terça-feira, 25 de agosto de 2015

Churros do "Tio Vovô", uma delícia que é quase um patrimônio histórico

Impossível não se lambuzar todo, feito criança, ao comer o churros bem recheado com doce de leite ou chocolate do "Tio Vovô", no Calçadão. Há 40 anos, "Tio Vovô" Luiz Carlos Cougo vende churros no mesmo lugar. “Estou ali desde a época da antiga loja Germano, no lugar da Renner. Sou da época do Cine Carlos Gomes e do Cine Glória”, recorda seu Luiz.

Quem nunca trocou uma passagem de ônibus, que ganhava dos pais para ir à escola, por um churros do Tio Vovô? “Eu ia a pé para casa, mas todos os dias precisava comer um churros. Acho que não engordei porque comia o churros e tinha que caminhar até em casa”, lembra com alegria o fotógrafo Leandro Carvalho. Hoje em dia, seu Luiz não troca mais o churros por uma passagem.

“Desde que me entendo por gente, como churros aqui. Sempre que venho ao centro, tenho que passar e comer um”, disse Anderson Ávila. Encostado na parede, ouvindo a conversa, o novo freguês Gilson Adriano completa: “Estou em Rio Grande há 10 dias. Meu primo, lá de Belo Horizonte (MG), disse que quando eu chegasse aqui, precisava vir comer esse churros. E é realmente bom”, afirmou Gilson.

“Não sei por quê, mas o churros daqui é realmente mais gostoso”, emendou o casal Mateus e Giliane. Eles contaram que conheceram o churros do “Tio Vovô” quando moravam em Rio Grande. “Atualmente, estamos morando em Porto Alegre, mas sempre que voltamos para Rio Grande, damos uma passadinha para comer um churros.”

Seu Luiz, o “Tio Vovô”, conta que há 40 anos, quando decidiu vender churros, não teve muito apoio da esposa. “Nos quatro primeiros meses, tive que colocar dinheiro do bolso. Minha esposa pediu que eu desistisse, mas aguentei firme. Hoje, o que ganho aqui dá para sustentar minha família”, conta com alegria o insistente sonhador.

Atualmente, seu Luiz vende de 100 a 150 churros por dia durante o verão, mas o forte das vendas é no inverno, quando chega a vender mais de 300 por dia. “Minha primeira máquina comprei em Caxias do Sul. Liguei e o rapaz disse que me mandava a máquina, mas eu disse que queria ir até lá para aprender a receita — e foi isso que fiz”, recorda o "Tio Vovô".

Com a receita básica, seu Luiz foi aperfeiçoando a massa até chegar ao churros mais crocante, que agrada a todos que frequentam sua carrocinha. “O meu churros é maior, mais crocante e bem recheado”, diz com orgulho.

Além de inovar na massa, seu Luiz diversificou também nos sabores. Ele vende o tradicional churros de doce de leite e também o de chocolate. E, se o freguês quiser, pode pedir um churros misto, com os dois recheios. “Temos também coberturas de flocos, coco e amendoim”, ressalta.

Nestes 40 anos de calçadão, o que não falta são fregueses e histórias para seu Luiz contar. “Outro dia, uns chineses encostaram na carrocinha e ficaram olhando enquanto eu vendia churros. Fiz um e dei para um deles provar. Ele gostou e fez sinal dizendo ao amigo que era bom. Teve um baiano que me encomendou 20 para levar para a esposa, que estava grávida, lá em Pernambuco. Achei que era brincadeira, mas no outro dia ele veio buscar mesmo”, relatou.

A receita do famoso churros, seu Luiz não revela toda. Diz apenas que a massa básica leva água, sal, margarina e gotas de baunilha. “É só colocar no fogo, mexendo sempre. Quando a massa começar a soltar do fundo da panela, está no ponto”, concluiu.


Publicado em 11/01/2015 no Jornal Agora


http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=3&n=67904

Uma receita para adoçar a ceia da virada de ano

O “As delícias que o Município nos reserva” desta semana traz uma receita de família para adoçar ainda mais a mesa da ceia da virada do ano. Nossa personagem Maria Antonia Arrieche da Rosa nasceu no interior do Rio Grande, no Taim, mas com 11 anos veio para a sede do Município para continuar seus estudos.
Em Rio Grande, Maria Antonia veio morar com uma tia, Albertina Arrieche, que ela chama carinhosamente de tia Tita. “Morei com a tia Tita dos 11 aos 15 anos. Ela me ensinou tudo que sei de receitas de doces. A de arroz de leite foi minha mãe que me ensinou, mas as demais aprendi todas com a tia Tita”, conta Maria Antonia.
Nossa personagem diz que sua tia fazia muitas sobremesas deliciosas como sagu, arroz de pêssego, sonhos e, a nossa receita dessa semana, ovos nevados. “Aos domingos, ela sempre fazia sonhos, esses pequenos, sem recheio. E todos os natais e viradas de ano que passei com ela, sempre tinha os ovos nevados na ceia”, lembra com carinho Maria Antonia, complementando que, além de cozinhar, a tia Tita a ensinou a costurar e “coisas de salão de beleza”.
Após sair da casa da tia, já com 15 anos de idade, Maria Antonia viveu muitas aventuras. Histórias que vão sendo contadas enquanto prepara os ovos nevados, mas sempre retorna com carinho aos momentos vividos e aos aprendizados deixados pela tia Tita. Hoje Maria Antonia, sempre que tem a oportunidade ensina para as filhas tudo que aprendeu com a sua tia e prepara as deliciosas receitas.

