Este blog foi criado para apresentar alguns dos meus trabalhos no Rio Grande do Sul e na Bahia
domingo, 30 de novembro de 2014
Companheirismo, amor filial e cortesia são alguns dos princípios dos jovens DeMolay
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Uma turminha de aprendizes e defensores do meio ambiente
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Área de extrema importância para reprodução de aves sofre ataque de caçadores
Numa área oposta ao ninhal, utilizada para avistamento das aves pelos pesquisadores, é impossível não se encantar pela quantidade de aves que sobrevoam a área e pela quantidade de filhotes que é possível avistar nas árvores.
De acordo com denúncias, o Ninhal da Ilha dos Marinheiros tem sofrido ataque de caçadores, que acessam o local de barco e estão abatendo a tiros aves como garças, colhereiros e savacus. “Eles chegam de barco e abatem a tiro as aves que estão sobrevoando para chegar aos ninhos”, lamentou a pessoa que fez a denúncia. De acordo com ela, a denúncia de crime contra o meio ambiente já foi feita ao comando ambiental da Brigada Militar (Patram).
A convite do jornal Agora, o biólogo Augusto Silva Costa esteve no local e apontou a importância da área para a preservação de espécies como a garça pequena-branca (Egretta thulla), colhereiro (Platalea ajaja), garça-branca-grande (Ardea alba), savacu (Nycticorax nycticorax), garça-moura (ardea cocoi), savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea) e garça-azul (Egretta caerulea).
Segundo Augusto, foi estimada a existência de 1.360 ninhos num monitoramento realizado entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, pelo pesquisador Dimas Gianuca, no seu projeto “Ecologia Reprodutiva de oito espécies de ciconiiformes em uma colônia no Estuário da Lagoa dos Patos”, de conclusão da pós-graduação em Oceanografia Biológica na Furg. “Isso aqui é um grande laboratório. Já rendeu duas teses e um trabalho de conclusão de curso. Essa área rende muito conhecimento ainda para nós”, destacou o biólogo.
As duas espécies que chamam mais a atenção, porque são consideradas tropicais, são a garça-azul e a savacu-de-coroa . “A Nyctanassa violacea se reproduz aqui nesse ninhal e o próximo ninhal dela fica lá em Santos (SP). Nesse intervalo de mais de mil quilômetros, não tem registro de reprodução desse bicho”, disse Augusto, destacando a importância do local.
De acordo com o biólogo, as espécies de aves que vivem no local alimentam-se de peixes e não apresentam nenhuma espécie risco para as produções agrícolas existentes no local. “Elas se alimentam de peixes e têm uma relação boa com os pescadores. Geralmente, os pescadores jogam os peixes que ficam presos nas redes, que não são interessantes para eles, para as aves que ficam na volta”, relatou Augusto.
O Ninhal da Ilha dos Marinheiros fica numa área de mata nativa, em uma propriedade particular, e, apesar da sua importância para a reprodução das espécies, não é uma área protegida.
Ainda que o local seja de importância ambiental, além de não ser protegido por uma legislação própria, é de fácil acesso (tanto pela lagoa, quanto por terra), tornando a área mais vulnerável ainda. A equipe do Agora constatou, na manhã de ontem, que uma área foi limpa, facilitando o acesso a pé até bem próximo aos ninhos.
Crime Ambiental – O sargento Gilnei Costa, da Patram, informou que a denúncia já foi registrada e que já foi feito o levantamento no local. “Além da questão da caça, tem outra questão que estamos levantando”, informou o sargento, garantindo que a equipe da Brigada Ambiental já está realizando o levantamento das denúncias.
