é impróprio para tal fim, o professor explicou que a produção excessiva de lama fluída em um curto espaço de tempo pode indicar duas coisas:

  1. O processo de dragagem em si pode estar gerando a lama fluída; ou

  2. O sítio de despejo no oceano pode não ser apropriado.

"Não posso afirmar que não foi depositado a 19 metros de profundidade, porque eu não acompanhei o monitoramento do processo. Entretanto, sei que os produtos da dragagem do Canal Miguel da Cunha (realizada de 14 de dezembro de 2013 a 14 de janeiro de 2014) foram lançados dentro do estuário. Temos registros fotográficos disso", garantiu Calliari, analisando ainda que, mesmo sendo volumes menores, eles nunca deveriam ter sido lançados dentro do estuário. "Já fizemos vários relatórios desaconselhando essa prática danosa, proibida em todos os estuários do mundo. O lançamento dentro do estuário acaba indo parar no Cassino", reforçou.

"O processo de dragagem tem que ser monitorado principalmente no que tange à concentração de sedimentos em suspensão. O monitoramento da qualidade da água feito atualmente também é importante, mas não é suficiente para o problema da lama. O sítio de despejo também deve ser monitorado com traçadores artificiais – prática que já é usada há anos em vários países", aponta Calliari, explicando ainda que essa técnica já é dominada por algumas instituições no Brasil, tendo inclusive demonstrado seu potencial aqui no nosso porto para administrações anteriores. "Temos que ter certeza de que os sedimentos não voltam para a praia. Esses traçadores são lançados junto com a lama descartada e o seu movimento pode ser seguido por equipamentos especiais."

Outro aspecto apontado como solução pelo professor é a utilização da draga "Sebastian Del Cano", caracterizada por ele como uma draga ecológica. "Ela já foi utilizada na dragagem de um dos maiores volumes de sedimentos já dragados no Porto sem ocasionar impacto" e também lançou os sedimentos no oceano. A dragagem é imperativa e fundamental para o nosso porto, mas não podemos dar margem a esse impacto recorrente na nossa praia, tão prejudicial ao ambiente, à segurança do banho de mar e de quem trafega pela orla, bem como ao turismo.

Calliari concluiu a entrevista revelando que, até analisar as planilhas de dragagem dos últimos 60 anos, acreditava que o processo de deposição da lama era natural. "Mas voltei atrás depois de analisar as planilhas de dragagem e despejo do material, bem como dados sedimentológicos obtidos de estudos de detalhe realizados em 2005", concluiu.


Os aspectos mais técnicos relativos ao problema de deposição de lama na praia do Cassino podem ser obtidos através de

http://www.praia.log.furg.br/Publicacoes/2014/2014a.pdf
http://www.praia.log.furg.br/Publicacoes/2014/2014b.pdf



Posição Suprg 

Em nota encaminhada à redação, a Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg) informou que a realização de dragagem possui autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "A Superintendência solicita ao órgão ambiental uma aprovação prévia do local de descarte dos sedimentos de dragagem. Além disso, durante o período de dragagem, uma equipe da Divisão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança (Dmass) do Porto, realiza semanalmente o monitoramento da qualidade da água, de acordo com o programa estabelecido e aprovado pelo Ibama, e outra equipe técnica da Suprg acompanha a dragagem em período integral".

Ainda de acordo com a nota, a última dragagem no canal de acesso ao Porto foi finalizada em janeiro de 2014. "Atualmente, sabe-se que a lama na beira da praia, no balneário Cassino, trata-se de um processo natural de formação de um bolsão de lama. Dependendo das condições climáticas, dos ventos, das correntes e das chuvas, essa lama é liberada na beira da praia. Este é um acontecimento mais comum nos anos em que há maior incidência de chuvas".

A nota da Suprg enfatiza ainda que, até o momento, não há estudo que comprove a relação da dragagem com o acúmulo de lama na praia do Cassino. "Para obter um parecer oficial, a Suprg contratou estudo técnico que possibilite o embasamento sobre o assunto".


Publicado originalmente no Jornal Agora, em 27/06/2014 - 
http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=3&n=60265

domingo, 13 de novembro de 2016

O Turismo aliado a preservação ambiental

Porto Seguro sempre foi conhecido como uma região turística graças às suas belas praias, mas começa a despontar como uma excelente opção para quem busca o turismo ecológico. Com uma grande área de matas nativas, o município tem atraído os olhares de quem busca um turismo diferenciado.

