sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008


EUNÁPOLIS - Uma reportagem da Sucursal Extremo Sul do A TARDE, feita especialmente para O GLOBO, ganhou destaque na primeira página do jornal carioca, em sua edição deste domingo (24).

Com texto da jornalista Maria Eduarda Toralles e foto do repórter fotográfico Joa Souza, a notícia é sobre a adesão dos índios Pataxós da Reserva da Jaqueira, no município de Porto Seguro, à modernidade do cartão de crédito.

Os turistas que procuram a aldeia para comprar artesanato ficam surpresos com a possibilidade de pagar a conta com cartão de crédito. Implantado há cerca de um mês, o dinheiro de plástico impulsionou as vendas em 50%, destaca a matéria.
As 32 famílias, cerca de 70 indígenas que vivem na Reserva da Jaqueira, sobrevivem com a venda de artesanato, produzido com sementes e coco e confeccionado pelos próprios índios. Outra fonte de renda é o valor de ingresso de entrada na reserva, onde os visitantes podem vivenciar um pouco da cultura pataxó.

O único inconveniente em operar as maquininhas é que na Jaqueira não tem energia elétrica. Isso obriga os índios a levarem o equipamento para carregar as suas baterias na parte mais urbanizada da aldeia, em Coroa Vermelha. A conexão telefônica das maquinas de cartão é feita através de celular, cujo sinal chega à reserva da Jaqueira sem problemas.
Site Radar 64 (www.radar64.com) - 24/02/08

Nova apreensão de animais silvestres no extremo sul da Bahia

Durante uma operação de combate ao crime, realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na noite da última quinta-feira, 28, foram apreendidos, em Eunápolis (a 640 quilômetros de Salvador), 19 filhotes de papagaio, cinco maritás (periquitos) e um filhote de arara.

As aves estavam sendo transportadas em caixas de papelão no veículo Fiat Strada, de placa JQW-7536, com restrição de roubo desde o dia 8 de dezembro de 2007. Foram detidos em flagrante e encaminhados à Delegacia de Eunápolis Edilmar Lima Novaes, de 30 anos, e sua mãe, Josefa Lima Novaes, de 68 anos. Edilmar já havia respondido à Justiça por crime ambiental, à época também por transportar animais ameaçados de extinção.

De acordo com o chefe de policiamento da PRF, Cláudio Santos, os acusados revelaram que saíram de Feira de Santana, compraram os filhotes em São João do Paraíso (município de Mascote) e seguiam para o povoado de Monte Pascoal (município de Itabela) para adquirir mais aves.

Edilmar revelou à equipe de reportagem da sucursal de Eunápolis do jornal A Tarde que as aves apreendidas seriam comercializadas em feiras livres, por valores entre R$ 100 e R$ 150 cada. Segundo ele, os filhotes haviam sido comprados por R$ 25,00 cada.

No último dia 25 (segunda-feira), patrulheiros da PRF já haviam apreendido 60 filhotes de papagaios, 45 canários e um quati, no km 593 da BR-101, próximo ao município de Camacã. As aves também estavam acondicionadas em caixas de papelão e em gaiolas, dentro do Ford Fiesta, placa KHL-8375, conduzido por José Antônio da Silva. Ele e os passageiros Jorge José da Silva, Ednei Dias de Souza e Edjailson Antônio da Silva foram presos em flagrante por tráfico de animais silvestres e encaminhados à Delegacia de Camacã.

O tráfico de animais silvestres é comum no extremo sul do estado, onde ainda sobrevivem os maiores remanescentes de Mata Atlântica. É frequente ver animais sendo oferecidos por vendedores às margens da BR-101, especialmente papagaios. Segundo a analista ambiental do Ibama de Eunápolis, Lígia Ilg, o aumento das apreensões de filhotes se deve ao final do período de desova das aves.

A Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, prevê apreensão da carga, multa e detenção para quem for pego com animais silvestres. A multa é de R$ 500,00 por animal apreendido, podendo chegar a R$ 5 mil se a espécie estiver ameaçada de extinção.