Por Eduarda Toralles
eduarda@jornalagora.com.br
*Publicado em 19/11/2014, no Jornal Agora
http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=3&n=66046
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Parceria entre pescadores e pesquisadores ajuda na conservação de aves marinhas
Criado há 23 anos, em Santos (SP), o Projeto é uma organização não governamental, que tem o objetivo de reduzir a captura incidental de aves oceânicas ameaçadas de extinção, principalmente pela pesca de espinhel pelágico. "Durante um cruzeiro, chegávamos a pegar mais de 200 aves. Hoje em dia, posso dizer que essa captura diminuiu em quase 90%", comemora o pescador.
A redução dessa captura deve-se, principalmente, a parceria dos pescadores, Projeto Albatroz, Poder Público e empresas como a Petrobras - por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O Albatroz, além de atuar em Santos, opera em Rio Grande, Itajaí (SC), Itaipava (ES) e Cabo Frio (RJ). Os albatrozes são grandes aves oceânicas, que atingem até 3,5 metros de envergadura e só começam a reproduzir-se com 10 anos, colocando um ovo a cada um ou dois anos. Por causa dessa baixa fecundidade, as aves não conseguem compensar a perda das suas populações. Segundo estimativas mundiais, cerca de 300 mil aves marinhas são capturadas anualmente, 100 mil dessas são albatrozes, por isso a importância do trabalho de conservação dessas aves. A base do Projeto em Rio Grande fica sob a responsabilidade do biólogo Augusto Silva Costa. O biólogo apresentou à equipe do jornal Agora quais são as medidas mitigadoras desenvolvidas e implantadas, em parceria com os pescadores, que tem ajudado a reduzir a captura acidental dos albatrozes. “Nosso desafio é encontrar alternativas que ajudem na conservação dos albatrozes, garantam uma pesca produtiva e que sejam seguras para pescadores”, revelou.
A primeira medida mitigadora desenvolvida foi o Toriline, que consiste num par de postes, ou poste único, fixado na popa da embarcação, onde são presos cabos de 130 metros de comprimento, providos de fitas coloridas, que balançam com o vento, “As fitas funcionam como um espantalho, afugentando as aves. Assim, os albatrozes não atacam as iscas logo que as jogamos no mar, depois dessa distância de 130 metros, as iscas já afundaram e é muito difícil que alguma ave consiga alcançá-las”, explicou Celso.
“Na realidade, as aves acabavam morrendo afogadas, porque elas tentavam pegar as iscas e acabavam sendo capturadas”, explicou o biólogo. Estudos do Projeto Albatroz mostram que só com a adoção dessa medida mitigadora houve uma redução de 67% nas tentativas das aves em pegarem as iscas dos anzóis. A instrução Normativa Interministerial (INI) 04/2011 determinou o uso obrigatório do Toriline. A INI 04/2011 também determinou que a colocação do peso na linha de pesca deve ficar a dois metros do anzol. O usual era colocar o peso à distância média de cinco metros. A aproximação do peso do anzol é uma das medidas questionadas pelos pescadores, apesar de ter reduzido em 30% o ataque das aves às iscas, ela não é segura para os pescadores. “Como o peso fica mais perto da isca, quando estamos recolhendo o pescado, se acontecer da linha rebentar com o peso do peixe, o peso se volta contra o pescador com muita força. Quando o peso ficava a cinco metros, era mais difícil ter acidentes”, explicou Celso. “O peso à distância de dois metros do anzol faz com que a isca/anzol afunde mais rápido, mas estamos buscando alternativas junto com o Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Pesca e Aquicultura e com Pescadores.
Busca de alternativas
O Acordo Internacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis (Acap) sugeriu a utilização de um peso mais leve. Estamos realizando pesquisas para encontrar alternativas”, explicou a coordenadora geral do Projeto Albatroz, Tatiana Neves, revelando ainda que a ideia é a flexibilidade para que o pescador possa escolher o que é mais seguro.
O biólogo Augusto apresentou uma das alternativas que está em estudo, que é um peso inglês chamado Lumo Leads (uma espécie de chumbo de luz). “A linha corre por dentro desse peso, os pescadores fixam ele na distância certa da isca, mas, se quando estão recolhendo o pescado, a linha se esticar e o peso correr na linha (não fica fixo como os utilizados hoje) reduz em até 80% o impacto contra o pescador, caso a linha rebente”, explicou.
