domingo, 30 de novembro de 2014

Companheirismo, amor filial e cortesia são alguns dos princípios dos jovens DeMolay

Fundada em 1919, na cidade americana de Kansas City a Ordem DeMolay é hoje a maior associação juvenil do mundo e Rio Grande não ficou fora desse mapa. Em agosto de 1998 foi criada a Ordem DeMolay em Rio Grande, que conta hoje com a participação de trinta jovens com idade entre 12 e 21 anos.

Mas o que é ser DeMolay? Ser DeMolay é acima de tudo seguir os sete princípios ritualísticos da Ordem: amor filial, reverência a coisas sagradas, cortesia, companheirismo, fidelidade, pureza e patriotismo.  “Foram justamente esses princípios que me convenceram a me tornar um DeMolay”, contou o jovem estudante de Sistemas da Informação, Ismael Pinheiro Soares, de 18 anos, que aceitou o convite para se juntar a Ordem, quando tinha apenas 14 anos.
O estudante do 3º ano do Ensino Médio, Pietro Bernhardt Carvalho, de 16 anos, também foi convidado a participar da Ordem quando tinha apenas 14 anos. Hoje com 16 anos, Pietro diz que na época aceitou o convite não apenas para conhecer novos amigos, mas principalmente para se aprimorar como ser humano. “Não tem preço o que aprendi aqui. Tenho certeza que hoje sou um ser humano bem melhor”, salientou Pietro.
“Nós aprendemos a falar em público. Discutimos assuntos do nosso cotidiano”, explicou Ismael. “A questão da oratória é importante salientarmos. Nós desenvolvemos opinião e o senso crítico”, complementou Pietro.
“Os objetivos desde a formação da Ordem estão sendo atingidos, mas o crescimento da Ordem é todo mérito deles”, disse o fundador da Ordem em Rio Grande, que é maçom e não quis se identificar para não ofuscar o mérito conquistado pelos jovens.
“Queríamos incluir valores na formação de jovens”, disse um dos primeiros a participar da Ordem em Rio Grande, que também preferiu não se identificar. Hoje ele também é maçom e explica que a Maçonaria criou a Ordem, mas que hoje apenas acompanha e patrocina os encontros dos jovens DeMolay. “Tudo que foi conquistado até hoje é mérito deles, nós só acompanhamos para garantir a manutenção de um rumo, afinal eles são jovens e ainda precisam de um acompanhamento. Mas o crescimento da Ordem é todo mérito deles. Nosso objetivo é preparar eles para a liderança”, reforçou o maçom ao justificar o motivo de também não querer ser citado na reportagem.  “É importante dizer que o fato de um jovem ser DeMolay, não significa que ele terá que ser maçom. Na realidade até hoje, apenas 10 por cento dos jovens que foram DeMolay optaram em ser maçom”, explicou ele.
Os encontros do Capítulo Rio Grande 354 da Ordem DeMolay, do qual Pietro e Ismael fazem parte acontece uma vez por semana, mas “nós vivemos a Ordem todos os dias, nosso contato é diário”, fez questão de salientar Pietro. Como jovens que são os integrantes do DeMolay não deixam fora da programação dos encontros da turma as festas, as partidas de futebol e os churrascos.
“E as atividades filantrópicas”, salientou Ismael ao explicar que o grupo realiza atividades filantrópicas como uma forma de ser útil a sociedade. “Para ser útil a sociedade não precisa ser DeMolay, mas para ser DeMolay precisa ser útil a sociedade” reforçou o jovem. Entre as atividades filantrópicas desenvolvidas pelos jovens está a coleta de roupas para a campanha do agasalho (o capítulo mantém um container na praça Tamandaré para a coleta de doações), a arrecadação e doação de alimentos e a participação eventos filantrópicos como palestrantes.
“Há dois anos firmamos uma parceria com a Furg para ajudar nas atividades filantrópicas que ela desenvolve entre elas, o Trote Solidário e em atividades como Semana de combate ao Câncer de Mama”, salientou Pietro.
Uma das conquistas do Capítulo Rio Grande da Ordem DeMolay foi a criação do Clube de Mães, que é mais um mais um pilar para os jovens DeMolay. “Não é algo obrigatório. Nossas mães não são obrigadas a fazer parte do Clube, mas é algo que nos auxilia nos eventos e na filantropia”, explica Pietro. Atualmente o Clube de Mães está ajudando os jovens na arrecadação de leite para doação.
E são nos encontros e jantares promovidos com o apoio do Clube de Mães que os DeMolay reforçam os princípios ritualísticos da Ordem. “Na realidade, a Clube de Mães foi uma forma de trazer a família para mais perto dos jovens”, salientou um dos maçons. E quem já freqüentou um dos encontros públicos promovidos pela Ordem com certeza não pode deixar de notar o respeito o companheirismo e o carinho com que os jovens DeMolay se tratam, principalmente os integrantes de sua família. Tudo com a descontração e a alegria típicas de todos os jovens. “Na realidade os encontros públicos reúnem as mães, pais, amigos e namoradas”, fez questão dizer Pietro ao responder a última pergunta, mas antes de encerrar a entrevista ele questiona: “Queremos saber por que o nome DeMolay?”
E aí o jovem conta com a segurança, conhecimento e orgulho a história patrono da Ordem DeMolay, do francês Jacques DeMolay, que fazia parte da Ordem dos Cavaleiros Templários e que morreu numa emboscada. “Queriam saber os segredos da Ordem, mas ele preferiu morrer a contar. É um exemplo de lealdade”, concluiu o jovem.