Só em Porto Seguro, há dois parques nacionais (Parque Nacional do Pau Brasil e Parque Nacional do Monte Pascoal), mais de quinze Reservas Particulares de Proteção Natural (RPPNs) e um Refúgio de Vida Silvestre (Revis do Rio dos Frades) – somando mais de 50 mil hectares de Mata Atlântica preservados e protegidos.

Essas áreas, além de contribuírem para a conservação desse tão importante bioma, estão abertas para visitação de grupos, com a realização de atividades de Educação Ambiental e trilhas no meio da mata nativa.

Outra questão importante no incentivo ao turismo ecológico é o fato de que essa modalidade alavanca a economia local, com a contratação de guias em comunidades do entorno das áreas de conservação e o incentivo à cultura e culinária da região.

Ainda este ano, deve surgir mais uma atividade ligada à preservação do meio ambiente na região: o Avistamento de Aves, que já é um grande atrativo turístico em outras regiões do Brasil. Duas RPPNs e um Parque Nacional estão adequando seus Planos de Manejo para inserir essa atividade, que deverá atrair turistas nacionais e internacionais para uma região já conhecida pela grande diversidade de espécies de pássaros catalogadas por pesquisadores.

A atividade de Avistamento de Aves, além de ser uma forma de lazer, contribui para a identificação de novas espécies e para a conscientização da importância da preservação ambiental.

E tudo isso sem mencionar os monitoramentos e pesquisas feitos na rota de migração das baleias Jubarte e nas áreas de desova das tartarugas marinhas. Atividades que, além de ajudarem na preservação dessas espécies, também se tornaram lucrativas atrações turísticas.

Grandes hotéis de Porto Seguro, atentos à importância desse tipo de turismo e, principalmente, à preservação dos recursos naturais, estão migrando cada vez mais para um turismo sustentável. Estão adequando os serviços oferecidos, levando em consideração a redução do uso de recursos hídricos e de energia, além de investir na destinação adequada de resíduos orgânicos. E, claro, divulgam e promovem passeios ambientais em áreas de preservação e de pesquisa ambiental.

O Meio Ambiente e os turistas que amam a natureza agradecem!

Publicado originalmente no Blog https://luigirotunno.com.br/o-turismo-aliado-preservacao-ambiental-porto-seguro-comeca-despontar-como-um-polo-de-turismo-sustentavel/

Estudo sobre botos garante dupla titulação de doutor para estudante da Furg

O Programa de Pós-graduação em Oceanografia Biológica (PPGOB) da Furg formou, no dia 18 de agosto, o primeiro doutor que conquistou, simultaneamente, dupla titulação. Pedro Fruet obteve o título de doutor em Oceanografia Biológica pelo PPGOB da Furg e pela Flinders University, Austrália.

A iniciativa foi possível graças a uma parceria entre as duas universidades e já abriu portas para que outros estudantes do programa de pós-graduação sigam o mesmo caminho que garantiu a dupla titulação para Fruet. “Meu colega aqui no Museu Oceanográfico, Rodrigo Genoves, já está se preparando para isso”, comemora Fruet.

A tese de Fruet, intitulada “Estrutura Genética, Dinâmica e Viabilidade Populacional do Boto, Tursiops truncatus, do estuário da Lagoa dos Patos, Sul do Brasil”, foi aprovada por uma banca que contou com quatro examinadores da Furg, além de dois examinadores externos no processo de avaliação, uma exigência da Flinders University. A banca que examinou a tese de Fruet foi formada pelos professores doutores Eduardo Resende Secchi (orientador – Furg), Luciano Dalla Rosa (Furg), Paul Gerard Kinas (Furg), Leandro Bugoni (Furg), Luis Fernando Fernandes Marins (Furg), Alexandre Freitas Azevedo (Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ) e Artur Andriolo (Universidade Estadual de Juiz de Fora – UEJF).

O doutor em Oceanografia Biológica Pedro Fruet contou que sua conquista foi possível graças ao fato de vários formandos em Oceanografia da Furg estarem espalhados pelo mundo. “Entre eles, Luciana Möller e Luciano Beheregaray, que atualmente coordenam diversas linhas de pesquisa na Flinders University, na Austrália”, destacou Fruet.

Quando estudou na Furg, Luciana iniciou um estudo sobre a população de botos (Tursiops truncatus) existente no estuário da Lagoa dos Patos, informou Fruet. Foi isso que acabou aproximando e possibilitando o acordo entre as duas universidades. “Eu precisava de um laboratório especializado em análises genéticas e com pessoas capazes de me orientar nesses trabalhos. Na Flinders University, tem um laboratório de Ecologia Molecular e pessoas muito capacitadas”, explicou Fruet.