Uma das barreiras para a adoção do Lumo Leads é o custo para os pescadores, mas segundo a coordenadora do projeto Albatroz, estão sendo pesquisadas alternativas com o apoio do governo federal, como a busca de recursos internacionais. Outra medida mitigadora adotada pelos pescadores é a Largada Noturna, que deve ser utilizada em conjunto com as demais medidas. “Essa medida é bastante eficiente já que grande parte das aves marinhas alimenta-se durante o dia. A largada de linha à noite evita a captura delas”, explicou o biólogo. Desde o início, a parceria entre pescadores e o Projeto Albatroz não se limita à pesquisa e implantação das medidas mitigadoras. Com o apoio dos pescadores, a equipe do Albatroz ainda consegue fazer a coleta de dados sobre essas aves importantes para as pesquisas sobre essas espécies. “Realizo o monitoramento diário nos cais recolhendo informações sobre os cruzeiros, através de planilhas que os pescadores preenchem para nós.
Tem também os observadores de bordo, quando conseguimos alcançar alguém de nossa equipe numa embarcação. Essa proximidade com os pescadores é muito importante para nós”, ressaltou o biólogo. “É um trabalho que não pode ser feito sem respeito e sem admiração. Para podermos ensinar, temos que aprender e é essa a troca que temos com os pescadores. Hoje, muitos deles são nossos amigos, como por exemplo, o Celso e o filho dele”, destacou Tatiana. Para o pescador Celso, que já adotou todas as medidas mitigadoras em suas embarcações e tem ajudado na pesquisa para a implantação de novas medidas, a parceria com o projeto Albatroz, além da redução da captura de albatrozes, resultou numa pesca mais produtiva. “Através das aves e das informações da equipe do Albatroz aprendemos a reconhecer os locais mais produtivos, onde iremos encontrar mais peixes”, concluiu. Em 2012, o Projeto Albatroz passou a fazer parte da Rede de Projetos de Biodiversidade Marinha (Biomar), que tem como principal objetivo a articulação de ações para a conservação marinha.
Eduarda Toralles/ Assessoria
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Importância de Rio Grande
Segundo a coordenadora do projeto Albatroz, Tatiana Neves, Rio Grande tem um link muito grande com o surgimento do projeto. Segundo Tatiana, foi um pesquisador da Furg que lhe apresentou uma grande quantidade de aves marinhas mortas. “Ele estava chegando de um cruzeiro e deparou-se com uma quantidade de aves mortas. Eu já tinha um trabalho ligado a aves marinhas quando me deparei com esse drama”, contou Tatiana. A coordenadora contou com o apoio do professor Carolus Maria Vooren, da Furg, que já realizava pesquisas com aves marinhas. “Fui a Rio Grande pedir o aval dele para a pesquisa”, ressaltou Tatiana, que chegou a morar em Rio Grande quando fez mestrado na Furg. “Minhas primeiras pesquisas foram a bordo do navio oceanográfico”, destacou. Tatiana ainda disse que no litoral do Rio Grande encontra-se a Elevação do Rio Grande, que é um local extremamente importante. “É um hotspots (área prioritária para conservação, isto é, de alta biodiversidade e ameaçada no mais alto grau) da biodiversidade marinha”, salientou.
Publicado Jornal Agora, edição 24/05/2014
Uma manhã de sorrisos no Hospital de Oncologia da Santa Casa
"Teu
coração é de chocolate!", afirmou o senhor Valdir Mendes de Borges.
"E dá para escolher o sabor do coração quando a gente nasce?",
questionou a estudante Maria Emília Prates. "Dá pelas nossas
atitudes", respondeu com um sorriso, seu Valdir.