Eduarda Toralles

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Uma turminha de aprendizes e defensores do meio ambiente

“Bichos comem pedras?”, questionaram os alunos da turma de Alfabetização da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria da Graça Reyes (4ª Secção da Barra) a professora Karina da Rosa.

“No momento eu não  soube responder a eles, mas pedi que pesquisassem e descobrimos que a avestruz come pedras para ajudar na digestão”, revelou a professora Karina. Aproveitando a curiosidade natural das crianças, ela desenvolveu durante todo esse ano atividades de educação ambiental com seus alunos.

“Todas as manhãs eu pego o jornal e os alunos olham. Primeiro eles olham as figuras e depois escolhem um assunto que acharam mais interessante”, contou a professora, que tem 19 alunos na turma

Através desse trabalho de leitura diária dos jornais, os curiosos alunos da professora Karina já conseguiram aprender sobre os albatrozes, as tartarugas, as baleias, corujas, leões marinhos. “A primeira matéria que lemos foi sobre os albatrozes e conseguimos o contato com o Augusto, do projeto Albatroz, que veio aqui fazer uma palestra para os alunos”.

“Depois escrevemos uma carta para o Augusto e ele voltou para nos mostrar fotos do mar”, lembrou a aluna Brenda.

“Quero mostrar o livro da coruja”, disse feliz Brenda. Segundo Karina, os alunos acharam uma coruja no pátio da escola e lhe pediram para saber mais sobre elas. O pessoal do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental  (Nema ) deu uma forcinha para a professora e foi falar sobre corujas. “Aí os alunos conseguiram fazer a diferenciação entre as aves do mar e a ave de rapina. Desta forma eles vão fazendo conexões e aprendendo”, comentou a professora.

No dia que a geóloga Carla, do projeto Pinípedes do Sul - Conservação de leões e lobos-marinhos na Costa Sul do Brasil foi falar para a turma sobre  os riscos que os leões e lobos-marinhos correm com as redes de pesca, os atentos alunos imediatamente lembraram que o pessoal do Projeto Tartarugas no Mar e do Projeto Albatroz haviam explicado que as tartarugas e os albatrozes também podem ser capturados acidentalmente pelas redes de pesca.

A maioria dos alunos  da escola é filho, neto ou sobrinho de pescador. Eles têm, naturalmente, uma curiosidade maior em relação a animais que vivem no mar. “Com esses projetos fui incentivando a curiosidade das crianças. Como resultado tenho acompanhado o desenvolvimento deles e a forma segura com que eles participam de debates fazendo associações a outras coisas que já haviam aprendido”, destaca com orgulho a professora.

Karina explicou que com a ajuda dos projetos de educação ambiental conseguiu fazer com que os alunos entendessem com mais facilidade sobre animais vertebrados, invertebrados, mamíferos, etc.

Sempre atenta e carinhosa com seus alunos, Karina faz questão de explicar para uma aluna que havia se aproximado com um livro para mostrar a ilustração de um urso, que aquele animal não tinha no Brasil e aí lembrou que há pouco dias um aluno havia perguntado sobre os animais que viviam no deserto. “Eles lançam as perguntas. Eu lanço de volta pedindo que eles pesquisem sobre o assunto, desta forma vou plantando a semente da investigação neles”, salienta a professora antes de encerrar a entrevista.

De longe o aluno Emanuel Ferreira da Costa, de 6 anos, faz questão de dizer que naquele dia havia aprendido que não podemos matar os pássaros. A turma havia lido a matéria sobre o Ninhal que existe na Ilha dos Marinheiros e sobre a ação de caçadores na área.

“Aprendi também que não podemos jogar lixo no mar”, complementou Emanuel. E de repente todos os alunos começaram a contar ao mesmo tempo tudo que haviam aprendido. Com certeza cada um deles tem uma história  do animal que mais gosta para contar.

A próxima aventura ambiental da turma da professora Karina já está agendada, será uma visita a Reserva Ecológica do Taim..

Eduarda Toralles

Publicado no Caderno Agorinha (Jornal Agora) 24/11/2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Área de extrema importância para reprodução de aves sofre ataque de caçadores

Ninhal da Ilha dos Marinheiros, uma área de imensa beleza e de uma importância muito grande para a preservação de algumas espécies de aves, está extremamente vulnerável à caça e destruição dos ninhos.

Numa área oposta ao ninhal, utilizada para avistamento das aves pelos pesquisadores, é impossível não se encantar pela quantidade de aves que sobrevoam a área e pela quantidade de filhotes que é possível avistar nas árvores.

De acordo com denúncias, o Ninhal da Ilha dos Marinheiros tem sofrido ataque de caçadores, que acessam o local de barco e estão abatendo a tiros aves como garças, colhereiros e savacus. “Eles chegam de barco e abatem a tiro as aves que estão sobrevoando para chegar aos ninhos”, lamentou a pessoa que fez a denúncia. De acordo com ela, a denúncia de crime contra o meio ambiente já foi feita ao comando ambiental da Brigada Militar (Patram).

A convite do jornal Agora, o biólogo Augusto Silva Costa esteve no local e apontou a importância da área para a preservação de espécies como a garça pequena-branca (Egretta thulla), colhereiro (Platalea ajaja), garça-branca-grande (Ardea alba), savacu (Nycticorax nycticorax), garça-moura (ardea cocoi), savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea) e garça-azul (Egretta caerulea).

