Uma profissão que existe há anos, mas que ultimamente está em extinção. Em homenagem ao Dia do Sapateiro, a equipe do jornal Agora saiu atrás de um profissional para que contasse um pouco de sua história. Em Rio Grande, existe hoje apenas poucos sapateiros na ativa. Em homenagem também ao mês dos idosos, decidimos contar a história de seu Pedro Pereira, de 87 anos, que desenvolve o mesmo ofício e no mesmo endereço (rua Marechal Deodoro, 510 - Cidade Nova) há 60 anos.
“Quando eu era guri, meu pai, que era ferroviário, disse que nós tínhamos que ter uma profissão. Eu escolhi ser sapateiro, meu irmão escolheu ser alfaiate. São profissões que hoje estão em extinção, mas como sapateiro, me mantive durante todos esses anos. Casei, criei meus filhos e me aposentei. Decidi continuar trabalhando porque não gosto de ficar parado”, contou seu Pedro, enquanto reparava o saltinho de uma sandália.
Mesmo aposentado, seu Pedro decidiu manter aberta a Renovadora de Sapatos, e não deixa o conserto de sapatos e bolsas, ofício com o qual ganhou o sustento da família, mas lamenta: “hoje em dia não tenho muitos sapatos para reparar, a maioria das pessoas anda de tênis, até eu ando de tênis”, falou o sapateiro. Do ofício de sapateiro ele fala com carinho ao mostrar o molde de madeira e o pé de ferro com os quais costumava fabricar sapatos. “O pé de ferro ainda uso, mas o molde não uso mais. Eu fabricava sapatos também. O pessoal vinha aqui. Eu cortava e costurava. Hoje em dia, não tem mais isso. A máquina de costura está aí parada”, falou saudoso seu Pedro, lembrando ainda dos sapatos para as festas de 15 anos que costumava forrar. “As meninas vinham aqui com os sapatos e traziam um pedaço do tecido do vestido para que eu forrasse os sapatos. Hoje em dia não tem mais isso”, lamenta.
A costureira Eda Rodrigues Toralles, de 89 anos, é uma das antigas freguesas de seu Pedro. Quando questionada se conhecia algum sapateiro, dona Eda logo indicou seu Pedro. “Tem o sapateiro aqui da Linha Nova (nome pelo qual a rua é conhecida pelos mais antigos). Sempre levei meus sapatos para ele. Hoje levo os meus e dos meus sobrinhos. O serviço dele é muito bom e ele não é muito careiro”, diz dona Eda, que assim como seu Pedro, ainda está na ativa, apesar dos seus 90 anos.
O sapateiro revela que hoje em dia as coisas já vêm prontas. “Antes eu tinha que cortar a borracha para fazer os saltos. Hoje vem assim das fábricas, os saltinhos com um pego, é só colocar no lugar. Os tênis é só colar”, explicou.
Nestes 60 anos, seu Pedro ainda mantém o mesmo carinho e atenção com que sempre colou e coseu os sapatos que são deixados aos seus cuidados, mesmo que os sapatos não sejam mais os mesmos, como ele mesmo constatou. “Esse sapato está aqui para eu recuperar o solado, mas os saltos são desse jeito, todo furado, estou tendo que preencher os furos com pedacinhos de madeira para poder colar o solado”, concluiu.
Por Eduarda Toralles
eduarda@jornalagora.com.br
Publicado no jornal Agora - 24/10/2013
http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=3&n=50499
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