sábado, 9 de novembro de 2013

Voluntários buscam criação de política para atender a moradores de rua

“Não existe uma política voltada para os moradores de rua”. Com essa constatação, a estudante de serviço social, Ivania de Farias Silveira Siqueira iniciou há dois anos um trabalho junto a essa comunidade. Para se aproximar dos moradores de rua, Ivania procurou a Comunidade Católica Renascer no Espírito, onde há dois anos realiza um estágio.
“Aqui foi o lugar que consegui apoio para buscar o vínculo com essas pessoas”, conta Ivania. A estagiária fez o diagnóstico dessa comunidade e buscou junto à Prefeitura Municipal serviços que ajudassem a suprir as necessidades apresentadas pelos moradores de rua. “Na gestão passada, não existia pessoas especializadas para atender à população de rua, e acabei não conseguindo apoio. Quando a Cristina Juliano assumiu a Secretaria de Município de Cidadania e Assistência Social (SMCAS), voltei a procurar a Prefeitura e tive apoio para que essa comunidade fosse ouvida”, contou Ivania.
Com o apoio da SMCAS, Ivania organizou, em julho, na praça Tamandaré, um encontro entre a secretária Cristina Juliano e moradores de rua. “Esse encontro foi sensacional. Os moradores puderam apresentar as suas demandas. Como resultado, conseguimos colocar a formação de uma política para os moradores de rua como pauta no Plano Plurianual (PPA) e aprovar a criação do Centro de Referência Especializado em População de Rua”, revelou a estagiária. Com o apoio da SMCAS, foram garantidas três conquistas importantes para essa comunidade: a montagem de uma equipe de profissionais especializados na abordagem e acompanhamento de moradores de rua, a municipalizado do albergue e a criação do Centro Pop.
“Já começamos a abordagem e cadastramento dos moradores de rua. Para fazer essa aproximação, continuamos trabalhando junto com as entidades que distribuem alimentação à noite, como Comunidade Renascer no Espírito, e com a Associação Rio-grandina de Auxílio aos Necessitados (Assoran)”, revelou o psicólogo Pedro Amado Borges, que forma a equipe da prefeitura de atendimento à comunidade de rua, juntamente com um assistente social e dois estagiários. Segundo Borges, já está sendo realizado o atendimento a essa comunidade na sede da Assoran. “O que se pretende não é tirá-los da rua, mas criar junto com eles possibilidades para que saiam das ruas, se assim desejarem”, explicou Borges.  
De acordo com o diagnóstico realizado por Ivania, as demandas dos moradores de rua são variadas, vão desde o apoio para a retirada de documentos até o atendimento médico. “Já estamos articulados com a área de Saúde. Já temos também o contato com o HU, que nos liga toda vez que algum morador de rua busca atendimento. Nossas próximas propostas são o atendimento bucal e a campanha contra DST/Aids”, contou Ivania.
A estagiária já conhece muitos dos moradores de rua pelo nome e é recebida com um sorriso quando chega para entregar um prato de comida, ou simplesmente para conversar com eles. “Já tenho o cadastro de mais de 100 moradores de rua. É uma comunidade muito flutuante, que cresceu muito nos últimos anos com a chegada do Polo Naval”.
Dentre os atendimentos que já estão sendo desenvolvidos pela equipe da Prefeitura, está o acompanhamento dos moradores de rua quando estes vão buscar assistência médica e o acompanhamento durante internações hospitalares, o cadastramento no Cadastro Único, acompanhamento psicológico, retirada de documentos, entre outros serviços. A equipe de atendimento a moradores de rua da Prefeitura faz o diagnóstico e o acompanhamento e, caso haja a necessidade de encaminhar alguma dessas pessoas, involuntariamente, à unidade terapêutica, contam com o apoio do Ministério Público.
O psicólogo citou como exemplo o caso de um morador de rua que vinha sendo acompanhado e acabou se tornando violento, colocando em risco a si próprio e a outras pessoas. “Encaminhamos o diagnóstico para o Ministério Público que solicitou a internação dele”, contou Borges. “Os motivos para eles estarem na rua são variados, desde o envolvimento com drogas e álcool, abandono familiar, extrema pobreza, e até mesmo, a falta de condições de pagar um local para morar. Com certeza a escolha deles não é fácil. Morar na rua não é para o ser humano. É muito triste. Nunca vou perder a sensibilidade em relação a essa realidade. Se eu vejo alguém na rua, vou ao encontro dessa pessoa, é algo que é mais forte que eu”, constatou Ivania, que está concluindo o seu estágio mas continua engajada na campanha como voluntária junto à entidade e à equipe da Prefeitura.
Ivania sabe da história de cada um dos moradores de rua que já cadastrou, mas tem o cuidado de não questioná-los sobre a razão de estarem na rua. "São histórias muito tristes, muitas de abandono familiar. É difícil para alguns relembrar os motivos. Deixo que eles contem se quiserem", concluiu.  
Suprir a necessidade primordial
Todo esse trabalho só foi possível graças ao apoio que os moradores de rua já recebiam de instituições como Comunidade Católica Renascer no Espírito. O sr. José Valdir Pintado Bernardo, presidente da Renascer no Espírito afirma: "sempre participei de atividades da igreja e, em certo momento, senti a necessidade de fazer algo mais. O  projeto foi crescendo nestes oito anos. Hoje, além de entregar refeições duas vezes por semana, também oferecemos um dia de banho e evangelização. Mas nosso objetivo principal sempre foi suprir a necessidade primordial deles, que é a fome”, contou seu Valdir, como é conhecido pelo moradores de rua. “Esse trabalho deles é muito importante. Eu não teria conseguido fazer todo o diagnóstico, não teria conseguido me aproximar se eles estivessem com fome, se não tivessem suprido essa necessidade básica de todo ser humano, que é a de fazer pelo menos uma refeição descente”, destacou Ivania.  