Segundo Augusto, foi estimada a existência de 1.360 ninhos num monitoramento realizado entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, pelo pesquisador Dimas Gianuca, no seu projeto “Ecologia Reprodutiva de oito espécies de ciconiiformes em uma colônia no Estuário da Lagoa dos Patos”, de conclusão da pós-graduação em Oceanografia Biológica na Furg. “Isso aqui é um grande laboratório. Já rendeu duas teses e um trabalho de conclusão de curso. Essa área rende muito conhecimento ainda para nós”, destacou o biólogo.

As duas espécies que chamam mais a atenção, porque são consideradas tropicais, são a garça-azul e a savacu-de-coroa . “A Nyctanassa violacea se reproduz aqui nesse ninhal e o próximo ninhal dela fica lá em Santos (SP). Nesse intervalo de mais de  mil quilômetros, não tem registro de reprodução desse bicho”, disse Augusto, destacando a importância do local.

De acordo com o biólogo, as espécies de aves que vivem no local alimentam-se de peixes e não apresentam nenhuma espécie risco para as produções agrícolas existentes no local. “Elas se alimentam de peixes e têm uma relação boa com os pescadores. Geralmente, os pescadores jogam os peixes que ficam presos nas redes,  que não são interessantes para eles, para as aves que ficam na volta”, relatou Augusto.

O Ninhal da Ilha dos Marinheiros fica numa área de mata nativa, em uma propriedade particular, e, apesar da sua importância para a reprodução das espécies, não é uma área protegida.

Ainda que o local seja de importância ambiental, além de não ser protegido por uma legislação própria, é de fácil acesso (tanto pela lagoa, quanto por terra), tornando a área mais vulnerável ainda. A equipe do Agora constatou, na manhã de ontem, que uma área foi limpa, facilitando o acesso a pé até bem próximo aos ninhos.

Crime Ambiental – O sargento Gilnei Costa, da Patram, informou que a denúncia já foi registrada e que já foi feito o levantamento no local. “Além da questão da caça, tem outra questão que estamos levantando”, informou o sargento, garantindo que a equipe da Brigada Ambiental já está realizando o levantamento das denúncias.

Por Eduarda Toralles
eduarda@jornalagora.com.br

*Publicado em 19/11/2014, no Jornal Agora
http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=3&n=66046

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Parceria entre pescadores e pesquisadores ajuda na conservação de aves marinhas

"Há 30 anos, tínhamos as aves como inimigas. Meu pai era um desses 1% que não matavam os albatrozes durante a pesca. Confesso que cheguei a matar, porque achei que eles nos atrapalhavam, mas fui aprendendo com meu pai e, há 20 anos, quando cheguei de um cruzeiro a Santos (SP), conheci a Tatiana (coordenadora do projeto Albatroz) e aprendi mais um pouco. Hoje, as aves são nossas grandes parceiras", contou o pescador Celso Rocha de Oliveira, que há 37 anos realiza a pesca de espinhel pelágico - modalidade de pesca industrial praticada em alto mar para a captura de peixes grandes. Celso, que é proprietário da embarcação Servulo I (nome de seu pai) é um dos 22 pescadores parceiros do Projeto Albatroz, só em Rio Grande.

Criado há 23 anos, em Santos (SP), o Projeto é uma organização não governamental, que tem o objetivo de reduzir a captura incidental de aves oceânicas ameaçadas de extinção, principalmente pela pesca de espinhel pelágico. "Durante um cruzeiro, chegávamos a pegar mais de 200 aves. Hoje em dia, posso dizer que essa captura diminuiu em quase 90%", comemora o pescador.

A redução dessa captura deve-se, principalmente, a parceria dos pescadores, Projeto Albatroz, Poder Público e empresas como a Petrobras - por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O Albatroz, além de atuar em Santos, opera em Rio Grande, Itajaí (SC), Itaipava (ES) e Cabo Frio (RJ). Os albatrozes são grandes aves oceânicas, que atingem até 3,5 metros de envergadura e só começam a reproduzir-se com 10 anos, colocando um ovo a cada um ou dois anos. Por causa dessa baixa fecundidade, as aves não conseguem compensar a perda das suas populações. Segundo estimativas mundiais, cerca de 300 mil aves marinhas são capturadas anualmente, 100 mil dessas são albatrozes, por isso a importância do trabalho de conservação dessas aves. A base do Projeto em Rio Grande fica sob a responsabilidade do biólogo Augusto Silva Costa. O biólogo apresentou à equipe do jornal Agora quais são as medidas mitigadoras desenvolvidas e implantadas, em parceria com os pescadores, que tem ajudado a reduzir a captura acidental dos albatrozes. “Nosso desafio é encontrar alternativas que ajudem na conservação dos albatrozes, garantam uma pesca produtiva e que sejam seguras para pescadores”, revelou.

A primeira medida mitigadora desenvolvida foi o Toriline, que consiste num par de postes, ou poste único, fixado na popa da embarcação, onde são presos cabos de 130 metros de comprimento, providos de fitas coloridas, que balançam com o vento, “As fitas funcionam como um espantalho, afugentando as aves. Assim, os albatrozes não atacam as iscas logo que as jogamos no mar, depois dessa distância de 130 metros, as iscas já afundaram e é muito difícil que alguma ave consiga alcançá-las”, explicou Celso.