Ovos nevados
Ingredientes
- 8 ovos
- 1 litro de leite
- 16 colheres de açúcar
- casca de meia laranja (algumas para enfeitar o prato, o restante para colocar no leite)
- 10 cravos da índia
- 1 pau de canela
Como fazer
1º - Bater as claras em neve, quando já estiverem mais ou menos firmes, colocar 16 colheres de açúcar (2 colheres para cada clara). Bater até ficar bem firme e reservar.
2º – Colocar o leite para ferver com o cravo, a canela e as cascas de laranja. Depois que o leite ferver, baixar o fogo e, com uma colher, ir colocando a clara batida para cozinhar, formando os ovos nevados. Ir colocando e retirando as bolinhas que são formadas colocando-as num prato.
3º Depois que cozinhar toda a clara, retirar o cravo, a canela e as cascas de laranja do leite e acrescentar uma gemada (8 gemas e 8 colheres de açúcar – 1 colher para cada gema). Engrossar o leite restante com a gemada e derramar sobre os ovos nevados.
4º Concluir com canela em pó e decorar com cascas de laranja.
Publicado em 28/12/2014 no Jornal Agora

Uma produção artesanal de panetones

"Sempre gostei de cozinhar. A primeira memória que tenho de mim na cozinha é com minha vó fazendo pães", diz a chef de cozinha Priscila Araújo. Priscila segue contando a sua primeira memória dizendo que a avó a incentivou. "Ela estava fazendo pão e me deu um pouco da massa. Eu sovei, sovei e fiz uns bonequinhos. Sovei tanto que a massa ficou preta, mas minha avó assou assim mesmo", lembra ela, dizendo que começou a cozinhar ainda muito pequena.

Priscila é a personagem do "As delícias que o Município nos reserva" de hoje. Além dos pães e cucas, a chef de cozinha se aperfeiçou na produção de panetones, que ela chama de 'Pane di Toni", mas essa história vamos conhecer ao longo do texto.

Há dois anos, Priscila começou a trabalhar profissionalmente como cozinheira. "A primeira vez que entrei numa cozinha industrial deu uma batidinha diferente no coração, e tive certeza que era aquilo que eu queria", destaca a chef de cozinha, lembrando que, na época, seus amigos chegaram a questionar se ela aguentaria o "forno" que é trabalhar numa cozinha. "Mas é realmente o que eu gosto", salientou.

Este ano, além de trabalhar como cozinheira profissional, Priscila, que é formada em Artes, decidiu que estava na hora de abrir seu próprio negócio. Assim surgiu a "Eu que fiz", uma produção caseira de cucas, pães e panetones. Aliando a sua paixão pela cozinha com a sua formação universitária, além de produzir pães, ela faz embalagens artísticas que agregam mais beleza e delicadeza à sua deliciosa produção artesanal.

Priscila conta que iniciou a sua produção com a receita de uma cuca alemã, que era de sua avó. "Decidi aprimorar e encontrei uma receita de cuca alemã de um padeiro de São Paulo, que ficou ótima", conta Priscila, que depois começou a pesquisar também receitas de pães. Ela dividiu com a equipe do jornal Agora a receita de cuca da sua avó.

A chef começou a comercializar sua produção entre amigos e, com a divulgação boca a boca, acabou sendo descoberta por um armazém especializado em produtos caseiros. "Eles gostaram do produto e das embalagens e passaram a solicitar pães diversificados". Para atender a demanda, Priscila pesquisou receitas de pães sem glúten e sem lactose, e passou a produzi-los também.

Com a chegada das festas de final de ano, nada mais natural que ela também começasse a produzir panetones artesanais, e lá foi Priscila pesquisar receitas desse alimento tradicional da época de Natal. "Pesquisei um monte de receitas, acabei achando uma, mas tive que adaptá-la ao clima do Rio Grande", destacou a cuidadosa chef, explicando  ainda um dos cuidados que tem que tomar em relação à farinha, que faz muita diferença para quem trabalha com pães.

Além de pesquisar a receita, Priscila também quis saber o por quê do nome "Panetone", e entre as duas histórias que encontrou, escolheu a que tinha mais significado para essa época de festas de final de ano. "É a história de um padeiro que fazia esse tipo de pão artesanal para a filha, e passou a ser conhecido como Pane di Toni. Achei que era a história que tinha mais simbologia para essa época de Natal, que reúne as famílias", ressaltou ela, explicando o motivo dos seus panetones se chamarem "Pane di Toni".

A produção do Pane di Toni de Priscila tem em três versões, a tradicional (frutas cristalizadas e uvas passas), a de gotas de chocolate belga e a de cereja ao maraschino. Os Panes de Toni são entregues em lindas embalagens, próprias para essa época do ano. "Comecei a fazer os panetones agora, mas vou manter a produção o ano todo, porque acho que é uma judiaria essa história de comer panetone só no Natal", concluiu.

Quem quiser conferir a produção artesabal de pães, cucas e Panes di Toni da Priscila, basta acessar a fanpage "Eu que fiz" e fazer a encomenda.


Receita de cuca alemã
(Rende uma cuca de 1kg)

Ingredientes

- 250g de farinha
- 150 ml de leite
- 1 ovo
- 30 gr de manteiga sem sal
- 30g de açúcar
- 3g de sal
- 15g de fermento biológico


Modo de fazer

Misturar todos os ingredientes, quando a massa começar a rasgar, está no ponto e deve ser colocada na forma. Preparar uma farinha com 5 bananas picadas, canela e açúcar e colocar sobre a massa. Deixar a massa levedar, quando tiver dobrado de tamanho, está pronta para ir ao forno, na temperatura de 180°.

Publicado em 21/12/2014 no Jornal Agora

Torta de Cebola Verde, uma receita de família

Entrar numa casa com cheirinho de casa de campo, ser recebida com carinho e com uma gostosa torta de cebola verde aguardando sobre a mesa. Essa foi a forma com que a equipe do Agora foi acolhida, na última semana, no Sítio São Jorge, na comunidade da Palma, pela agricultora Marlene Olmedo Mendonça.


Marlene, com sua deliciosa torta de cebola verde, é a personagem do "As delícias que o Município nos reserva" desta semana. "Aprendi a fazer essa torta com minha mãe, mas a receita está há mais de 70 anos com a família. É uma receita da minha avó", revelou Marlene. Segundo a agricultora, como na época da sua avó não tinha forno, a torta era preparada numa panela, que era colocada sobre um braseiro. "Ainda lembro da minha mãe preparando a torta desta forma", disse saudosa.

Casada há 40 anos com o agricultor José Adrogiles Mendonça, Marlene conta que costuma sempre fazer essa torta para a família (o marido, os filhos e os netos). "Eu gosto de comer ela, junto com café", ressalta a agricultora.