Por Eduarda Toralles
eduarda@jornalagora.com.br

Publicado no jornal Agora 26/09/2013

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Uma banda além da visão

Quatro jovens cegos são um exemplo de que a inclusão é possível, e que para isso, basta respeitarmos e valorizarmos os dons de cada um. Os jovens Fernando Jacinto Martins Neto, 15 anos, Ayslan dos Santos Fernandes, 13 anos, Uly Cardoso Pereira, 18 anos e Guilherme Brechanne Medeiros, 14 anos, se uniram há 3 meses e formaram a banda musical Fagy – Além da Visão.
Colegas na Escola Estadual Barão do Cerro Largo, os jovens sempre estudaram juntos, e com o apoio dos pais, foram desenvolvendo seus talentos musicais. Nenhum dos quatro cursou aulas de música, os quatro aprenderam a tocar instrumentos só ouvindo músicas.  
A mãe de Fernando, Patrícia da Silva Martins, conta que o filho é cego de nascença e começou a tocar “Parabéns para você” num teclado de criança quando tinha apenas nove meses de vida. Hoje, além do teclado, o jovem toca cavaquinho e é um dos cantores da banda.  
É impossível segurar a emoção quando Fernando começa a cantar Sunday Bloody Sunday, do U2. “Ele nunca teve aula de música, sempre tocou de ouvido. Até cursou teclado, mas o professor disse que ele já sabia tudo”, conta Patrícia. A relação com a música, Fernando faz questão de explicar. “Minha vida praticamente toda é a música. É um sentimento, é o jeito que tenho para me expressar”, diz Fernando.  
O jovem Ayslan, que perdeu a visão aos quatro anos após uma queda com uma batida forte na cabeça, aprendeu a tocar rebolo e pandeiro com os primos, contou a mãe Gerusa Pereira dos Santos.  
A única menina do grupo, Uly é responsável pelo pandeiro. “Às vezes também canto e danço. Não faço aula de dança, gosto de colocar a minha criatividade”, conta a jovem. A mãe de Uly estava doente na tarde de ontem (01), quando o grupo se reuniu para mais um ensaio, mas Uly conseguiu comparecer ao compromisso graças à união das quatro famílias. “Ela não tinha como vir sozinha, mas eu dei um jeito de buscá-la. Somos muito unidos, sempre acompanhamos nossos filhos, e quando algum pai não pode comparecer, damos um jeito”, revelou Gerusa.
O grupo ensaia quatro ou cinco vezes por semana numa peça reservada exclusivamente para eles na casa do baterista Guilherme, na Vila Municipal. Cego desde que nasceu e com autismo, Guilherme fez da música o seu mundo. “Ele começou a tocar bateria na casa de um vizinho, quando era pequeno. Aí decidimos dar uma bateria para ele”, contou a mãe do jovem, Estela Guedes Brechanne. “Gui”, como é carinhosamente chamado por todos, não consegue ficar sem cantar e batucar as mãos.  
“Conheci o Gui na academia, fazíamos hidroginástica juntos e depois da aula ele ficava sentado esperando os pais e sempre tava cantarolando uma música, lembro que ele gostava muito de cantar ‘Esse cara sou eu’ ”, contou Pedro Alberto Jensen, um fã do grupo.  
O repertório musical é variado, vai desde o MPB ao samba, rock, pagode, entre outros. Com apenas três meses de formação, a banda irá fazer o seu terceiro show, numa festa do programa Primeira Infância Melhor (PIM), no próximo dia 9. “Eles já cantaram em um aniversário e numa mostra cultural da escola”, contou Estela.  