“Na realidade, as aves acabavam morrendo afogadas, porque elas tentavam pegar as iscas e acabavam sendo capturadas”, explicou o biólogo. Estudos do Projeto Albatroz mostram que só com a adoção dessa medida mitigadora houve uma redução de 67% nas tentativas das aves em pegarem as iscas dos anzóis. A instrução Normativa Interministerial (INI) 04/2011 determinou o uso obrigatório do Toriline. A INI 04/2011 também determinou que a colocação do peso na linha de pesca deve ficar a dois metros do anzol. O usual era colocar o peso à distância média de cinco metros. A aproximação do peso do anzol é uma das medidas questionadas pelos pescadores, apesar de ter reduzido em 30% o ataque das aves às iscas, ela não é segura para os pescadores. “Como o peso fica mais perto da isca, quando estamos recolhendo o pescado, se acontecer da linha rebentar com o peso do peixe, o peso se volta contra o pescador com muita força. Quando o peso ficava a cinco metros, era mais difícil ter acidentes”, explicou Celso. “O peso à distância de dois metros do anzol faz com que a isca/anzol afunde mais rápido, mas estamos buscando alternativas junto com o Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Pesca e Aquicultura e com Pescadores.




Busca de alternativas

O Acordo Internacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis (Acap) sugeriu a utilização de um peso mais leve. Estamos realizando pesquisas para encontrar alternativas”, explicou a coordenadora geral do Projeto Albatroz, Tatiana Neves, revelando ainda que a ideia é a flexibilidade para que o pescador possa escolher o que é mais seguro.

O biólogo Augusto apresentou uma das alternativas que está em estudo, que é um peso inglês chamado Lumo Leads (uma espécie de chumbo de luz). “A linha corre por dentro desse peso, os pescadores fixam ele na distância certa da isca, mas, se quando estão recolhendo o pescado, a linha se esticar e o peso correr na linha (não fica fixo como os utilizados hoje) reduz em até 80% o impacto contra o pescador, caso a linha rebente”, explicou.

Uma das barreiras para a adoção do Lumo Leads é o custo para os pescadores, mas segundo a coordenadora do projeto Albatroz, estão sendo pesquisadas alternativas com o apoio do governo federal, como a busca de recursos internacionais. Outra medida mitigadora adotada pelos pescadores é a Largada Noturna, que deve ser utilizada em conjunto com as demais medidas. “Essa medida é bastante eficiente já que grande parte das aves marinhas alimenta-se durante o dia. A largada de linha à noite evita a captura delas”, explicou o biólogo. Desde o início, a parceria entre pescadores e o Projeto Albatroz não se limita à pesquisa e implantação das medidas mitigadoras. Com o apoio dos pescadores, a equipe do Albatroz ainda consegue fazer a coleta de dados sobre essas aves importantes para as pesquisas sobre essas espécies. “Realizo o monitoramento diário nos cais recolhendo informações sobre os cruzeiros, através de planilhas que os pescadores preenchem para nós.

Tem também os observadores de bordo, quando conseguimos alcançar alguém de nossa equipe numa embarcação. Essa proximidade com os pescadores é muito importante para nós”, ressaltou o biólogo. “É um trabalho que não pode ser feito sem respeito e sem admiração. Para podermos ensinar, temos que aprender e é essa a troca que temos com os pescadores. Hoje, muitos deles são nossos amigos, como por exemplo, o Celso e o filho dele”, destacou Tatiana. Para o pescador Celso, que já adotou todas as medidas mitigadoras em suas embarcações e tem ajudado na pesquisa para a implantação de novas medidas, a parceria com o projeto Albatroz, além da redução da captura de albatrozes, resultou numa pesca mais produtiva. “Através das aves e das informações da equipe do Albatroz aprendemos a reconhecer os locais mais produtivos, onde iremos encontrar mais peixes”, concluiu. Em 2012, o Projeto Albatroz passou a fazer parte da Rede de Projetos de Biodiversidade Marinha (Biomar), que tem como principal objetivo a articulação de ações para a conservação marinha.

Eduarda Toralles/ Assessoria


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Importância de Rio Grande

Segundo a coordenadora do projeto Albatroz, Tatiana Neves, Rio Grande tem um link muito grande com o surgimento do projeto. Segundo Tatiana, foi um pesquisador da Furg que lhe apresentou uma grande quantidade de aves marinhas mortas. “Ele estava chegando de um cruzeiro e deparou-se com uma quantidade de aves mortas. Eu já tinha um trabalho ligado a aves marinhas quando me deparei com esse drama”, contou Tatiana. A coordenadora contou com o apoio do professor Carolus Maria Vooren, da Furg, que já realizava pesquisas com aves marinhas. “Fui a Rio Grande pedir o aval dele para a pesquisa”, ressaltou Tatiana, que chegou a morar em Rio Grande quando fez mestrado na Furg. “Minhas primeiras pesquisas foram a bordo do navio oceanográfico”, destacou. Tatiana ainda disse que no litoral do Rio Grande encontra-se a Elevação do Rio Grande, que é um local extremamente importante. “É um hotspots (área prioritária para conservação, isto é, de alta biodiversidade e ameaçada no mais alto grau) da biodiversidade marinha”, salientou.

Publicado Jornal Agora, edição 24/05/2014

Uma manhã de sorrisos no Hospital de Oncologia da Santa Casa

"Teu coração é de chocolate!", afirmou o senhor Valdir Mendes de Borges. "E dá para escolher o sabor do coração quando a gente nasce?", questionou a estudante Maria Emília Prates. "Dá pelas nossas atitudes", respondeu com um sorriso, seu Valdir.

O diálogo aconteceu durante uma ação do grupo Recrutas da Alegria - da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), no Hospital de Oncologia da Santa Casa, na manhã desta quarta (15). Seu Valdir é um dos pacientes atendidos no hospital e Maria Emília, é uma das voluntárias do Recrutas da Alegria.

