
Durante uma operação de combate ao crime, realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na noite da última quinta-feira, 28, foram apreendidos, em Eunápolis (a 640 quilômetros de Salvador), 19 filhotes de papagaio, cinco maritás (periquitos) e um filhote de arara.
As aves estavam sendo transportadas em caixas de papelão no veículo Fiat Strada, de placa JQW-7536, com restrição de roubo desde o dia 8 de dezembro de 2007. Foram detidos em flagrante e encaminhados à Delegacia de Eunápolis Edilmar Lima Novaes, de 30 anos, e sua mãe, Josefa Lima Novaes, de 68 anos. Edilmar já havia respondido à Justiça por crime ambiental, à época também por transportar animais ameaçados de extinção.
De acordo com o chefe de policiamento da PRF, Cláudio Santos, os acusados revelaram que saíram de Feira de Santana, compraram os filhotes em São João do Paraíso (município de Mascote) e seguiam para o povoado de Monte Pascoal (município de Itabela) para adquirir mais aves.
Edilmar revelou à equipe de reportagem da sucursal de Eunápolis do jornal A Tarde que as aves apreendidas seriam comercializadas em feiras livres, por valores entre R$ 100 e R$ 150 cada. Segundo ele, os filhotes haviam sido comprados por R$ 25,00 cada.
No último dia 25 (segunda-feira), patrulheiros da PRF já haviam apreendido 60 filhotes de papagaios, 45 canários e um quati, no km 593 da BR-101, próximo ao município de Camacã. As aves também estavam acondicionadas em caixas de papelão e em gaiolas, dentro do Ford Fiesta, placa KHL-8375, conduzido por José Antônio da Silva. Ele e os passageiros Jorge José da Silva, Ednei Dias de Souza e Edjailson Antônio da Silva foram presos em flagrante por tráfico de animais silvestres e encaminhados à Delegacia de Camacã.
O tráfico de animais silvestres é comum no extremo sul do estado, onde ainda sobrevivem os maiores remanescentes de Mata Atlântica. É frequente ver animais sendo oferecidos por vendedores às margens da BR-101, especialmente papagaios. Segundo a analista ambiental do Ibama de Eunápolis, Lígia Ilg, o aumento das apreensões de filhotes se deve ao final do período de desova das aves.
A Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, prevê apreensão da carga, multa e detenção para quem for pego com animais silvestres. A multa é de R$ 500,00 por animal apreendido, podendo chegar a R$ 5 mil se a espécie estiver ameaçada de extinção.
Além do crime ambiental, o tráfico de animais silvestres pode representar riscos à saúde pública, pois os animais comercializados ilegalmente não passam por nenhum tipo de controle sanitário, podendo transmitir doenças graves a animais domésticos e a seres humanos, alerta a analista do Ibama.
As aves apreendidas pela PRF foram encaminhadas ao escritório do Ibama em Eunápolis, onde receberam os primeiros cuidados dos fiscais. Muitas não resistiram e acabaram morrendo. Os animais sobreviventes serão posteriormente enviados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Vitória da Conquista, onde, após avaliação, poderão ser reintroduzidos ao habitat.
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