Atento à conversa, seu Ziro (como é carinhosamente chamado seu José), completa: "Eu gosto acompanhada de uma carne assada. Com uma costelinha de porco, então, fica ótima", ressaltou o agricultor antes de pedir à esposa que servisse também uma costelinha para os visitantes.

"Aprendi a cozinhar quando tinha uns 10 ou 12 anos, com minha mãe. Tem mais receitas de família, mas não lembro agora", conta Marlene ressaltando ainda que, para receber a equipe do jornal e ensinar a receita da torta, teve que calcular as medidas direitinho. "Não costumo utilizar medidas, faço tudo de olho. Meu pão fica gostoso e não uso medidas".

Quando questionada em que ocasião costuma fazer a torta, Marlene revela que sempre que tem os ingredientes. "Os ovos, a salsinha e a cebolinha são aqui do sítio. Sempre que tem eu faço. É tudo plantado aqui. Pouco se compra", destacou a agricultora enquanto preparava com carinho mais uma torta de cebolinha verde. "O fermento se coloca por último", salienta Marlene.




Receita Torta de Cebola Verde

Ingredientes
- 10 ovos
- 1 pote de batedeira (essa é a medida perfeita) de cebolinha picada
- 1/2 xícara de farinha
- salsinha picada, orégano e cominho a gosto
- 3 colheres de sopa de óleo
- 1 colher de sopa de fermento Royal
- 1/2 colher de sopa de sal

Modo de fazer

Bater as claras em neve, logo após, acrescentar as gemas, sempre batendo com a batedeira.
Depois que esta mistura estiver pronta, acrescentar a cebolinha, mexendo delicadamente com uma colher, a farinha, salsinha, orégano, cominho, óleo, sal e, por último, o fermento.

Untar uma forma com óleo, colocar para assar por 30 ou 40 minutos no forno.
Publicado em 14/12/2014 no Jornal Agora

As delícias com frutos do mar

Praia e paisagem bonita aliadas a deliciosos pratos com frutos do mar. Com certeza essa é uma ótima alternativa para degustar uma boa gastronomia com receitas caseiras, essa é a opção do restaurante Atalaia, na praia do Mar Grosso, em São José do Norte.
Especializado em frutos do Mar, há 38 anos o restaurante Atalaia tem como carro-chefe no seu cardápio pratos com camarão, peixe e a famosa e deliciosa casquinha de siri. Buscando sempre o bem estar de seus clientes, o proprietário do restaurante, Luiz Carlos Machado, o Suíça, como é conhecido pelos amigos, conta que decidiu oferecer o rodízio de frutos do mar. No rodízio é servido camarão a milanesa, filé de peixe também a milanesa, casquinha de siri e uma gostosa salada. “O bom do rodízio é que pode comer quantas vezes quiser”, contou Suíça. “Na realidade, os pratos com frutos do mar têm que estar sempre quentes e com o rodízio estamos sempre servindo quentinho”, destacou Celita Machado, esposa do Suíça. Celita é responsável pela produção das receitas. “Aprendi a cozinhar com a minha mãe. Lá em casa foi sempre assim. É o tipo de coisa que se aprende com as mães. Hoje meus filhos e meus netos já sabem cozinhar”, destaca a chef do restaurante Atalaia, revelando que gosta de cozinhar qualquer tipo de comida. Celita é natural de São José do Norte e Suíça de Bagé, mas morava há alguns anos em Rio Grande, quando foi ao Norte participar de um campeonato de futebol. “Vim para o campeonato e conheci a Celita. Me apaixonei, e nunca mais saí daqui”, conta Suiça, história confirmada com um sorriso por Celita. “Foi bem assim”, confirma ela.
Enquanto Suíça se desdobra para atender, sempre com muita simpatia, os clientes que lotam as mesas do restaurante, Celita se desdobra na cozinha preparando a comida. Além do rodízio de frutos do mar, o restaurante ainda tem no cardápio pastéis de diversos sabores e os gostosos croquetes de peixe, uma receita de família, que Celita fez questão de compartilhar conosco. “Nós preparamos também peixes ensopados e tem também o bobó de camarão", conta, esclarecendo que esses pratos tem que ser encomendados com antecedência. "O diferencial do nosso restaurante é que começamos a serviràs 11h e seguimos até às 23h", destacou Suíça.  
A Celita e o Suíça e as delícias com frutos do mar preparados em seu restaurante são os personagens do "As delícias que o município nos reserva desta semana", que ampliou a fronteira do Rio Grande. Quem nunca foi degustar um prato com frutos do mar na vizinha São José do Norte não sabe o que está perdendo.  
O restaurante Atalaia funciona todos os dias da semana, das 11h às 23h. Os telefones para contato são (53) 3238.1132/ 9977.8843/ 9993.0237.  

RECEITA   
Bolinhos de peixe  
Ingredientes Peixe, tomate, cebola, batata, sal, pimenta de molho, molho de alho, salsinha e cebolinha e farinha de trigo.  
Modo de fazer   Peixe cozido e desfiado, molho de tomate e cebola frita. Cozinhar e amassar a batata com o temperinho a gosto. Por último, colocar o molho de alho e a pimenta a gosto. Misturar tudo e formar os croquetes. Passar na farinha de rosca e fritar em óleo não muito quente para não torrar a farinha.  
Publicado em 30/11/2014 no Jornal Agora

Ensinando a fazer tortas

Uma disputa entre seu pai e sua prima pelos pães de mel que tinha feito, foi o que convenceu a professora aposentada Rosângela Braga Knak que o que ela fazia era realmente bom. “Comecei a fazer o pão de mel porque meu pai gostava muito. No dia em que vi meu pai escondendo os pães de mel num armário para que minha prima não levasse todos, me convenci de que eles eram realmente bons”, contou Rosângela, sobre a decisão que tomou há 3 anos, de montar uma cozinha industrial e passar a vender as delícias que produzia só para a família e para amigos.
Rosângela é a personagem do "As delícias que o Município nos reserva desta semana".