A fala do paciente foi em agradecimento à alegria que os jovens integrantes do Recrutas levaram para os corredores do hospital.

"A dor que sinto é só no corpo, não na alma. Isso que eles estão fazendo é muito importante", complementou, sempre com um sorriso no rosto, seu Valdir. Ele está tratando um câncer na próstata e disse que costuma chamar a atenção, principalmente, dos jovens em relação à importância da vida. "Sempre vejo gente aqui lutando por mais um dia, uma hora de vida. E tem gente jogando a vida fora com drogas", destacou o paciente.

Ao chegar no Hospital de Oncologia, a equipe do Recrutas cruzou com seu Elói Gonçalves, de 81 anos. Ele estava aguardando a esposa sair do tratamento. "Vai lá e manda um recado para a minha esposa. O nome dela é Neiva. Diz que eu a amo. Estamos casados há 55 anos e vou estar sempre ao lado dela", disse com alegria seu Elói.

Com a missão de encontrar dona Neiva, os Recrutas da Alegria entraram no hospital e passaram a divertir a todos que estavam por lá. "A senhora é dona Neiva?", questionou a estudante Ana Carolina Gomes à paciente Osmari Gonçalves Santos. Ao ouvir a resposta negativa, a estudante sugeriu carinhosamente que dona Osmari estava precisando apertar os parafusos e já foi logo aplicando o tratamento. Puxou do bolso uma máquina de brinquedo e dona Osmari entrou na brincadeira, permitindo que a médica da alegria "apertasse os seus parafusos". "E tem o pós-operatório. A senhora tem que comer muito brigadeiro, sorrir sempre e não parar de respirar", orientou a estudante.

"Achei muito lindo o que eles estão fazendo", disse dona Osmari, que faz tratamento contra o câncer há 16 anos.

Para o estudante de enfermagem e voluntário do Recrutas, Ricardo Santos, fazer esse tipo de ação é muito importante para o grupo  de voluntários também. "Essa vivência é importante para a nossa formação. Faz a gente visualizar essa realidade e ter uma vivência mais humanista", disse Santos.

A mesma colocação fez a estudante de medicina Marina Anzolin. "Estou no Recrutas desde o meu primeiro ano de faculdade, há quatro anos. Conforme o curso vai avançando, as matérias são mais técnicas e a responsabilidade aumenta. Esse tipo de ação ajuda a manter o lado humano vivo dentro de nós, a ter essa relação mais próxima com os pacientes", concluiu a estudante.

"Achei muito bacana a intervenção deles. Estou aqui acompanhando meu pai. Eles deram uma animada aqui nos corredores. Estavam procurando a dona Neiva, acho que é uma personagem que eles criaram. Gostei das brincadeiras", disse a professora Angélica Sergio, que estava procurando o responsável pelo Recrutas para parabenizá-los pela ação.

A dona Neiva não foi encontrada pelos Recrutas da Alegria, ela e seu Elói já haviam ido embora quando a estudante Marina retornou para pedir mais informações de onde encontrá-la. Com certeza, seu Elói deu seu recado pessoalmente, declaração aliás que, pelo carinho que ele falou da esposa, deve ser feita diariamente nestes 55 anos que estão juntos.

A ação do Recrutas da Alegria faz parte da programação do "Outubro Rosa", que está sendo realizado pela Prefeitura Municipal. "Geralmente, nossas ações são de prevenção. Hoje resolvemos fazer algo com quem está em tratamento", revelou a enfermeira responsável pelo Programa Saúde da Mulher, Vanessa Carvalho. Durante a ação do Recrutas da Alegria, a equipe do Programa Saúde da Mulher aproveitou para distribuir informativos da campanha da luta contra o câncer de mama.

O Recrutas da Alegria é um projeto de extensão da FURG, do qual participam alunos da área da saúde. Eles realizam atividades com o objetivo de levar um pouco de entretenimento e bem-estar àqueles que estão internados.


Por Eduarda Toralles


* Publicado na edição do dia 16/11/2014 - Jornal Agora

sábado, 28 de junho de 2014

Estudo aponta que dragagem é responsável pela deposição de lama na praia do Cassino

O professor Lauro Calliari, do Núcleo de Oceanografia Geológica da Furg, encaminhou ao Ministério Público, há algumas semanas, um parecer solicitado pela promotoria sobre um documento que trata da deposição de lama na praia do Cassino. Este parecer indica a influência da dragagem no processo de deposição recorrente da lama bem como apresenta uma evidência importante já detectada anteriormente, de que a lama depositada em abril e maio deste ano foi causada pelas dragagens recentes. "A lama depositou-se em decorrência de sedimentos lançados dentro do estuário  (no caso, a dragagem do canal Miguel da Cunha) como também pelo processo associado às dragagens maiores realizadas posteriomente e lançadas no oceano", destacou.

Segundo Calliari, a análise da lama indicou a ocorrência elevada de gastrópode Heleobia autralis (caramujo da lama). Essa evidência, de acordo com o professor, é um indicador biológico importante pois esse tipo de caramujo vive na lama do estuário e sua presença só foi registrada na praia depois das dragagens. "Vários estudos de detalhe da fauna dos organismos que vivem no fundo, em frente ao Cassino, efetuados em toda a história da Furg, nunca encontraram um exemplar de Helióbia australis. E, de repente, esse organismo aparece aos milhares em pouco volume de lama analisado".