Além do crime ambiental, o tráfico de animais silvestres pode representar riscos à saúde pública, pois os animais comercializados ilegalmente não passam por nenhum tipo de controle sanitário, podendo transmitir doenças graves a animais domésticos e a seres humanos, alerta a analista do Ibama.

As aves apreendidas pela PRF foram encaminhadas ao escritório do Ibama em Eunápolis, onde receberam os primeiros cuidados dos fiscais. Muitas não resistiram e acabaram morrendo. Os animais sobreviventes serão posteriormente enviados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Vitória da Conquista, onde, após avaliação, poderão ser reintroduzidos ao habitat.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Índios aderem aos cartões


Quem procura a Reserva Indígena da Jaqueira, na região de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, para comprar artesanato, costuma se surpreender com a possibilidade de pagar a conta com cartão de crédito. Implantado há cerca de um mês, o uso do “dinheiro de plástico” para pagamento da entrada na reserva e na compra de artesanatos impulsionou as vendas dos produtos da aldeia, onde vivem hoje 32 famílias de pataxós, cerca de 70 indígenas.

“Mas vocês, com Visa?”, costumam reagir os turistas, conforme relata o índio pataxó Juraci, vice-presidente da Associação Pataxó de Ecoturismo. “Com o cartão de crédito, nossas vendas aumentaram em 50%. Outro dia mesmo veio um turista e separou um monte de artesanato, só levou porque aceitávamos cartão. Normalmente, eles levariam uma só peça, pois andam com pouco dinheiro no bolso”, conta a índia Mitynawã (que, na língua pataxó, significa “muitas frutas”).

SURPRESA

Retornando mais uma vez à Reserva da Jaqueira, a turista Tânia Mara Scavello diz ter se surpreendido já na entrada, ao ver a placa indicativa de aceitação do cartão de crédito. “Há tantos lugares que não aceitam, e eles aqui já estão se modernizando”, comenta.

Tânia foi à reserva com o marido, o italiano Mário Scavello, para levar um casal de amigos. Mário já mora em Porto Seguro há alguns anos e avaliou como positiva a implantação do sistema de pagamento por crédito na aldeia. “Eles já sobrevivem da tradição deles, está certo desfrutarem um pouco da tecnologia para ganharem algum dinheiro”, aponta.

Para o casal de turistas paulistas Fabrício Lisboa e Camila Rodrigues, que visitavam a reserva indígena pela primeira vez, a nova alternativa de pagamento também foi uma surpresa. “Fiquei surpresa pelo fato de estar numa aldeia indígena e ter esse privilégio de poder contar com a modernização”, diz Camila.

CULTURA

As 32 famílias que vivem na Reserva da Jaqueira sobrevivem com a venda de artesanato, produzido com sementes e coco, confeccionado pelos próprios índios. Outra fonte de renda é o valor do ingresso de entrada na reserva, onde os visitantes podem vivenciar um pouco da cultura pataxó, assistindo a danças, fazendo trilhas pela mata e provando comidas típicas, como o Mucusui (peixe preparado na folha de patioba). O ingresso custa R$ 35 por pessoa, e o preço das peças de artesanato varia de R$ 5 a R$ 15.

Em média, 20 turistas visitam a reserva por dia durante a alta estação, sendo 80% deles brasileiros. Mitynawã revela que o dinheiro arrecadado é depositado em uma agência bancária. No final do mês, após o pagamento das despesas da aldeia e uma colaboração com a escola indígena de Coroa Vermelha (onde estudam as crianças da reserva), o valor restante é dividido entre as famílias que vivem na Jaqueira.

“Não somos assalariados, aqui todo mundo trabalha como voluntário. A venda do artesanato é uma alternativa de sobrevivência, pois não caçamos mais, e a implantação do cartão de crédito está colaborando para o aumento da renda da nossa comunidade”, comemora a índia.