A professora aposentada conta que, além dos pães de mel, também fazia tortas doces para festas de amigos. “Sempre tinha uma amiga me pedindo para fazer uma torta e quando vi, minha casa estava tomada de doces por todos os lados”, contou ela, ao revelar também que após a aposentadoria, o fazer doces havia sido sua opção para não ficar parada. “Sempre fui muito ativa, não consigo ficar parada”.
Hoje, além dos deliciosos e concorridos pães de mel (feitos só por encomenda), Rosângela faz tortas, pudins e bolos. Ela conta que sempre gostou de cozinhar. “Sou meio autodidata na parte de gastronomia. Sempre li muito sobre isso”.
Rosângela conta que após a aposentadoria, também sentiu falta de ensinar pessoas. “Sempre quis ensinar meus filhos a cozinhar, mas eles não se interessaram muito, até porque eu sempre fazia para eles. Então decidi montar um curso para voltar a dar aulas. Eu não queria parar sem ter ensinado a alguém o que eu aprendi”, revelou a professora aposentada.
Sua cozinha industrial fica na avenida Silva Paes, dali saem diariamente deliciosas tortas e pudins, para serem vendidos em alguns cafés da cidade e para atender encomendas para festas. Com certeza os amigos ainda são seus clientes. Na sua cozinha industrial, ela produz apenas doces. “Sei fazer tortas salgadas também, mas decidi fazer só doces para não misturar os sabores. Numa cozinha onde cortamos cebola, não tem como fazer doce, os gostos acabam se misturando”, ressalta a cuidadosa professora.
Os famosos pães de mel que inspiraram o negócio ainda continuam concorridos e a receita deles, Rosângela diz que é a única que não ensina para seus alunos. “A receita dos pães de mel é de família, essa eu não divulgo”, revelou ela, mas a receita de um delicioso pudim de laranja, que aprendeu com sua avó, ela compartilhou.
“O segredo do pudim de laranja é não bater nada. Essa receita minha avó fazia sempre nos natais”, lembra Rosângela, ao ensinar a receita: são 18 ovos, 800g de açúcar, dois copos de suco de laranja (tem que ser uma laranja doce), 1 colher de sopa de manteiga derretida. Passe os ovos por uma peneira e misture sem bater, depois acrescente o açúcar, o suco e a manteiga, sempre sem bater. Colocar numa forma de pudim untada com manteiga. Assar em banho-maria. “Desinformar um dia depois”, enfatiza a professora.
A última revelação de Rosângela nos deixou um pouco saudosos, ela conta que decidiu que está na hora de parar, que colocou a sua cozinha industrial à venda e que pretende ir morar mais perto dos seus filhos. “Até me surpreendi com a ligação de vocês, porque foi um dia após eu anunciar a venda da cozinha”, contou, surpresa. Quem sabe não é mais uma das coincidências de sua vida, e que a matéria sirva para despertar o interesse de mais alguns alunos para aprenderem enquanto ela ainda está na cidade e ser tornarem multiplicadores das delícias que ela ensina. O contato de Rosângela para saber mais informações sobre o curso de tortas doces é 9122.2694.
Entre as tantas receitas de delícias que Rosângela compartilhou, destacamos também a receita da Torta de Morango com Chantilly.
Ingrediente
- 1 receita de camadas brancas divididas em 2 formas (aro 26) e cortadas ao meio*
- 1 kg de morango fatiado
- 1 kg de nata
- ½ copo de leite supergelado
- 10 colheres de sopa de açúcar
Assar a massa da torta. Bater a nata em chantilly com meio copo de leite bem gelado com o açúcar. No fim do batimento, adicionar um pouquinho de baunilha. Montar a torta. Dentro de um aro ou fôrma forrada com plástico, colocar a primeira camada de pão de ló. Umedecer com guaraná e colocar morangos. Cobrir com chantilly. Colocar outra camada e assim sucessivamente, até terminar com a camada de massa. Cobrir toda torta com chantilly e decorar com alguns morangos.

* Camadas brancas para torta (Pão de ló)
Ingredientes:
- 9 ovos em temperatura ambiente (sugestão: usar ovos da colônia)
- 350 g de açúcar
- 350g de farinha
- 3 colheres de fermento em pó Royal
Colocar os ovos inteiros na tigela da batedeira. Juntar o açúcar e bater até a mistura ficar clara e fofa (cerca de 20 m). Mudar a mistura para outra vasilha e misturar delicadamente a farinha e o fermento, previamente peneirados. Untar duas formas redondas (só o fundo) com margarina e colocar no fundo um disco de papel manteiga. Assar no forno até espetar um palito e este sair limpo (+ ou – 30m). Cada pão de ló deve ser dividido ao meio com uma faca, resultando, no final, 4 camadas.

Publicado em 12/10/2014 no Jornal Agora

Hoje é dia de ambrosia

Três sonhos profissionais diferentes motivaram os jovens Luan Quadros da Rosa, de 18 anos, Wellis Silveira da Silva, de 15 anos, e Lucas Daniel Miranda, de 17 anos, a procurar o curso de Culinária oferecido pelo Centro de Convívio dos Meninos do Mar (CCMar). Um sonha em ter o seu próprio restaurante, outro em trabalhar como cozinheiro no Quartel e o terceiro em conseguir trabalhar na área.

Os alunos do curso de Culinária, a nutricionista Julia Bianca de Magalhães e as auxiliares de cozinha do restaurante do CCMar são os personagens do “As delícias que o município nos reserva” desta semana.

Os sonhos podem ser diferentes, mas a motivação de aprender cada vez mais faz com que os três fiquem bem atentos às todas as explicações da professora, a nutricionista Julia.

“Mais do que as receitas, eles aprendem sobre segurança, higiene e sobre o processo de cozimento. São sempre aulas temáticas, hoje estudamos sobre o leite”, salienta Júlia.

Lucas disse que está aprendendo a cozinhar agora. “Minha avó e minha mãe não têm muita paciência de me ensinar”, revelou ele, por isso, quando entra na cozinha para colocar em prática o que a nutricionista Julia ensinou na sala de aula, Lucas ouve atentamente as dicas que a cozinheira e as auxiliares de cozinha transmitem a ele com carinho. "Aprendi muito sobre a importância da higiene e já fiz croquetes em casa, uma receita que aprendi aqui", revelou o aluno.