"No caso atual, as dragagens foram efetuadas em 2013 e 2014 (finalizada em janeiro ). Essa dragagem formou muita lama fluída num curto espaço de tempo. Notou-se na praia a partir de fevereiro, março e abril a ausência de ondas na zona de arrebentação, indício de que a lama fluída depositou-se e junto com ela os gastrópodes", destacou. Calliari explicou que a lama ficou e fica depositada no mar até chegarem as tempestades de abril (início das grandes tempestades na costa do RS). "Essas tempestades têm energia para remobilizar a lama fluída e jogá-la na praia", ressaltou.



Ocorrência desde 1998

A ocorrência de lama na praia esse ano é uma repetição do que aconteceu em 1998, enfatizou Calliari. "Naquela ocasião, os sedimentos dragados foram jogados dentro do estuário e na zona costeira próxima ao molhe leste (profundidade de 12 metros). Em 1998, os produtos de dragagem foram descartados dentro do estuário e também em profundidades rasas (12 metros), no oceano, explicou, destacando ainda que como resultado dessa ação, ocorreu o maior impacto já registrado no Cassino de lama fluída depositada desde o Terminal Turístico até quase o Navio Altair. O processo gerou efeitos que perduraram por muito tempo, ficando a praia sem zona de arrebentação por mais de 14 meses.

A análise do processo todo vem sendo feita há muito tempo, destacou o professor da Furg, enfatizando que existem dados sedimentológicos e hidrodinâmicos das tempestades que já foram registrados em diversos relatórios encaminhados ao Ministério Público e aos orgãos ambientais Estadual e Federal. Calliari garante que a presença de helióbia como indicador é conclusiva. "É um indicador importante que nunca foi encontrada fora destes episódios. Essa evidência só havia sido detectada na praia e longe da costa (alguns exemplares) justamente em 1998, ano do grande impacto.  Junto com a Helióbia, os padrões de sedimentação na zona costeira mudam, e quando comparados com os padrões normais, são completamente diferentes", ressaltou.

Quando questionado a Calliari, se a dragagem está sendo feita de forma incorreta e se o local onde está ocorrendo a deposição da lama dragada é impróprio para tal fim, o professor explicou que a produção excessiva de lama fluída num curto espaço de tempo pode indicar duas coisas:

O processo de dragagem em si pode estar gerando a lama fluída; ou o sítio de despejo no oceano pode não ser apropriado. "Não posso afirmar que não foi depositado a 19 metros de profundidade, porque eu não acompanhei o monitoramento do processo. Entretanto, sei que os produtos da dragagem do Canal Miguel da Cunha (realizada de 14 de dezembro/2013 a 14 de janeiro/2014) foram lançados dentro do estuário. Temos registros fotográficos disso", garantiu Calliari, analisando ainda que mesmo sendo volumes menores, eles nunca deveriam ter sido lançados dentro do estuário. "Já fizemos vários relatórios desaconselhando essa prática danosa, proibida em todos os estuários do mundo. O lançamento dento do estuário acaba indo parar no Cassino", reforçou.

"O processo de dragagem tem que ser monitorado principalmente no que tange à concentração de sedimentos em suspensão. O monitoramento da qualidade da água feito atualmente também é importante mas não é suficiente para o problema da lama. O sítio de despejo também deve ser
monitorado com traçadores artificiais - prática que já é usada há anos em vários países ", aponta como solução Calliari, explicando ainda que essa técnica já é dominada por algumas instituições no Brasil, tendo inclusive já sido demonstrado o seu potencial aqui no nosso porto para administrações anteriores. "Temos que ter certeza que os sedimentos não voltam para a praia. Esses traçadores são lançados junto com a lama descartada e o seu movimento pode ser seguido por equipamentos especiais".

Outro aspecto apontado como solução pelo professor é a utilização da draga "Sebastian Del Cano", caracterizada por ele como draga ecológica. "Ela já foi utilizada na dragagem de um dos maiores volumes de sedimentos já dragados no Porto sem ocasionar impacto" e também lançou os sedimentos no oceano. A dragagem é imperativa e fundamental para o nosso porto, mas não podemos dar margem a esse impacto recorrente na nossa praia, tão prejudicial ao ambiente, à segurança do banho de mar e de quem trafega pela orla, bem como ao turismo.

Calliari concluiu a entrevista revelando que, até analisar as planilhas de dragagem dos últimos 60 anos, acreditava que o processo de deposição da lama era natural. "Mas voltei atrás depois de analisar as planilhas de dragagem e despejo do material bem como dados sedimentológicos obtidos de estudos de detalhe realizados em 2005", concluiu.

Os aspectos mais técnicos relativos ao problema de deposição de lama na praia do Cassino podem ser obtidos através de
http://www.praia.log.furg.br/Publicacoes/2014/2014a.pdf
http://www.praia.log.furg.br/Publicacoes/2014/2014b.pdf



Posição Suprg 

Em nota encaminhada à redação, a Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg) informou que a realização de dragagem possui autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "A Superintendência solicita ao órgão ambiental uma aprovação prévia do local de descarte dos sedimentos de dragagem. Além disso, durante o período de dragagem, uma equipe da Divisão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança (Dmass) do Porto, realiza semanalmente o monitoramento da qualidade da água, de acordo com o programa estabelecido e aprovado pelo Ibama, e outra equipe técnica da Suprg acompanha a dragagem em período integral".

Ainda de acordo com a nota, a última dragagem no canal de acesso ao Porto foi finalizada em janeiro de 2014. "Atualmente, sabe-se que a lama na beira da praia, no balneário Cassino, trata-se de um processo natural de formação de um bolsão de lama. Dependendo das condições climáticas, dos ventos, das correntes e das chuvas, essa lama é liberada na beira da praia. Este é um acontecimento mais comum nos anos em que há maior incidência de chuvas".