Para que o acordo entre as duas universidades fosse possível, o então estudante de pós-graduação do PPGOB da Furg teve que atender a algumas exigências da universidade australiana. Entre elas, a de estudar durante um ano na Austrália, período em que realizou as análises genéticas dos botos, por meio de amostras coletadas no estuário da Lagoa dos Patos.

O estudo
Fruet explica que o projeto que garantiu a sua aprovação no doutorado existe desde 1974, mas, sistematicamente, somente a partir de 2005. “Uma das linhas de pesquisa desse projeto era a coleta de amostras de pele dos botos residentes no estuário da Lagoa dos Patos para análises genéticas”, destacou.
O agora doutor em Oceanografia Biológica salienta que a coleta de amostras foi feita apenas para uma 
parcela da população de botos. “Já tínhamos a identificação de alguns botos, feitas através de marcas naturais que eles têm nas nadadeiras. Com essas informações realizamos as coletas, que são feitas com o disparo de flechas no dorso dos animais conhecidos”, explicou.
Para realizar a coleta das amostras, Fruet percorreu do litoral de Santa Catarina até a baía de San Antonio, na Argentina, trecho no qual existem seis áreas de ocorrência dessa espécie de botos. “Foi importante coletarmos amostras de botos em todas essas áreas porque queríamos descobrir se elas representavam uma única população de botos ou se eram populações fragmentadas”.
Após coletar o material, Fruet passou todo o ano de 2012 na Austrália, realizando a análise das amostras. “Neste um ano fiquei muito focado no laboratório para concluir as análises, que são complexas, mas consegui participar de um congresso também, no qual apresentei meu trabalho”.
Com o resultado das análises, retornou para Rio Grande para dar seguimento a seu estudo. “Com a análise das amostras descobri que a população dessas seis áreas de ocorrência de botos forma unidades de manejo diferentes, pois reproduzem-se em maior intensidade entre os indivíduos das próprias populações do que entre populações vizinhas. Essa informação foi importante para definir que cada uma dessas seis áreas precisa de planos de manejo diferentes”.
Com essa conclusão, ele focou o seu estudo na unidade que vive no estuário da Lagoa dos Patos, que conta com uma população de 85 botos, considerada bastante baixa pelo pesquisador.
Segundo Fruet, as populações de botos têm fidelidade às áreas onde vivem e eles dependem dessa área para sobreviver, por isso a importância da preservação de todo ecossistema nessas áreas, como o estuário da Lagoa dos Patos. “O estuário é um ambiente muito produtivo e de extrema importância, não só para os botos, mas para a pesca também”.
Fruet destacou que, apesar do estuário ainda fornecer alimento suficiente e certa proteção para os botos, é uma área muito propícia a acidentes ambientais.
Um dos impactos para a população de botos analisados pelo estudo foi em relação à captura acidental pelas redes de pesca. “Concluímos que, embora ocorram capturas, a população de botos da área continua estável”.
Isso se deve ao fato de que a maior incidência de morte em redes de pesca ocorre com botos machos adultos e juvenis. Os botos machos e jovens não têm um valor biológico muito grande para a espécie, como as fêmeas adultas, informou Fruet. “Durante o período de estudo (2005-2012), as fêmeas adultas foram pouco impactadas pelas redes”.
O pesquisador explica que, embora esta população esteja atualmente estável, um pequeno aumento nas capturas acidentais pode levar essas populações de botos a declinar rapidamente, já que a capacidade reprodutiva da espécie já é bastante limitada.
As fêmeas da espécie só começam a sua vida reprodutiva depois de 9 anos de vida. Elas têm um filhote a cada três anos e, aos 32 anos, reduzem a sua capacidade reprodutiva. Na população do estuário, nascem aproximadamente seis filhotes por ano. “O filhote precisa da mãe durante os três primeiros anos para conseguir sobreviver, e a taxa de sobrevivência deles é bem baixa, cerca de 84%. Se uma fêmea for capturada pela rede, com certeza o filhote dela acabará morrendo também, porque ele depende dela nos três primeiros anos de vida”, salientou Fruet.
Com o estudo, Fruet conseguiu analisar o estado atual da população e projetá-la para o futuro, concluindo que, por enquanto, a população do estuário da Lagoa dos Patos está estável. “Simulamos vários cenários para conseguir fazer essas projeções. A população está estável e tem a tendência de continuar estável nos próximos 60 anos, considerando a situação atual de morte por pesca, mas é bastante sensível e está operando no seu limite. Qualquer alteração mínima poderá representar uma catástrofe”, destacou.
Com essa preocupação, Fruet reforça que o monitoramento da população de botos tem que ser permanente. Ele lembra que algumas precauções para garantir a sobrevivência dos botos já foram tomadas, como a delimitação de uma área de proteção da espécie (Instrução Normativa Interministerial nº 12, de 22 de agosto de 2012), mas que o estuário é um local onde são desenvolvidas várias atividades humanas, como a pesca, atividades portuárias e industriais. Por isso, é importante estar constantemente monitorando o impacto dessas atividades sobre a população de botos.
“Já estudo os botos há mais de 12 anos e pretendo continuar. Acredito que o estudo com os botos precisa de gente tecnicamente preparada. E acho que a maior mensagem que tiramos a partir da minha tese de doutorado é de que é preciso ter um monitoramento permanente dos botos para avaliarmos como eles respondem aos impactos humanos e quais estratégias de conservação devem ser tomadas”, concluiu Fruet.