O diálogo aconteceu durante uma
ação do grupo Recrutas da Alegria - da Universidade Federal do Rio Grande (FURG),
no Hospital de Oncologia da Santa Casa, na manhã desta quarta (15). Seu Valdir
é um dos pacientes atendidos no hospital e Maria Emília, é uma das voluntárias
do Recrutas da Alegria.
A fala do paciente foi em agradecimento à alegria que os jovens integrantes do
Recrutas levaram para os corredores do hospital.
"A dor que sinto é só no corpo, não na alma. Isso que eles estão fazendo é
muito importante", complementou, sempre com um sorriso no rosto, seu
Valdir. Ele está tratando um câncer na próstata e disse que costuma chamar a
atenção, principalmente, dos jovens em relação à importância da vida.
"Sempre vejo gente aqui lutando por mais um dia, uma hora de vida. E tem
gente jogando a vida fora com drogas", destacou o paciente.
Ao chegar no Hospital de Oncologia, a equipe do Recrutas cruzou com seu Elói
Gonçalves, de 81 anos. Ele estava aguardando a esposa sair do tratamento.
"Vai lá e manda um recado para a minha esposa. O nome dela é Neiva. Diz
que eu a amo. Estamos casados há 55 anos e vou estar sempre ao lado dela",
disse com alegria seu Elói.
Com a missão de encontrar dona Neiva, os Recrutas da Alegria entraram no
hospital e passaram a divertir a todos que estavam por lá. "A senhora é
dona Neiva?", questionou a estudante Ana Carolina Gomes à paciente Osmari
Gonçalves Santos. Ao ouvir a resposta negativa, a estudante sugeriu
carinhosamente que dona Osmari estava precisando apertar os parafusos e já foi
logo aplicando o tratamento. Puxou do bolso uma máquina de brinquedo e dona
Osmari entrou na brincadeira, permitindo que a médica da alegria
"apertasse os seus parafusos". "E tem o pós-operatório. A
senhora tem que comer muito brigadeiro, sorrir sempre e não parar de
respirar", orientou a estudante.
"Achei muito lindo o que eles estão fazendo", disse dona Osmari, que
faz tratamento contra o câncer há 16 anos.
Para o estudante de enfermagem e voluntário do Recrutas, Ricardo Santos, fazer
esse tipo de ação é muito importante para o grupo de voluntários também. "Essa vivência é
importante para a nossa formação. Faz a gente visualizar essa realidade e ter
uma vivência mais humanista", disse Santos.
A mesma colocação fez a estudante de medicina Marina Anzolin. "Estou no
Recrutas desde o meu primeiro ano de faculdade, há quatro anos. Conforme o
curso vai avançando, as matérias são mais técnicas e a responsabilidade
aumenta. Esse tipo de ação ajuda a manter o lado humano vivo dentro de nós, a
ter essa relação mais próxima com os pacientes", concluiu a estudante.
"Achei muito bacana a intervenção deles. Estou aqui acompanhando meu pai.
Eles deram uma animada aqui nos corredores. Estavam procurando a dona Neiva,
acho que é uma personagem que eles criaram. Gostei das brincadeiras",
disse a professora Angélica Sergio, que estava procurando o responsável pelo Recrutas
para parabenizá-los pela ação.
A dona Neiva não foi encontrada pelos Recrutas da Alegria, ela e seu Elói já
haviam ido embora quando a estudante Marina retornou para pedir mais
informações de onde encontrá-la. Com certeza, seu Elói deu seu recado
pessoalmente, declaração aliás que, pelo carinho que ele falou da esposa, deve
ser feita diariamente nestes 55 anos que estão juntos.
A ação do Recrutas da Alegria faz parte da programação do "Outubro
Rosa", que está sendo realizado pela Prefeitura Municipal. "Geralmente,
nossas ações são de prevenção. Hoje resolvemos fazer algo com quem está em
tratamento", revelou a enfermeira responsável pelo Programa Saúde da
Mulher, Vanessa Carvalho. Durante a ação do Recrutas da Alegria, a equipe do
Programa Saúde da Mulher aproveitou para distribuir informativos da campanha da
luta contra o câncer de mama.