O único inconveniente em operar as maquininhas é a falta de energia elétrica na Jaqueira. Isso obriga os índios a levarem os equipamentos para carregar as baterias na parte mais urbanizada da aldeia, em Coroa Vermelha, onde há fornecimento de energia. A conexão das máquinas de cartão é feita por meio de celular, cujo sinal chega à Reserva da Jaqueira sem problemas.


O GLOBO E A TARDE - CADERNO DE ECONOMIA - 24/02/2008


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O caminhar de uma lutadora

A menina Talita dos Santos Viana, de 8 anos, deu, há pouco mais de um mês, seus primeiros passos. Agora, com um sorriso no rosto, faz questão de mostrar sua sala de treinamento: o berçário da Casa Vó Jurema, em Arraial d’Ajuda, a 707 quilômetros de Salvador. “Minha brincadeira preferida é caminhar no berço dos pequenos”, diz. Sua história de vida é um exemplo de luta e aprendizado para todos.

Quando tinha apenas 9 meses de vida, em 2000, Talita sofreu graves queimaduras. Ela estava no barraco onde os pais moravam, sob os “cuidados” das duas irmãs mais velhas — uma de 3 anos e outra de 1 ano e meio.

Sua chupeta caiu no chão, e a irmã mais velha foi pegá-la. Ao devolver a chupeta para Talita, que dormia em um colchão colocado no chão, a menina derrubou uma vela acesa. As chamas atingiram o mosquiteiro e o colchão onde Talita estava. Ela teve 90% do corpo queimado.

AJUDA

Em 2002, o pai de Talita foi pedir ajuda a Jurema Leopoldina Bacichet, proprietária da Casa Vó Jurema, que decidiu adotar a menina. Talita passou a morar na creche e, nesses 8 anos de vida, já enfrentou 20 cirurgias para reconstituição dos órgãos queimados. Ficou um ano e dois meses em coma por causa de uma dessas cirurgias e teve que amputar as pernas (o que restou delas).

Com muito esforço, os médicos conseguiram recuperar os braços, mas a menina não tem as mãos. As cirurgias — feitas pela equipe do renomado cirurgião plástico Ivo Pitanguy — e o atendimento hospitalar são gratuitos, mas as despesas com transporte e hospedagem no Rio de Janeiro são custeadas pela instituição, que sobrevive de doações.

Talita não se adaptou às primeiras próteses de pernas, colocadas em uma clínica do Rio de Janeiro. No início deste ano, com os custos pagos por uma empresária de Arraial d’Ajuda (que prefere não se identificar), a menina foi levada ao Instituto de Prótese e Órtese (IPO), em Campinas, onde fez uma nova tentativa de adaptação. Desde o último dia 27, quando retornou à creche, Talita tem sido incansável nos treinos com as novas próteses.

Ela vai ao berçário e passa o dia caminhando entre os berços, que têm sido seu ponto de apoio.

ESPERANÇA

Talita faz questão de mostrar que já consegue sentar sozinha e cruzar as pernas.

O humor e a fisionomia da menina mudaram depois que passou a dar os primeiros passos. Há nove meses, a equipe da sucursal de Eunápolis do jornal A TARDE esteve na creche para fazer uma matéria sobre Vó Jurema. À época, Talita era uma menina acanhada e não demonstrava suas emoções. Agora, com um sorriso no rosto — marcado pelas queimaduras —, ela convidou a repórter e o fotógrafo a acompanhá-la até o refeitório.

No corredor, parou, soltou as mãos da cadeira de rodas que lhe servia de apoio e abriu os braços: “Tio, eu quero uma foto assim!”. Agora, seu sonho é começar a correr para brincar com os amigos da creche, onde cursa a primeira série.

Para quem quiser conhecer mais sobre o trabalho da Casa Vó Jurema, há o site www.casavojurema.com.br, onde estão disponíveis os contatos para doações.


A Tarde - 11/02/2008


RPPN Rio do Brasil: Mais que uma aventura na natureza, uma iniciativa de conservação ambiental

Por: Maria Eduarda Toralles - Casulo Comunicação 25/05/2022 - Para o site O Xarope Desde junho de 2021, há exato um ano, a Reserva Partic...