sábado, 13 de junho de 2009

Esperança para bioma ameaçado: harpia solta há um ano na Mata Atlântica é fotografada por pesquisadores

Release produzido como Assessora da Veracel Celulose


Pesquisadores fotografaram um símbolo de esperança para a Mata Atlântica brasileira.
Solta há um ano, a primeira harpia adulta a ser monitorada via satélite no Brasil foi avistada pelos pesquisadores do Projeto Harpia na Mata Atlântica, no Parque Nacional Pau-Brasil (PARNA Pau-Brasil), em Porto Seguro (BA). Além de representar o sucesso de um sério trabalho de pesquisa, isso comprova que a biodiversidade da região comporta animais do topo da cadeia alimentar, como é o caso da harpia, considerada a maior ave de rapina das Américas, também conhecida como gavião-real.

De acordo com o pesquisador Gustavo Carvalho, da ONG SOS Falconiformes, a ave foi avistada na última quarta-feira, dentro do PARNA, local onde foi realizada sua soltura em maio de 2008. “Recebemos as coordenadas e entramos na mata na madrugada do dia 10. Depois de muita caminhada, conseguimos avistá-la pousada em uma árvore, por volta das 9 horas da manhã”, comemorou Carvalho.

O gavião-real vem sendo monitorado via satélite desde 15 de maio do ano passado, quando foi solto pelos pesquisadores do projeto, após passar 15 dias em avaliação.

Foto: SOS Falconiformes

De acordo com a pesquisadora Tânia Sanaiotti, do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA) e coordenadora do Projeto Harpia na Mata Atlântica, o avistamento demonstrou o sucesso do resgate e da soltura. A ave está em boas condições de saúde, o que mostra que está conseguindo sobreviver em seu hábitat.

Histórico
O que salvou esse exemplar da harpia, solto em maio de 2008, foi a iniciativa dos funcionários da Fazenda Aliança, em Itagimirim (BA), os irmãos João e Osvaldo Pereira dos Santos. Depois de encontrarem a ave caída no campo, a levaram a cavalo até a sede da fazenda e buscaram ajuda do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Após o resgate, os fiscais do IBAMA entraram em contato com a equipe da Estação Veracel, que, desde 2004, trabalha na reabilitação de outro exemplar de harpia, mantido em cativeiro há 12 anos. Com a orientação da equipe, o animal foi encaminhado ao Centro Médico Veterinário do Dr. Mário D’Ávila, em Eunápolis, para receber tratamento. Mais tarde, com a participação dos pesquisadores do Projeto Gavião-Real, foi possível avaliar o animal e planejar sua soltura.

Ela é o quinto indivíduo de vida livre a receber uma anilha do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação das Aves Silvestres (CEMAVE), e o segundo no Brasil (e o primeiro adulto) a receber um radiotransmissor equipado com GPS para rastreamento. Porém, foi o primeiro indivíduo a ser marcado e monitorado na Mata Atlântica — os demais estavam na Amazônia.

O “Projeto Harpia na Mata Atlântica” é um dos subprojetos do Programa de Conservação do Gavião-Real, também coordenado pela pesquisadora Tânia Sanaiotti, e teve início na Amazônia há dez anos. Seu objetivo principal é a conservação da espécie no Brasil.

De volta à natureza
Realizado no dia 15 de maio de 2008, o procedimento de devolução do animal à natureza durou cerca de uma hora. Para garantir o sucesso da soltura e os resultados do monitoramento, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), José Eduardo Mantovani, permaneceu monitorando a harpia nos primeiros dias pelas matas do Parque Nacional Pau-Brasil. “O indivíduo foi acompanhado por 15 dias, do amanhecer ao entardecer, para garantir que caçou em sua primeira semana em liberdade”, explicou Mantovani.

A ave será monitorada por satélites brasileiros por três anos, gerando informações sobre sua movimentação na floresta Atlântica e nos mosaicos formados por matas e plantações de eucalipto, além da distância de dispersão da espécie nessa região. Segundo Mantovani, os resultados do primeiro ano de monitoramento mostram que ela voou muito além do parque, usando uma área equivalente a duas vezes o tamanho do PARNA.

Para o pesquisador, este projeto tem grande importância, pois os resultados servirão como subsídios para futuros programas de manejo e conservação da espécie no bioma da Mata Atlântica.

Educação ambiental na comunidade
No dia 9, os 128 alunos da Escola Indígena da Aldeia de Coroa Vermelha comemoraram junto com a equipe do Projeto Harpia na Mata Atlântica um ano da soltura da primeira harpia. O evento teve como objetivo celebrar a soltura e, ao mesmo tempo, promover um programa de educação ambiental nas escolas rurais e indígenas do entorno da RPPN Estação Veracel e do Parque Nacional Pau-Brasil.

Foram realizados dois concursos: um para a escolha de um nome indígena para o gavião e outro para a criação de um slogan.

Katumbayá — que significa “mãe da mata” — foi o nome indígena escolhido pela comissão julgadora. Ele foi sugerido por Mateus Lira, do 5º ano da Escola Indígena de Aldeia Velha. “Já vi uma harpia lá na manga, próximo à mata aqui da aldeia. Ela é grande, bonita, parecendo uma águia. É a mãe das matas”, contou o pequeno índio Pataxó.

O menino Michel Santos Pereira, da Escola Municipal Tiradentes, distrito de Vale Verde, município de Porto Seguro, foi o autor do slogan vencedor:
“Katumbayá – Relíquia das florestas!”
A premiação foi realizada no dia 10, com um evento comemorativo em sua escola. Nessa etapa do concurso, participaram 143 slogans enviados por alunos das Escolas Municipais Tiradentes e Coqueiro Alto, do entorno do Parque Nacional Pau-Brasil.