A nota da Suprg enfatiza ainda que, até o momento, não há estudo que comprove a relação da dragagem com o acúmulo de lama na praia do Cassino. "Para obter um parecer oficial, a Suprg contratou estudo técnico que possibilite o embasamento sobre o assunto".

Publicado no Jornal Agora - 28/06/2014

sábado, 31 de maio de 2014

Trabalho ambiental garante sucesso na desova em Belmonte (BA)

Foi registrado um aumento de 33% nas desovas de tartarugas, em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os resultados de monitoramentos de tartarugas marinhas na região de Belmonte, realizado pela parceria ONG PAT Ecosmar e Veracel Celulose S.A. De acordo com Paolo Botticelli, coordenador da organização não governamental, as desovas vêm aumentando nos últimos anos, inclusive com comemorados registros das raras tartaruga-de-couro (Dermochelys coriácea) e tartatuga-de-pente (Eretmochelys imbricata).

Esse ano, nasceram mais de 42.000 filhotes de tartaruga marinha nos 35 km de praia próximos ao Terminal Marítimo de Belmonte (TMB) – operação de escoamento da celulose produzida pela Veracel. Essa faixa de praia é monitorada diariamente pelo projeto. O relatório elaborado pela PAT Ecosmar revela que o aumento das desovas em relação à temporada passada se deve a dois fatores: a oscilação natural do número de matrizes e aos trabalhos de manejo e de proteção que possibilitaram a redução da predação humana das fêmeas de tartarugas marinhas.

O monitoramento de quelônios marinhos é realizado nessa região desde 1997. A partir de 2005, a Veracel firmou a parceria com a ONG, contribuindo para o resultado positivo alcançado na atual temporada. Foram registradas 413 desovas, superando a temporada 2007/2008, quando ocorreram 312 desovas.

No período de 2007/2008, registrou-se ainda 296 ocorrências reprodutivas no entorno do TMB. Segundo o coordenador da PAT Ecosmar, essa região é área de reprodução da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), da tartaruga-de-papo-amarelo (Caretta caretta) e da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea). Também foram registradas nove desovas da raríssima tartaruga gigante (Dermochelys coriacea). Em toda a costa brasileira, desovam a cada ano, de 3 a 6 fêmeas dessa espécie. Os ninhos encontrados na área de influência direta do terminal são transferidos, para garantir a segurança das tartaru­guinhas.

Na temporada 2006/2007, foram registradas pela primeira vez duas ocorrências reprodutivas de tartaruga-verde (Chelonia mydas). Como resultado do trabalho de preservação e para a alegria dos ambientalistas envolvidos no projeto, na temporada 2007/2008, foram registradas mais ocorrências dessa espécie. Portanto, na área em questão, já foram monitorados ninhos de todas as cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil. Esse é um importante indicador de eficiência das metodologias preservacionistas adotadas.

O programa tem por objetivo monitorar as ocorrências reprodutivas e não-reprodutivas de quelônios marinhos nas áreas de influência do TMB, com atenção especial para ações que minimizem o efeito da iluminação artificial, da erosão costeira e das atividades industriais na área, conforme as condicionantes ambientais para funcionamento do terminal marítimo.

Gestão ambiental - O Projeto de monitoramento da desova de quelônios marinhos é um dos projetos de gestão ambiental nos quais a Veracel é parceira. Atender à legislação, possuindo todas as licenças ambientais necessárias às suas atividades florestais, industriais e de logística e atendendo suas condicionantes são compromissos fundamentais. No entanto, a empresa adotou para si a visão de ser referência em sustentabilidade, buscando ampliar sua contribuição para além do cumprimento legal. Essa é a diretriz que legitima a iniciativa de se manter um hectare ambientalmente protegido para cada hectare de plantio de eucalipto.

Hoje, a Veracel possui 104 mil hectares de áreas protegidas, entre as quais a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, com 6 mil hectares. Além de mais cinco áreas identificadas como de alto valor de conservação, que somam mais de 3 mil hectares a esse importante acervo natural que é o bioma Mata Atlântica. Junta-se a essas iniciativas o Programa Mata Atlântica, desenvolvido desde 1994, com o objetivo de aumentar a diversidade biológica de seus projetos florestais. Com esse programa, são revegetadas a média de 500 hectares por ano com mudas de espécies nativas da região. Até 2008, foram recuperados e enriquecidos 3.104 hectares de mata nativa.

Para garantir que a comunidade também cuide desse patrimônio natural, a educação ambiental tem um papel fundamental, que demanda a dedicação de técnicos e consultorias para envolver vizinhos, empresas parceiras e a comunidade em geral na luta pela preservação. Em 2009, procurando fortalecer ainda mais o compromisso com o meio ambiente, a Veracel se tornou signatária do Pacto da Mata Atlântica, uma proposta, de mais de 50 organizações ambientalistas, indivíduos, empresas e poder público, cujo objetivo é reverter o quadro de risco de extinção da Mata Atlântica.

