sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Nova apreensão de animais silvestres no extremo sul da Bahia

Durante uma operação de combate ao crime, realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na noite da última quinta-feira, 28, foram apreendidos, em Eunápolis (a 640 quilômetros de Salvador), 19 filhotes de papagaio, cinco maritás (periquitos) e um filhote de arara.

As aves estavam sendo transportadas em caixas de papelão no veículo Fiat Strada, de placa JQW-7536, com restrição de roubo desde o dia 8 de dezembro de 2007. Foram detidos em flagrante e encaminhados à Delegacia de Eunápolis Edilmar Lima Novaes, de 30 anos, e sua mãe, Josefa Lima Novaes, de 68 anos. Edilmar já havia respondido à Justiça por crime ambiental, à época também por transportar animais ameaçados de extinção.

De acordo com o chefe de policiamento da PRF, Cláudio Santos, os acusados revelaram que saíram de Feira de Santana, compraram os filhotes em São João do Paraíso (município de Mascote) e seguiam para o povoado de Monte Pascoal (município de Itabela) para adquirir mais aves.

Edilmar revelou à equipe de reportagem da sucursal de Eunápolis do jornal A Tarde que as aves apreendidas seriam comercializadas em feiras livres, por valores entre R$ 100 e R$ 150 cada. Segundo ele, os filhotes haviam sido comprados por R$ 25,00 cada.

No último dia 25 (segunda-feira), patrulheiros da PRF já haviam apreendido 60 filhotes de papagaios, 45 canários e um quati, no km 593 da BR-101, próximo ao município de Camacã. As aves também estavam acondicionadas em caixas de papelão e em gaiolas, dentro do Ford Fiesta, placa KHL-8375, conduzido por José Antônio da Silva. Ele e os passageiros Jorge José da Silva, Ednei Dias de Souza e Edjailson Antônio da Silva foram presos em flagrante por tráfico de animais silvestres e encaminhados à Delegacia de Camacã.

O tráfico de animais silvestres é comum no extremo sul do estado, onde ainda sobrevivem os maiores remanescentes de Mata Atlântica. É frequente ver animais sendo oferecidos por vendedores às margens da BR-101, especialmente papagaios. Segundo a analista ambiental do Ibama de Eunápolis, Lígia Ilg, o aumento das apreensões de filhotes se deve ao final do período de desova das aves.

A Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, prevê apreensão da carga, multa e detenção para quem for pego com animais silvestres. A multa é de R$ 500,00 por animal apreendido, podendo chegar a R$ 5 mil se a espécie estiver ameaçada de extinção.

Além do crime ambiental, o tráfico de animais silvestres pode representar riscos à saúde pública, pois os animais comercializados ilegalmente não passam por nenhum tipo de controle sanitário, podendo transmitir doenças graves a animais domésticos e a seres humanos, alerta a analista do Ibama.

As aves apreendidas pela PRF foram encaminhadas ao escritório do Ibama em Eunápolis, onde receberam os primeiros cuidados dos fiscais. Muitas não resistiram e acabaram morrendo. Os animais sobreviventes serão posteriormente enviados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Vitória da Conquista, onde, após avaliação, poderão ser reintroduzidos ao habitat.

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