Os jovens contam com o apoio total dos familiares que, com certeza, são os principais fãs do grupo. “A música está fazendo com que eles superem qualquer deficiência. Com isso, eles estão mostrando que são capazes. A gente vê tantos jovens envolvidos com drogas, jogando a vida fora por uma bobagem e nossos filhos estão aqui, mostrando que é possível superar qualquer dificuldade”, conclui com orgulho a mãe do tecladista da banda. 

Por Eduarda Toralles
eduarda@jornalagora.com.br

Publicado no jornal Agora - 01/11/2013

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Centenário de Vinicius de Moraes é tema de evento literário da Escola Navegantes

“Aprendi que cada momento que ele vivia, fosse triste ou alegre, ele escrevia. E ele tinha muita criatividade, escolhia bem as palavras. Sabia bem o que queria dizer”, disse a pequena Emily Leiria Lopes, de nove anos, aluna do 4º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Navegantes, ao falar do que aprendeu sobre a vida e obra do poeta Vinicius de Moraes. 
Emily e os demais 169 alunos da escola estão participando de atividades literárias que buscam ressaltar a importância da leitura, da poesia e das músicas. Esse ano, a escola realizou trabalhos tendo como tema o centenário do nascimento do poeta.   Há 10 anos, com o apoio da Fundação Bunge, a escola Navegantes vem desenvolvendo atividades voltadas ao incentivo à leitura. “Durante todo o ano, são realizados projetos visando à formação de leitores, como por exemplo, o projeto Os Mediadores Mirins de Leitura, que prepara os estudantes para lerem para outras crianças”, informou Maria Mirta, consultora da Fundação em Rio Grande.  
Esse ano, além de incentivar a leitura das obras do poeta na sala de aula, as paredes e portas da escola foram decoradas com cartazes com poemas de Vinicius e ilustrações alusivas. Culminando às atividades de 2013, a escola irá realizar a V Feira Literária nos dias 08 e 09 deste mês.  
De acordo com Maria, um dos diferenciais da quinta edição da Feira Literária, além da realização de um Sarau Literário direcionado à comunidade, é que, pela primeira vez, a própria escola está organizando o evento.  “Até ano passado, a Fundação apoiou a organização. Plantamos a semente e esse ano eles estão mostrando o que aprenderam”, complementou Maria.  
“Com o sarau literário, que terá como tema um boteco, levando em consideração que o poeta era um boêmio, buscaremos mostrar para os pais dos alunos e para a comunidade um pouco do que fizemos durante todo o ano na sala de aula”, explicou a diretora Lucenir Machado, revelando ainda que o evento irá reunir apresentações musicais e declamação, tendo como base as obras do poeta, com a participação de alunos e convidados.  
No dia 9, acontecem sete oficinas literárias direcionadas aos estudantes da escola. “Teremos a oficina de culinária, por exemplo, onde os próprios alunos irão construir o seu alimento tendo como modelo os animais da Arca de Noé (conjunto de poemas infantis de Vinicius de Moraes). Eles fizeram uma pesquisa e descobriram que o Vinícius adorava culinária e copiaram as receitas que o poeta mais gostava e irão fazer aqui na escola”, explicou a diretora, revelando ainda que as demais oficinas serão sobre ritmo musical, corporal, adivinhações, desenho e audição de poesias, “A palavra é...” e dobradura, todas tendo com tema as poesias, músicas e a vida do poeta.  
 