O Recrutas da Alegria é um projeto de extensão da FURG, do qual participam
alunos da área da saúde. Eles realizam atividades com o objetivo de levar um
pouco de entretenimento e bem-estar àqueles que estão internados.
Por Eduarda Toralles
* Publicado na edição do dia 16/11/2014 - Jornal Agora
sábado, 28 de junho de 2014
Estudo aponta que dragagem é responsável pela deposição de lama na praia do Cassino
Segundo Calliari, a análise da lama indicou a ocorrência elevada de gastrópode Heleobia autralis (caramujo da lama). Essa evidência, de acordo com o professor, é um indicador biológico importante pois esse tipo de caramujo vive na lama do estuário e sua presença só foi registrada na praia depois das dragagens. "Vários estudos de detalhe da fauna dos organismos que vivem no fundo, em frente ao Cassino, efetuados em toda a história da Furg, nunca encontraram um exemplar de Helióbia australis. E, de repente, esse organismo aparece aos milhares em pouco volume de lama analisado".
"No caso atual, as dragagens foram efetuadas em 2013 e 2014 (finalizada em janeiro ). Essa dragagem formou muita lama fluída num curto espaço de tempo. Notou-se na praia a partir de fevereiro, março e abril a ausência de ondas na zona de arrebentação, indício de que a lama fluída depositou-se e junto com ela os gastrópodes", destacou. Calliari explicou que a lama ficou e fica depositada no mar até chegarem as tempestades de abril (início das grandes tempestades na costa do RS). "Essas tempestades têm energia para remobilizar a lama fluída e jogá-la na praia", ressaltou.
Ocorrência desde 1998
A ocorrência de lama na praia esse ano é uma repetição do que aconteceu em 1998, enfatizou Calliari. "Naquela ocasião, os sedimentos dragados foram jogados dentro do estuário e na zona costeira próxima ao molhe leste (profundidade de 12 metros). Em 1998, os produtos de dragagem foram descartados dentro do estuário e também em profundidades rasas (12 metros), no oceano, explicou, destacando ainda que como resultado dessa ação, ocorreu o maior impacto já registrado no Cassino de lama fluída depositada desde o Terminal Turístico até quase o Navio Altair. O processo gerou efeitos que perduraram por muito tempo, ficando a praia sem zona de arrebentação por mais de 14 meses.
A análise do processo todo vem sendo feita há muito tempo, destacou o professor da Furg, enfatizando que existem dados sedimentológicos e hidrodinâmicos das tempestades que já foram registrados em diversos relatórios encaminhados ao Ministério Público e aos orgãos ambientais Estadual e Federal. Calliari garante que a presença de helióbia como indicador é conclusiva. "É um indicador importante que nunca foi encontrada fora destes episódios. Essa evidência só havia sido detectada na praia e longe da costa (alguns exemplares) justamente em 1998, ano do grande impacto. Junto com a Helióbia, os padrões de sedimentação na zona costeira mudam, e quando comparados com os padrões normais, são completamente diferentes", ressaltou.
Quando questionado a Calliari, se a dragagem está sendo feita de forma incorreta e se o local onde está ocorrendo a deposição da lama dragada é impróprio para tal fim, o professor explicou que a produção excessiva de lama fluída num curto espaço de tempo pode indicar duas coisas:
O processo de dragagem em si pode estar gerando a lama fluída; ou o sítio de despejo no oceano pode não ser apropriado. "Não posso afirmar que não foi depositado a 19 metros de profundidade, porque eu não acompanhei o monitoramento do processo. Entretanto, sei que os produtos da dragagem do Canal Miguel da Cunha (realizada de 14 de dezembro/2013 a 14 de janeiro/2014) foram lançados dentro do estuário. Temos registros fotográficos disso", garantiu Calliari, analisando ainda que mesmo sendo volumes menores, eles nunca deveriam ter sido lançados dentro do estuário. "Já fizemos vários relatórios desaconselhando essa prática danosa, proibida em todos os estuários do mundo. O lançamento dento do estuário acaba indo parar no Cassino", reforçou.