“Eu entendo de nutrição, mas as receitas e ensinar a cozinhar são com elas”, salientou Júlia, ao falar sobre a parceria com a cozinheira e as auxiliares de cozinha do restaurante do CCMar nas aulas.

“Tive que aprender a cozinhar quando a minha mãe esteve hospitalizada, depois ela pediu que eu fizesse o curso”, contou Wellis com orgulho. Ele disse que o que mais gosta de fazer é o arroz de carreteiro que sua mãe lhe ensinou. “Ela aprendeu com a minha avó a cozinhar num fogão a lenha”, destacou Wellis, que sonha em ter um restaurante. "Aqui aprendi como manusear as carnes e gosto muito da hora de provar o que preparamos nas aulas", brincou o menino.

O jovem Luan parece ser o mais calmo da turma, mas não o menos atento. Faz questão de acompanhar todos os passos na preparação da sobremesa do lanche da tarde, uma gostosa ambrosia, que a auxiliar de cozinha Vera Lúcia Alves está ensinando a turma a preparar. “Aprendi a cozinhar com a minha mãe, que é professora. Ela me deu todo o apoio para fazer esse curso. Adoro fazer pratos salgados”, destaca o menino que sonha em trabalhar na área.

A auxiliar de cozinha Vera teve o cuidado de passar para as “crianças” (como ela e as demais auxiliares tratam os jovens) detalhadamente a receita do prato que eles iriam ajudar a preparar naquela tarde. “Aprendi a fazer essa ambrosia com a minha mãe, que fazia doces para vender”, contou, enquanto Lucas e os outros alunos já preparavam os ovos para acrescentar no leite que a auxiliar já estava fervendo na panela.

O CCMar fica localizado no antigo entreposto de peixe, no início da rua Visconde de Paranaguá, centro, e faz parte do Complexo de Museus da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

Receita de ambrosia

- 2 litros de leite
- 1 quilo de açúcar
- 1 dúzia e meia de ovos
- Algumas gotas de vinagre ou limão para talhar o leite

Modo de preparar:

Queime o açúcar e depois acrescente o leite e algumas gotas de vinagre ou limão para talhá-lo. Depois acrescente os ovos batidos e vá mexendo sempre até o doce ficar com uma coloração dourada.

Publicado em 21/09/2014 no Jornal Agora

http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=3&n=63755

Multiplicadores de delícias

"Na época que estava na Marinha, aprendi a cozinhar, depois fiz mais alguns cursos. Após a minha aposentadoria, decidi transmitir tudo o que aprendi", diz o aposentado José Luiz da Silva, que desde 2009 é professor do curso de Panificação, do Centro de Convívio dos Meninos do Mar (CCMar). Silva e seus alunos do CCMar são os personagens do "Delícias que o Município nos reserva" desta semana.

O professor conta que decidiu trabalhar com culinária porque considera cozinhar uma arte. "A culinária sempre busca algo novo". Como professor no CCMar, Silva já ajudou na formação de cerca de 220 multiplicadores da arte da culinária. "Gosto de trabalhar com jovens porque é uma oportunidade de prepará-los para o mercado de trabalho", salienta Silva, confessando ainda que se sente realizado quando encontra alguns dos seus ex-alunos do curso de Panificação já inseridos no mercado de trabalho.

"Pretendo trabalhar com gastronomia e estou fazendo esse curso para me especializar", conta a estudante Nayani Barela, de 17 anos, uma das 20 estudantes da turma do 2ª semestre deste ano, do curso de Panificação. Nayani revelou que já está ganhando dinheiro com a profissão que escolheu. "Já fiz três bolos grandes para vender, que renderam R$ 300", salientou Nayani.

Preocupada com o seu futuro, ela diz que procura ler bastante sobre gastronomia e que pretende procurar outros cursos na área. "Vi que é uma profissão que vale a pena. Sempre gostei de cozinhar e já fiz, em casa para minha família, todas as receitas que aprendi aqui", contou ela, concluindo a sua entrevista e dizendo que o básico da culinária havia aprendido em casa, mas que precisava saber mais que o básico.

No curso de Panificação, ofecerido numa parceria entre o Senac e o CCMar, os jovens têm a oportunidade de ter aulas teóricas e práticas e recebem certificados pelas duas instituições. "Nas aulas teóricas, falamos sobre tipos de fermento, tipos de farinha, temperatura do forno, entre outras informações importantes para a formação deles", salientou Silva.

Na Padaria Escola do CCMar, os alunos colocam em prática o aprendizado teórico da sala de aula e preparam pães, salgadinhos e bolos. "Hoje em dia, o maquinário ajuda muito, mas é importante conhecer o ponto da massa. É o ponto da massa que faz toda a diferença", enfatizou o professor, sempre atento à produção de seus alunos, que preparavam na tarde de quinta-feira (11), deliciosos pães de goiabada e enroladinhos de frios e salsicha, que foram degustados no lanche da tarde. "Amanhã (12) iremos preparar um bolo que será servido para trezentas pessoas", disse com orgulho o professor, certo do sucesso de seus alunos.

O CCMar fica localizado no antigo entreposto de peixe, no início da rua Visconde de Paranaguá, centro, e faz parte do Complexo de Museus da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Além do curso de Panificação, a instituição oferece outros cursos profissionalizantes para jovens, entre eles o curso de culinária, que será o tema do "Delícias que o Município nos reserva" da próxima semana, e virá com a receita de ambrosia.

Na edição de hoje, o professor Silva e seus alunos compartilharam a receita dos deliciosos Pãezinhos de Goiabada.