Publicado no jornal Agora - 05/11/2013
 

Mercado imobiliário do Rio Grande vive novo momento

Com a conclusão da plataforma P-55, última que estava sendo construída esse ano no Polo Naval do Rio Grande, grande número de trabalhadores desse setor retornaram as suas cidades de origem. Com isso, o mercado imobiliário da cidade entrou num período de “entressafra”, como definiu o delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RS), Roque de Oliveira. “Houve uma queda na procura por imóveis para alugar. Hoje, estamos levando uma média de 20 dias para conseguir alugar um imóvel. Estamos num período de incertezas pelo que vem pela frente”, avaliou Oliveira.
Já para o corretor Cristian Arpini Leão, Rio Grande está vivendo um novo momento no que se refere ao mercado imobiliário. “A procura de imóveis para alugar realmente caiu, mas a venda de imóveis cresceu. Os valores dos aluguéis estão caindo, estão ficando mais dentro da realidade e quem está sendo beneficiado com isso é a comunidade local”, revelou Leão.  
Descendente de uma família que está há 30 anos no mercado imobiliário local, Leão avalia que, a partir de abril de 2014, com a vinda de uma nova plataforma para o Polo Naval, a parte de venda de imóveis deve melhorar ainda mais. “Com o preço que estão os aluguéis, as pessoas estão preferindo investir na compra. Estão surgindo novos bairros, com o incentivo da Prefeitura, o que acaba refletindo na melhora da infraestrutura da cidade. A grande tendência é o surgimento de novos bairros na direção do Cassino”, ressalta o corretor.  
O corretor está abrindo uma nova imobiliária e disse que a cidade também está passando por um novo momento, e que a tendência é que haja mais preocupação com as questões de urbanismo da cidade. 
O também corretor, Érico Antônio Strasburg, da Strasburg Empreendimentos Imobiliários (SEI), disse que a demanda na procura de imóveis diminuiu e que os valores dos aluguéis tiveram uma queda de 20 a 30%, mas que ainda se mantém num valor interessante para os proprietários. Na avaliação de Strasburg, o mercado de venda de imóveis está em alta, mas, ainda é representado em cerca de 85% pelo consumidor local. Ao falar no aquecimento na venda de imóveis, o proprietário da SEI cita como exemplo a venda dos apartamentos do condomínio Jockey Club Master, onde já foram vendidos todos os 200 apartamentos, e ainda há uma lista de espera de pessoas interessadas na compra.  
“O Polo Naval ainda não impactou na venda de imóveis. A expectativa é que na nova fase do Polo Naval, venham mais famílias, e que as pessoas que tenham condições, adquiram imóveis. Acho que a vinda do consórcio japonês que comprou 30% da Ecovix, vai representar uma passagem de qualificação para a cidade”, acredita Strasburg.  
Apostando nessa nova fase, a Strasburg Empreendimentos Imobiliários (SEI) tem investido na construção de novos bairros, entre eles o Aquário, na ERS -734, ao lado de onde será construído o Parque Shopping, com 240 terrenos, na sua 1ª fase, além de um loteamento para a construção de prédios com um total de 2.600 apartamentos de dois dormitórios.  
 