Árvores centenárias encantam os plantadores de florestas

“Aprendi que temos de ajudar a preservar a Mata Atlântica. Plantando nativas, crescemos junto com elas”, disse Elieze Antônio Nascimento, da empresa Bonella Florestal, uma das parceiras da Veracel Celulose no Programa Mata Atlântica (PMA). Mantido desde 1994, o programa abrange os dez municípios onde a Veracel tem atividades. Até 2008, já foram enriquecidos e reflorestados cerca de 3.100 hectares.
Elieze trabalha há dois anos com o reflorestamento de mudas nativas e, junto com uma equipe da Bonella Florestal, visitou a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, para conhecer de perto o futuro das mudas que ajuda a plantar.
Na trilha de um quilômetro no meio da mata, tentou prever, emocionado, em quanto tempo os plantios que ajuda a fazer serão florestas maduras como aquela. Também participaram do grupo: Roberto Bonella, Renata Migray, Maurício Santos, Regineia Raasch, Maxsuel Maia, Milton Gonçalves e Aelson dos Santos.
O objetivo foi trocar experiências entre os pesquisadores e as pessoas que plantam as mudas nativas, dando ao grupo a oportunidade de compreender a grandeza do trabalho já realizado.
Durante a caminhada no meio da mata, além da diversidade da fauna e da flora, essa equipe de “plantadores de florestas” aprendeu algumas curiosidades, como a folha de patioba que os índios utilizavam para se comunicar no meio da mata. “Se utilizarmos a madeira apropriada para bater no caule da folha, o som alcança uma área de até quatro quilômetros de distância”, explicou o educador da RPPN, Alexandro Ribeiro Dias.
Marcas da ação do homem:
Na trilha, foi possível ver as diferentes fases de crescimento da mata. Onde ocorreu a extração de árvores, antes da Veracel adquirir a área, no auge da exploração madeireira da região (entre os anos 70 e 80), Alexandro chamou a atenção dos visitantes para a diferença da vegetação do outro lado do vale onde a mata é primária.
“Este vale dificultou a exploração da mata do lado de cá, onde podemos notar árvores bem mais altas.” O relevo difícil salvou os exemplares centenários.
O que mais encantou os “plantadores de florestas” foi o pequi com mais de 30 metros de altura, cujo tronco só pode ser abraçado por 14 pessoas de mãos dadas. Biólogos tentaram estimar a idade da árvore. Alguns avaliaram que ela tenha mais de mil anos. “Há controvérsias, mas com certeza mais de 500 anos ela tem”, avaliou a bióloga Virgínia Camargos.
A biodiversidade insiste...:
A RPPN Estação Veracel é uma das seis Áreas de Alto Valor de Conservação da Veracel, com 6.069 hectares de mata nativa preservados, entre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, no extremo sul da Bahia.
A área foi reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) pelo Ibama, ou seja, é uma área particular perpetuada com o objetivo de conservar a biodiversidade e promover a educação ambiental.
Por isso, foi denominada Sítio do Patrimônio Mundial Natural pela Unesco. Além de ser uma das maiores reservas particulares de Mata Atlântica do Brasil, se destaca entre as 20 áreas de maior diversidade de espécies de árvores do mundo.
Até o momento, já foram catalogadas 445 espécies de animais vertebrados, das quais 37 ameaçadas de extinção e 54 endêmicas do sul da Bahia. Está em curso ainda um projeto de monitoramento de mamíferos de médio e grande porte, desenvolvido desde 2007, em parceria com a Conservação Internacional (CI Brasil) e o Instituto Dríades.
... mas a ameaça persiste:
Apesar de ser crime ambiental, a caça ainda é uma prática muito difundida na região, uma ameaça constante para a preservação da fauna existente na reserva. Somente este ano, a equipe de vigias ambientais registrou 128 indícios de caçadores e localizou 51 armadilhas. Nesse importante trabalho de proteção ao meio ambiente, a Estação conta com o apoio da Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental (Coppa), Polícia Militar, Companhia de Ações Especiais Mata Atlântica (Caema) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Resultados do Programa Mata Atlântica:
“Aqui perto temos uma área, plantada há um ano, com árvores de mais de dois metros de altura. Para ficar uma mata parecida com esta aqui, acho que leva uns 20 anos”, avaliou Maxsuel Maia, supervisor da Bonella Florestal.
Maxsuel explicou ainda que as áreas que estão sendo recuperadas pela Veracel haviam sido degradadas ao logo do tempo. Em 1945, a Mata Atlântica abrangia mais de dois milhões de hectares na Bahia. Em 1974, em virtude do surgimento de polos madeireiros, favorecidos pela BR-101 recém-construída, cerca de 40% dessa área de mata nativa foi destruída. Em 1990, só restavam 6%, resumidos em Unidades de Conservação e pequenos fragmentos isolados.
Desde 1991, quando se estabeleceu na região, a Veracel empreende ações ambientais. Hoje a empresa mantém 104 mil hectares de áreas protegidas para a conservação, onde são desenvolvidas as ações do programa de recuperação.
“O objetivo do PMA é formar mosaicos com os plantios comerciais e colaborar no estabelecimento dos corredores ecológicos, que vão possibilitar a conexão entre os diversos fragmentos de Mata Atlântica da região”, comentou Agnaldo Vitti, coordenador de Silvicultura.
Para recuperação de cada 400 hectares de mata nativa, este ano, a Veracel deverá investir aproximadamente R$ 2,35 milhão. De acordo com a engenheira florestal Ninive Maia, além do plantio das mudas, o investimento garante a manutenção das áreas por três anos. “Não é simplesmente plantar a muda. Temos que dar manutenção nos primeiros anos,” destaca a engenheira.
Essa contribuição atende às diretrizes do Pacto da Mata Atlântica, do qual a Veracel é signatária desde abril deste ano. A meta é plantar mudas de pelo menos 80 espécies diferentes por hectare, sobretudo aquelas que já estavam desaparecendo da região, como o jacarandá-da-baía, guapuruvu, pau-de-jangada e oiticica.
Fonte: Eduarda Toralles - Publieditorial Veracel Celulose

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