"O processo de dragagem tem que ser monitorado principalmente no que tange à concentração de sedimentos em suspensão. O monitoramento da qualidade da água feito atualmente também é importante mas não é suficiente para o problema da lama. O sítio de despejo também deve ser
monitorado com traçadores artificiais - prática que já é usada há anos em vários países ", aponta como solução Calliari, explicando ainda que essa técnica já é dominada por algumas instituições no Brasil, tendo inclusive já sido demonstrado o seu potencial aqui no nosso porto para administrações anteriores. "Temos que ter certeza que os sedimentos não voltam para a praia. Esses traçadores são lançados junto com a lama descartada e o seu movimento pode ser seguido por equipamentos especiais".
Outro aspecto apontado como solução pelo professor é a utilização da draga "Sebastian Del Cano", caracterizada por ele como draga ecológica. "Ela já foi utilizada na dragagem de um dos maiores volumes de sedimentos já dragados no Porto sem ocasionar impacto" e também lançou os sedimentos no oceano. A dragagem é imperativa e fundamental para o nosso porto, mas não podemos dar margem a esse impacto recorrente na nossa praia, tão prejudicial ao ambiente, à segurança do banho de mar e de quem trafega pela orla, bem como ao turismo.
Calliari concluiu a entrevista revelando que, até analisar as planilhas de dragagem dos últimos 60 anos, acreditava que o processo de deposição da lama era natural. "Mas voltei atrás depois de analisar as planilhas de dragagem e despejo do material bem como dados sedimentológicos obtidos de estudos de detalhe realizados em 2005", concluiu.
Os aspectos mais técnicos relativos ao problema de deposição de lama na praia do Cassino podem ser obtidos através de
http://www.praia.log.furg.br/Publicacoes/2014/2014a.pdf
http://www.praia.log.furg.br/Publicacoes/2014/2014b.pdf
Posição Suprg
Em nota encaminhada à redação, a Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg) informou que a realização de dragagem possui autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "A Superintendência solicita ao órgão ambiental uma aprovação prévia do local de descarte dos sedimentos de dragagem. Além disso, durante o período de dragagem, uma equipe da Divisão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança (Dmass) do Porto, realiza semanalmente o monitoramento da qualidade da água, de acordo com o programa estabelecido e aprovado pelo Ibama, e outra equipe técnica da Suprg acompanha a dragagem em período integral".
Ainda de acordo com a nota, a última dragagem no canal de acesso ao Porto foi finalizada em janeiro de 2014. "Atualmente, sabe-se que a lama na beira da praia, no balneário Cassino, trata-se de um processo natural de formação de um bolsão de lama. Dependendo das condições climáticas, dos ventos, das correntes e das chuvas, essa lama é liberada na beira da praia. Este é um acontecimento mais comum nos anos em que há maior incidência de chuvas".
A nota da Suprg enfatiza ainda que, até o momento, não há estudo que comprove a relação da dragagem com o acúmulo de lama na praia do Cassino. "Para obter um parecer oficial, a Suprg contratou estudo técnico que possibilite o embasamento sobre o assunto".
Publicado no Jornal Agora - 28/06/2014
sábado, 31 de maio de 2014
Trabalho ambiental garante sucesso na desova em Belmonte (BA)
Esse ano, nasceram mais de 42.000 filhotes de tartaruga marinha nos 35 km de praia próximos ao Terminal Marítimo de Belmonte (TMB) – operação de escoamento da celulose produzida pela Veracel. Essa faixa de praia é monitorada diariamente pelo projeto. O relatório elaborado pela PAT Ecosmar revela que o aumento das desovas em relação à temporada passada se deve a dois fatores: a oscilação natural do número de matrizes e aos trabalhos de manejo e de proteção que possibilitaram a redução da predação humana das fêmeas de tartarugas marinhas.