Eduarda Toralles
 
Publicado no jornal Agora no dia 28/10/2013
 

Do Cassino ao Hermenegildo, 220 quilômetros a pé pela praia

“Amizade, dor e aprendizado”. Com essas três palavras, o servidor público Maurício Cunha, de 42 anos, definiu a aventura que ele e o amigo, Cássius Rocha de Oliveira, também de 42 anos - professor na área de Economia da Furg - enfrentaram durante dez dias de caminhada pela praia entre o Cassino e a praia do Hermenegildo, em Santa Vitória do Palmar.
Foram 220 quilômetros a pé, percorridos de 3 a 13 de outubro deste ano. “Nosso principal incentivo para fazer isso é nossa amizade de mais de 20 anos. Sempre sonhamos em fazer a conexão pela praia entre a casa do meu pai, no Cassino, e a do pai do Cássius, em Hermenegildo”, contou o rio-grandino Maurício.  
Para enfrentar a caminhada  e num lugar deserto, onde não há nenhum ponto de apoio, a dupla idealizou um carrinho de alumínio, que era puxado pelos dois, onde levam água, alimentação e outros pertences. “O carrinho foi planejado, primeiro fizemos a lista de tudo que precisaríamos levar e depois planejamos o carrinho, que batizamos de Cavia (Carro para vias alternativas), em alusão a uma espécie de roedor que vive nas dunas”, explica Cunha.  
 “Não somos atletas, fizemos uma pequena preparação física antes da viagem. Nosso objetivo não era um desafio físico, mas para colher o máximo de informações sobre essa região”, contou Cássius, ao revelar que um dos objetivos da aventura foi colher o máximo de informações sobre a região para alimentar projetos de pesquisa, informou o professor da Furg, que tem estudos na área de Economia Ambiental.  
Ao serem questionados sobre qual o principal desafio, os amigos são unânimes: “A grande dificuldade é enfrentar a própria cabeça”. De acordo com os aventureiros, os 100 primeiros quilômetros da viagem foram turísticos, a partir daí, a dor nos pés e o cansaço foram os grandes desafios.  
A dupla caminhava de quatro a seis horas por dia e dormiam em barracas. “Conseguimos fotografar dez barcos encalhados e vimos muitos animais. Teve um falcão que nos seguiu por quatro dias”, contou Maurício, destacando ainda que a região é completamente deserta, sem cidades, vilarejos, pessoas. O celular não funciona. “Só encontramos alguém no Farol do Albardão, onde dormimos uma noite”, complementou Cássius.  
“Tivemos momentos espirituais. Sem um incentivo, com certeza não teríamos conseguido”, avaliou Cássius ao lembrar-se de um momento em especial, quando o Maurício estava bastante cansado e com muitas dores nos pés e havia pedido para parar, dizendo que não conseguia mais andar. “Aí apontei um local onde havia uma boia para sentarmos, quando olhamos para o horizonte, enxergamos três bolotas, o barco três negrinhos, que meu pai tanto falava. Naquele momento, a felicidade foi tanta, que até esquecemos a dor. A felicidade cura a dor”, constatou Maurício.  
A 30 quilômetros da chegada, o pai de Cássius foi ao encontro dos aventureiros de jipe. “Ele nos convidou para concluir o trajeto no carro, colocamos o carrinho no jipe e nunca vou me esquecer do que o Maurício disse nesse momento: Se eu subir nesse carro, não vou ter coragem de olhar para o meu filho. E decidimos continuar a pé”, contou Cássius. A dupla teve todo o apoio dos familiares para realizar o sonho.  
Da aventura, a dupla disse que tira como experiência uma nova visão em relação ao mundo. “Passei a valorizar muitas coisas que antes não dava tanto valor, coisas simples mesmo”, concluiu Maurício com o aval de Cássius. 