Massa:
- 500 g de farinha de trigo
-¹/² xícara de chá de margarina
-  3 ovos
- 2 gotas de fermento biológico
-¹/² xícara  de chá de açúcar
- 1 xícara de chá de água morna (aproximadamente)
- 1 colher de café de sal


Recheio:
- 200 g de goiabada
Preparo:Em uma vasilha, coloque o açúcar, mexa até dissolver. Adicione a margarina, os ovos, a baunilha, o sal, o fermento e a água. Aos poucos, vá adicionando a farinha até desprender das mãos; sove bem e deixe dobrar de volume. corte a goiabada em cubos, abra a massa e corte em rodelas, no meio coloque a goiabada. Faça uma trouxinha e pequeno cortes com o auxílio de uma tesoura na parte de cima dos pãezinhos e salpique açúcar. Leve ao forno pré-aquecido por aproximadamente 30 minutos ou até dourar. 

Receitas com sabor de inclusão social

Receitas que, além de pães, pizzas e bolos gostosos, resultam na inclusão social de jovens da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) do Rio Grande, essa é a pauta do "As delícias que o Município nos reserva" dessa semana. De acordo com a coordenadora pedagógica da Associação, Norma Noguez, a oficina de pães, assim como as demais oficinas profissionalizantes da instituição, surgiram para atender jovens que apresentaram dificuldade na alfabetização. "Precisávamos encontrar algo para atender esses jovens. Esses jovens passam por uma triagem antes de serem direcionados para as oficinas", explicou a coordenadora.  
Durante a triagem, os alunos participam de todas as oficinas antes que seja feito o direcionamento para uma delas. “Semana passada, outros alunos participaram da pré-oficina de triagem e produziram as broas de milho que ofereceremos na reunião com os pais, que será realizada hoje (12)”, complementou Norma. Além das oficinas, os alunos participam de aulas de artes.  

Produção de alimentos
A Oficina de Pães, o foco da nossa reportagem, atende a cinco jovens, que demonstram, entre outras qualidades, todo o cuidado necessário de quem está lidando com a produção de alimentos. Assim que o pessoal da equipe do jornal Agora chegou à porta da sala onde funciona a oficina, recebeu a touca para cobrir os cabelos antes de entrar. "Eles já me esperam na porta com a touca. A questão da higiene é um dos requisitos mais exigidos para os alunos participarem dessa oficina", salientou Norma, revelando ainda que a Vigilância Sanitária realiza vistorias na instituição e sempre elogia a limpeza das duas cozinhas mantidas no local. “Além da higiene, eles precisam ter responsabilidade e disciplina”, complementa a professora da oficina, Márcia Eifler Sayão.  
E é lógico que todos apresentaram o desejo de estar ali aprendendo a fazer pães e bolos. "A Jéssica estava em outra oficina e demonstrou o interesse de vir para cá. Veio e deu certo. Temos um aluno que apresentava problemas de disciplina. Depois que veio para cá, mudou completamente. Está bem mais calmo", contou Norma.  
Enquanto a coordenadora e a professora conversam com a equipe jornal, os quatro alunos  que estavam participando da oficina se dividiam na preparação da massa dos pães e do bolo de laranja (apontado, e com toda a razão, como o carro-chefe da oficina). Seguros do que estavam fazendo, mas sempre sob os olhos atentos da professora, Jéssica, Tatiane, Wesley e Felipe se dividem nas tarefas. "As receitas são simples. Fizemos um cartaz com a receita de uma forma para que eles possam visualizar as quantidades”, explicou Márcia ao mostrar dois cartazes (um com a receita básica do bolo e outro do pão) que estavam colados em um lugar bem visível da sala, ao lado do cartaz com as regras de higiene. 
“Pede licença para que possas fazer barulho”, disse Márcia ao aluno Felipe, que havia demonstrado preocupação em fazer barulho no momento de bater a massa do pão. “Licença”, disse timidamente Felipe antes de começar a sovar a massa dos pães. Depois de pronta, o aluno cobre a massa com um guardanapo. Quando questionado sobre quanto tempo a mesma ficaria descansando, Felipe olhou para a professora pedindo ajuda, e Márcia reformulou sabiamente a pergunta. “Quando sabes que a massa já está pronta?”, pergunta respondida de imediato pelo aluno: “Assim que crescer”.  
No balcão próximo à pia, a aluna Tatiane, que participa há mais tempo dessa oficina, coloca pedaços de laranja, leite de pó e os demais ingredientes para preparar o famoso e delicioso bolo de laranja. “É fácil fazer. Eu gosto de fazer um monte de coisas”, disse Tatiane, quando questionada sobre a receita do bolo. “Leite, ovos, lave bem a laranja e tire as sementes e depois coloca no liquidificador. Pode ser de cenoura também”, explicou calmamente a aluna depois de ter colocado a massa na forma.  
“No dia a dia, eles aprendem receitas simples. Nosso objetivo é ensinar as receitas básicas, mas eles já fizeram até bolos confeitados”, disse Márcia, revelando que as guloseimas servidas nas confraternizações da instituição são preparadas por seus alunos. “Os alunos dessa oficina já fizeram 2.400 pães e 110 bolos para um evento externo. Eles já produziram coisas para o Bazar das Amigas do HU”, complementou, com orgulho, Norma, revelando que a Apae aceita encomendas.   
 “O bolo de laranja é o mais vendido. A verba é revertida para a compra de materiais da própria oficina. Só precisamos que as encomendas sejam feitas com antecedência”, salientou a coordenadora, explicando que a oficina de pães funciona nas segundas, terças e sextas-feiras.  