O pesquisador continuará no Museu Oceanográfico, instituição pioneira no estudo desta espécie no Brasil, que o apoiou na realização de sua pesquisa e na qual participa de outras pesquisas sobre o meio ambiente.



Publicado originalmente no Caderno O Peixeiro (Jornal Agora), em Agosto de 2014

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Monitor Ambiental descobre na fotografia uma aliada na sensibilização sobre a importância da preservação do meio ambiente

 Jailson começou a fotografar a natureza há oito anos e já fez registro de algumas espécies ameaçadas de extinção

Somente um olhar aguçado de alguém acostumado ao ambiente da mata poderia enxergar um crejoá ou um falcão críptico — dois pássaros raros, ameaçados de extinção e que dificilmente são avistados com facilidade. Pois estes foram dois dos vários registros importantes da fauna e flora da Mata Atlântica que o monitor ambiental Jailson Souza conseguiu fazer em áreas remanescentes desse bioma, na região de Porto Seguro.

Jailson é monitor ambiental de uma empresa de proteção ambiental e, a partir de 2008, quando trabalhava no Parque Nacional do Pau-Brasil, começou a se interessar por fotografia da natureza. “Eu não tinha um equipamento adequado, então comecei fotografando beija-flores”, contou ele.

Os primeiros registros despertaram uma paixão definitiva: Jailson vendeu uma moto e um terreno para comprar um equipamento fotográfico melhor.

A fauna e flora da Mata Atlântica — Maritaca-de-barriga-azul, tatu, anu-preto, pica-pau-de-cabeça-amarela, raposa, bromélias, imbiruçu, besouros, aranhas, jararacuçu, pererecas, caititus, entre tantas outras espécies da fauna e flora da Mata Atlântica já foram registradas pelo fotógrafo nas áreas de mata nativa da região. “Com a foto da perereca na bromélia e da cobra comendo um assanhaço, ganhei prêmios da National Geographic. São dois registros importantes, não só pelos prêmios, mas principalmente porque foram muito difíceis de capturar”, destacou o fotógrafo.

Neste ano, Jailson conseguiu fazer mais um registro notável: ele fotografou um filhote de gavião-real no ninho. De acordo com biólogos que realizam o monitoramento dessa espécie na região, esse foi o primeiro registro de um filhote em dez anos de acompanhamento. “Esse registro me emocionou muito. Eu já havia fotografado harpias antes, mas nunca um filhote”, destacou Jailson.

Para ele, as fotos da fauna e da flora são importantes não apenas por seu valor estético, mas por evidenciarem as espécies que existem na região e por servirem como incentivo à conservação ambiental. “É uma forma de despertarmos a importância da preservação”, ressaltou o fotógrafo, revelando ainda que hoje compreende profundamente o quanto a conservação é essencial para que os animais que ele registra consigam se preservar, se reproduzir e não corram mais risco de extinção.

Publicada no site Radar 64 em 07 de abril de 2016

RPPN Rio do Brasil: Mais que uma aventura na natureza, uma iniciativa de conservação ambiental

Por: Maria Eduarda Toralles - Casulo Comunicação 25/05/2022 - Para o site O Xarope Desde junho de 2021, há exato um ano, a Reserva Partic...