Por Eduarda Toralles
eduarda@jornalagora.com.br

Publicado no jornal Agora - 31/10/2013

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Sapateiro, um ofício em extinção

Uma profissão que existe há anos, mas que ultimamente está em extinção. Em homenagem ao Dia do Sapateiro, a equipe do jornal Agora saiu atrás de um profissional para que contasse um pouco de sua história. Em Rio Grande, existe hoje apenas poucos sapateiros na ativa. Em homenagem também ao mês dos idosos, decidimos contar a história de seu Pedro Pereira, de 87 anos, que desenvolve o mesmo ofício e no mesmo endereço (rua Marechal Deodoro, 510 - Cidade Nova) há 60 anos.
 “Quando eu era guri, meu pai, que era ferroviário, disse que nós tínhamos que ter uma profissão. Eu escolhi ser sapateiro, meu irmão escolheu ser alfaiate. São profissões que hoje estão em extinção, mas como sapateiro, me mantive durante todos esses anos. Casei, criei meus filhos e me aposentei. Decidi continuar trabalhando porque não gosto de ficar parado”, contou seu Pedro, enquanto reparava o saltinho de uma sandália.
Mesmo aposentado, seu Pedro decidiu manter aberta a Renovadora de Sapatos, e não deixa o conserto de sapatos e bolsas, ofício com o qual ganhou o sustento da família, mas lamenta: “hoje em dia não tenho muitos sapatos para reparar, a maioria das pessoas anda de tênis, até eu ando de tênis”, falou o sapateiro. Do ofício de sapateiro ele fala com carinho ao mostrar o molde de madeira e o pé de ferro com os quais costumava fabricar sapatos. “O pé de ferro ainda uso, mas o molde não uso mais. Eu fabricava sapatos também. O pessoal vinha aqui. Eu cortava e costurava. Hoje em dia, não tem mais isso. A máquina de costura está aí parada”, falou saudoso seu Pedro, lembrando ainda dos sapatos para as festas de 15 anos que costumava forrar. “As meninas vinham aqui com os sapatos e traziam um pedaço do tecido do vestido para que eu forrasse os sapatos. Hoje em dia não tem mais isso”, lamenta.
A costureira Eda Rodrigues Toralles, de 89 anos, é uma das antigas freguesas de seu Pedro. Quando questionada se conhecia algum sapateiro, dona Eda logo indicou seu Pedro. “Tem o sapateiro aqui da Linha Nova (nome pelo qual a rua é conhecida pelos mais antigos). Sempre levei meus sapatos para ele. Hoje levo os meus e dos meus sobrinhos. O serviço dele é muito bom e ele não é muito careiro”, diz dona Eda, que assim como seu Pedro, ainda está na ativa, apesar dos seus 90 anos.
O sapateiro revela que hoje em dia as coisas já vêm prontas. “Antes eu tinha que cortar a borracha para fazer os saltos. Hoje vem assim das fábricas, os saltinhos com um pego, é só colocar no lugar. Os tênis é só colar”, explicou.
Nestes 60 anos, seu Pedro ainda mantém o mesmo carinho e atenção com que sempre colou e coseu os sapatos que são deixados aos seus cuidados, mesmo que os sapatos não sejam mais os mesmos, como ele mesmo constatou. “Esse sapato está aqui para eu recuperar o solado, mas os saltos são desse jeito, todo furado, estou tendo que preencher os furos com pedacinhos de madeira para poder colar o solado”, concluiu.  

Por Eduarda Toralles
eduarda@jornalagora.com.br

Publicado no jornal Agora - 24/10/2013
http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=3&n=50499

RPPN Rio do Brasil: Mais que uma aventura na natureza, uma iniciativa de conservação ambiental

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