Trabalho em equipe
Enquanto Felipe e Tatiane concluíam as receitas, Wesley se preocupava em lavar as vasilhas que estavam na pia e Jéssica ia guardando os ingredientes que haviam sobrado. “Em todas as nossas oficinas, os alunos aprendem a trabalhar em equipe”, revela Norma. De acordo com a coordenadora, o objetivo das oficinas é capacitar os alunos para que tenham a possibilidade de ingressar no mercado de trabalho. “Depois, alguns dos nossos alunos começam a trabalhar. Nós os acompanhamos durante um ano. Realizamos visitas quinzenais às famílias, e os alunos continuam com o atendimento psicológico”, salientou a coordenadora.  
Há dois anos trabalhando como orientadora, Márcia revela que, assim como para os alunos, a oficina tem sido uma grande terapia para ela. “Foi um desafio porque eu nunca tinha dado aula, mas sempre trabalhei na produção de doces e salgados. Depois que comecei a trabalhar aqui, passei a me sentir melhor como pessoa. A gente deixa de se preocupar com tantas bobagens. Foi muito bom para mim também”, concluiu, com orgulho, a professora.  
Quando a equipe do jornal já estava indo embora, a aluna Tatiane correu até a porta e complementou a receita que havia começado a ensinar. “Não vai esquecer o fermento”, disse a aluna. “Dez medidas?”, questionou a repórter. A confirmação veio com um "ok" com a mão e um largo sorriso de satisfação de quem teve a oportunidade de ensinar algo. E, com certeza, não foi apenas a receita do bolo que a sorridente Tatiane ensinou!  A Apae fica na rua Duque de Caxias, nº 327 - Telefone para contato: (53) 3232.7716. 
Publicado em 16/03/2014 no Jornal Agora

Croquetes de camarão é a dica dessa semana

Com a abertura da safra do camarão, não tem personagem melhor para ocupar o espaço do “Delícias que o Município nos reserva” do que duas esposas de pescadores ligados à Associação de Pescadores da Vila São Miguel (Apesmi). No início do mês, a Apesmi inaugurou a sua Peixaria, que representou a vitória de uma luta de 14 anos dos pescadores e de seus familiares.

Natural do Rio Grande, Adriana Britto da Silva, de 40 anos, é a autora da receita do “Delícias” dessa semana. Bisneta, neta, filha e esposa de pescador, Adriana conta que cresceu vendo as mulheres da família preparando pratos à base de pescado. “O prato preferido lá em casa era o ensopado de peixe, mas com o tempo fomos aprimorando as receitas. Hoje vou ensinar a vocês como fazer uns croquetes de camarão. Eu adoro”, disse entusiasmada Adriana, que contou com a ajuda da amiga Sirlei de Souza Valadão, também esposa de pescador, para preparar a receita.
Antes de iniciar, Adriana fez questão de dar a receita do ensopado de peixe que fazia sucesso na sua casa. “É só fazer um molho e depois colocar o peixe, não dá para esquecer o lourinho e a cebolinha”, destacou Adriana dando ainda outra dica: “Dá para fazer o pirão com o caldo do peixe e, para que a farinha de mandioca não embole na hora que se colocar na panela, é só misturar a farinha com água fria antes. Vai virar um grude. Aí, vamos despejando na panela que está com o caldo. Sempre em fogo baixo”, ensina.

Para fazer a massa dos croquetes, Adriana explica que vamos precisar de meio quilo de camarão descascado, uma cebola média, um tomate pequeno, pepino e azeitonas. “Tudo muito bem picado. O camarão pode ser picado ou processado e leva ainda uma xícara e meia de farinha de trigo”, explica Adriana. Depois é só colocar todos os ingredientes na panela, a farinha só será acrescentada quando o camarão já estiver refogado. “Quando o camarão já estiver rosa e seco, ele diminui o tamanho”. É hora de acrescentar a farinha, com a panela em fogo baixo, o sal e demais tempero a gosto (pimenta, orégano, cominho e temperinho verde).
Os croquetes só podem ser modelados quando a massa já estiver fria e serão empanados com farinha de rosca e uma clara misturada com duas colheres de sopa de água. “Misturando a clara com a água ela penetra mais na massa tapando bem os furinhos. É só para misturar a clara, não é para bater em ponto de neve”, salienta Adriana. Para modelar os croquetes, depois que a massa já estiver fria, é preciso estar com as mãos úmidas. Passar os croquetes na farinha de rosca e depois na clara, e fritar no óleo bem quente. “Podemos modelar a massa como croquetes ou como bolinhos menores para festa”.
Agora é só comer, acompanhados de uma bebida bem gelada, com certeza é uma boa pedida, ainda mais com esse calor que está fazendo nos últimos dias.

Quando Adriana e Sirlei terminaram de fritas os croquetes, o marido de Sirlei, Loredi Vinagre Borges chegou em casa, depois de passar a noite toda pescando camarão. “Opa, cheguei numa hora boa”, disse Loredi.

Por enquanto os croquetes ainda não estão entre os produtos ofertados pela Peixaria da Apesmi, mas o camarão (com casca, sem cabeça ou descascado) e peixe, que são utilizados nas receitas, podem ser comprados na Peixaria que funciona de segunda a sábado, das 8h às 11h30min e das 16h às 20h, e aos domingos das 8h às 11h30min.
A Peixaria fica na rua Alberto Torres, nº 23, no bairro São Miguel.
Publicado em 09/02/2014 no Jornal Agora