O monitoramento de quelônios marinhos é realizado nessa região desde 1997. A partir de 2005, a Veracel firmou a parceria com a ONG, contribuindo para o resultado positivo alcançado na atual temporada. Foram registradas 413 desovas, superando a temporada 2007/2008, quando ocorreram 312 desovas.
No período de 2007/2008, registrou-se ainda 296 ocorrências reprodutivas no entorno do TMB. Segundo o coordenador da PAT Ecosmar, essa região é área de reprodução da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), da tartaruga-de-papo-amarelo (Caretta caretta) e da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea). Também foram registradas nove desovas da raríssima tartaruga gigante (Dermochelys coriacea). Em toda a costa brasileira, desovam a cada ano, de 3 a 6 fêmeas dessa espécie. Os ninhos encontrados na área de influência direta do terminal são transferidos, para garantir a segurança das tartaruguinhas.
Na temporada 2006/2007, foram registradas pela primeira vez duas ocorrências reprodutivas de tartaruga-verde (Chelonia mydas). Como resultado do trabalho de preservação e para a alegria dos ambientalistas envolvidos no projeto, na temporada 2007/2008, foram registradas mais ocorrências dessa espécie. Portanto, na área em questão, já foram monitorados ninhos de todas as cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil. Esse é um importante indicador de eficiência das metodologias preservacionistas adotadas.
O programa tem por objetivo monitorar as ocorrências reprodutivas e não-reprodutivas de quelônios marinhos nas áreas de influência do TMB, com atenção especial para ações que minimizem o efeito da iluminação artificial, da erosão costeira e das atividades industriais na área, conforme as condicionantes ambientais para funcionamento do terminal marítimo.
Gestão ambiental - O Projeto de monitoramento da desova de quelônios marinhos é um dos projetos de gestão ambiental nos quais a Veracel é parceira. Atender à legislação, possuindo todas as licenças ambientais necessárias às suas atividades florestais, industriais e de logística e atendendo suas condicionantes são compromissos fundamentais. No entanto, a empresa adotou para si a visão de ser referência em sustentabilidade, buscando ampliar sua contribuição para além do cumprimento legal. Essa é a diretriz que legitima a iniciativa de se manter um hectare ambientalmente protegido para cada hectare de plantio de eucalipto.
Hoje, a Veracel possui 104 mil hectares de áreas protegidas, entre as quais a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, com 6 mil hectares. Além de mais cinco áreas identificadas como de alto valor de conservação, que somam mais de 3 mil hectares a esse importante acervo natural que é o bioma Mata Atlântica. Junta-se a essas iniciativas o Programa Mata Atlântica, desenvolvido desde 1994, com o objetivo de aumentar a diversidade biológica de seus projetos florestais. Com esse programa, são revegetadas a média de 500 hectares por ano com mudas de espécies nativas da região. Até 2008, foram recuperados e enriquecidos 3.104 hectares de mata nativa.
Para garantir que a comunidade também cuide desse patrimônio natural, a educação ambiental tem um papel fundamental, que demanda a dedicação de técnicos e consultorias para envolver vizinhos, empresas parceiras e a comunidade em geral na luta pela preservação. Em 2009, procurando fortalecer ainda mais o compromisso com o meio ambiente, a Veracel se tornou signatária do Pacto da Mata Atlântica, uma proposta, de mais de 50 organizações ambientalistas, indivíduos, empresas e poder público, cujo objetivo é reverter o quadro de risco de extinção da Mata Atlântica.
Árvores centenárias encantam os plantadores de florestas
RPPN Rio do Brasil: Mais que uma aventura na natureza, uma iniciativa de conservação ambiental
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