Outra ave está pronta para retornar à natureza
Ao mesmo tempo em que comemoram os resultados de um ano de monitoramento, os pesquisadores se preparam para a soltura de outro exemplar de gavião-real, que será a primeira harpia do mundo a retornar à natureza após viver 12 anos em cativeiro.

A soltura está prevista para o mês de julho deste ano. A ave foi avaliada pelo pesquisador Roberto Azeredo, presidente da CRAX – Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre, que acredita que o animal está em condições de retornar à natureza.

A CRAX é uma fundação que trabalha na reprodução de aves da fauna, em especial da Mata Atlântica, para reintrodução no ambiente natural. Para Azeredo, as informações obtidas até agora com o projeto já justificam todo o processo. “Esta soltura, a primeira que tenho conhecimento na área de Mata Atlântica, dará respostas sobre a viabilidade de devolver ao habitat natural outros animais que tenham permanecido por muito tempo em cativeiro”, destacou.

Esse gavião-real vive em um cativeiro construído especialmente para ele na RPPN Estação Veracel desde 1997, quando foi entregue por fiscais do IBAMA após ser resgatado na região. Em 2004, outro gavião-real foi avistado na Estação e, em 2005, um ninho foi encontrado na mesma área. Isso motivou o interesse na soltura da ave ainda em cativeiro.

Dessa forma, surgiu o Projeto Harpia na Mata Atlântica, que é financiado pela Veracel Celulose S.A. e desenvolvido de forma integrada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), IBAMA, Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (ABFPAR), SOS Falconiformes, CRAX e RPPN Estação Veracel.


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Harpia está pronta para a soltura

Veracel Celulose – Release produzido em 16/04/2009

Está pronta para ser solta a primeira harpia do mundo a retornar à natureza depois de ter vivido durante anos em cativeiro. Também conhecida como gavião-real, um exemplar da maior ave de rapina das Américas vive, desde 1997, em um ambiente construído especialmente para ela na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, após ter sido resgatada na região por fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Esse projeto trará muitos subsídios para outros projetos ambientais.” Com essa afirmação, o pesquisador Roberto Azeredo, presidente da Crax – Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre, definiu a importância do Projeto Harpia na Mata Atlântica, na RPPN Estação Veracel. A Crax é uma fundação que atua na reprodução de aves da fauna, especialmente da Mata Atlântica, para reintrodução na natureza. Por isso, Azeredo foi convidado a conhecer de perto os resultados obtidos pela equipe do projeto e dar seu parecer sobre as condições de soltura da ave, mantida em cativeiro desde 1997. O pesquisador se surpreendeu com a magnitude do trabalho realizado.

Para Azeredo, as informações obtidas até o momento já justificam todo o processo. “Esta soltura, a primeira de que tenho conhecimento na área de Mata Atlântica, dará respostas sobre a viabilidade de devolver ao habitat natural outros animais que tenham permanecido por muito tempo em cativeiro”, destacou.

O gavião-real vive em um recinto construído especialmente para ele na RPPN desde que foi entregue por fiscais do Ibama, após o resgate. Em 2004, outro gavião-real foi avistado na Estação, o que despertou o interesse em realizar a soltura da ave mantida em cativeiro. Assim surgiu o projeto, financiado pela Veracel Celulose S.A. e desenvolvido de forma integrada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ibama, Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (ABFPAR), SOS Falconiformes, Crax e RPPN Estação Veracel.

Roberto Azeredo esteve na RPPN no dia 25 de março, a convite dos pesquisadores do projeto, com o objetivo de avaliar as condições da harpia que está sendo reabilitada para a soltura. “Nada do que vi aqui merece crítica. Esta ave pode ser solta na natureza a qualquer momento”, avaliou. A previsão é que a soltura ocorra em junho deste ano. Esta será a segunda harpia adulta a ser monitorada via satélite no Brasil. A primeira também faz parte do Projeto Harpia na Mata Atlântica e vem sendo monitorada desde maio de 2008, dentro da área do Parque Nacional Pau-Brasil, em Porto Seguro.

RPPN – A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel foi criada há dez anos. São 6.069 hectares de mata nativa preservada, entre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro. A área foi reconhecida pelo Ibama como RPPN, ou seja, uma área particular perpetuada com o objetivo de conservar a biodiversidade e promover a educação ambiental.

Além de ser uma das maiores reservas particulares de Mata Atlântica do Brasil, segundo o Governo Federal, a Estação Veracel foi considerada pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC – Forest Stewardship Council) como uma área de alto valor de conservação, por abrigar uma expressiva reserva de Mata Atlântica, com proteção a fontes de água e por ser habitat de diversas espécies de animais e vegetais endêmicos e/ou ameaçados de extinção. Todas essas características também garantiram à RPPN Estação Veracel o reconhecimento como Sítio do Patrimônio Mundial Natural, conferido pela Unesco.

Até o momento, já foram catalogadas na Estação Veracel 445 espécies de vertebrados, das quais 37 estão ameaçadas de extinção e 54 são endêmicas da Mata Atlântica do sul da Bahia. Na área, já foram avistados grandes mamíferos como onça, jaguatirica, veado-mateiro e anta. Entre as aves, destacam-se a harpia, o macuco, o beija-flor balança-rabo-canela e o papagaio-chauá, espécie ameaçada de extinção.

A diversidade arbórea também é significativa na Estação, que se destaca entre as 20 áreas com maior diversidade de espécies de árvores do mundo. São 308 espécies, incluindo exemplares centenários de pau-brasil, jacarandá, pequi-preto e jatobá.

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Por: Maria Eduarda Toralles - Casulo Comunicação 25/05/2022 - Para o site O Xarope Desde junho de 2021, há exato um ano, a Reserva Partic...