Os doces e a jurupiga da Ilha dos Marinheiros

O "Delícias que o Município nos reserva" desta semana traz duas histórias de descendentes dos colonizadores portugueses que, desde que nasceram, moram na Ilha dos Marinheiros e transformaram as receitas e aprendizados deixados pelos seus antecedentes em fontes de renda para a família.
A nossa primeira visita foi no Camping Delícias da Ilha, onde fomos recebidos por Lucimar de Paula e Silva, de 47 anos. Filha de agricultores e de pescadores, Lucimar decidiu transformar a propriedade da família num camping, que tem como atrativo o turismo rural. "Essa foi a forma que encontrei para dar continuidade ao trabalho dos meus pais. As pessoas que vêm aqui podem colher couves e alfaces diretamente na horta", conta Lucimar que, além da propriedade da família, herdou as receitas de doces que produz para comercializar no quiosque que mantém no local, que fica em frente à Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, no Porto do Rei, na Ilha.
Receitas de arroz doce, cucas com gotas de chocolate, doces de abóbora, doce de melancia, bilharacos (doces de abóbora fritos) e pão caseiro são algumas das delícias que podem ser encontradas no quiosque de dona Lucimar, que funciona somente aos finais de semana. "Na realidade, os doces eu faço mais por encomenda, mas as cucas e pães sempre têm para servir. E faço uma salada de frutas típica portuguesa", disse dona lucimar, explicando que a  salada tem que ser servida bem cheia até derramar. As reservas de lugares no Camping Delícias da Ilha podem ser feitas pelo telefone (53) 9957.1448.
Poucos metros depois do quiosque de dona Lucimar fica a adega do seu Hermes da Silva Dias, conhecido pela famosa jurupiga que produz.
Seu Hermes conta que aprendeu a fazer jurupiga com os avôs, amassando as uvas com os pés. "Na realidade, a gente ficava na volta dos mais velhos achando que estávamos brincando, mas estávamos era aprendendo", revela sabiamente seu Hermes.
A bebida à base de uva, produzida historicamente pelos descendenrtes dos colonizadores portugueses, começou a ser comercializada por seu Hermes há cerca de 20 anos. "Sempre fizemos para consumo próprio e para dar de presente para as pessoas que vinham nos visitar. Há uns 20 anos, resolvemos levar algumas garrafas para tentar vender na feira do Cassino, da qual participávamos vendendo legumes e verduras. Deu tão certo que não paramos mais de vender", conta o agricultor.
As uvas utilizadas na produção da jurupiga, do vinho e do suco de uva produzidos são colhidas na parreira que seu Hermes mantém na propriedade da família. "As uvas já estão boas, mas ainda não estão no ponto de colher para a produção de jurupiga. Para a jurupiga, as uvas têm que estar bem doces porque não tem como corrigir a doçura da bebiba colocando outro produto", contou seu Hermes ao falar do segredo para se produzir uma boa bebida.
Hoje em dia, a produção de jurupiga de seu Hermes não é mais como era na época dos seus avós, quando as uvas eram amassadas com os pés. "Hoje, essa parte já é mecanizada e com certeza isso ajudou a melhorar o sabor do produto, mas a receita é a mesma que aprendi com meus avôs, e toda a minha produção, desde o plantio das uvas, é 100% orgânica", concluiu seu Hermes.
Publicado em 20/01/2014 no Jornal Agora

Receitas trazidas pelos colonizadores portugueses

Aos 78 anos, a dona-de-casa Teresinha de Oliveira Cravo é a guardiã de mais uma das delícias que o Município nos reserva. Morando há 52 anos na Ilha do Leonídio, dona Teresinha ainda faz para o marido e para os filhos os deliciosos doces à base de abóbora que aprendeu com a sogra, já falecida.
"Minha mãe provavelmente também aprendeu com a sogra. Meu avô foi o primeiro português a chegar na Ilha, na época em que a Ilha ainda tinha apenas um dono. Com certeza, ele trouxe essas receitas com ele de Portugal", conta com orgulho o marido de dona Teresinha, seu Gleci Cravo, de 75 anos, ao falar das receitas do milharaco e do doce de abóbora gila.

O milharaco é um bolinho frito de abóbora, chamado desta forma pelos portugueses, explicou dona Teresinha. "Apesar de ter esse nome, não leva milho na receita. Ele é feito com a abóbora de doce, açúcar e farinha", contou a dona-de-casa, explicando que depois de cozinhar a abóbora, amassa-se toda ela e coloca-se em um sacos de pano para que escorra toda a água. "Depois coloco açúcar e farinha e faço os bolinhos que são fritos", revelou dona Teresinha, que já chegou a fazer doces para vender, mas hoje, devido a problemas de saúde, raramente cozinha as gulosemas para a família.
Já o doce de abóbora gila, além de ser uma delícia da culinária transmitida entre as gerações da família Cravo, tem um valor histórico ainda maior, as sementes dessa espécie de abóbora que são plantadas pela família são provenientes das sementes trazidas pelo avô de seu Gleci. "Acho que só eu planto essa espécie de abóbora aqui na Ilha. As primeiras sementes vieram com o meu avô. Nós conservamos até hoje, sempre que abrimos uma abóbora e as sementes estão boas, temos o cuidado de guardá-las", revelou seu Gleci.
Além de serem os guardiões das receitas, o casal Cravo também tem muitas histórias interessantes para contar sobre a Ilha do Leonídio. "Eu nasci na Ilha, a Teresinha mudou-se para cá há 52 anos, quando nos casamos. Moramos sempre nesta casa, que fica na terra que era do meu avô", concluiu seu Gleci.
Os doces de abóbora da dona Teresinha foram uma indicação do secretário adjunto de Município de Desenvolvimento Primário, Cledenir Mendonça.
Publicado em 12/01/2014 no Jornal Agora

As delícias que o interior do Município nos reserva

As comunidades rurais do Rio Grande reservam, além de belas paisagens, algumas descobertas deliciosas, como a jeropiga, feita por descendentes de portugueses, que atraem muitas pessoas para a Ilha dos Marinheiros. Mas quem der uma paradinha no Arraial de Dentro, na Ilha da Torotama, vai ter a oportunidade de experimentar mais uma delícia que o interior nos reserva: uma receita de família, de gostosas queijadinhas da doceira Simone Gonçalves Barros.
O carro-chefe da doceira são as cocadinhas, ou "queijadinhas",  como dona Simone as chama (sem deixar de explicar que não levam queijos), ou canoinhas de coco - como alguns fregueses tradicionais identificam os doces. Mas dona Simone também é especialista em quindins.
A receita das deliciosas queijadinhas, à base de coco, é de família, passada de geração a geração. “A minha avó, Natália Santos Gonçalves, que começou fazendo e ensinou para a minha mãe, que resolveu diversificar um pouquinho a receita e me ensinou, deixando um pouquinho mais gostoso. Decidimos então começar a vender”, contou uma tímida dona Simone, completando que a mãe, Erocilda Maria Gonçalves Barros, já falecida, é que adoraria contar com detalhes essa tradição de família.
Quando questionada sobre qual o segredo para deixar as queijadinhas tão gostosas, dona Simone diz que o trabalho manual de ralar o coco deve ser o diferencial. “Hoje em dia, o povo já compra o coco ralado, eu faço questão de ralar manualmente, fica mais parelho. Meu pai que adora essas queijadinhas, pena que ele não está aqui hoje para falar com vocês”, informou a doceira. Além de comercializar os doces no armazém da família, dona Simone costuma aceitar encomendas para festas.
A tradição de família deve continuar com os filhos de dona Simone. “Não tenho nenhuma irmã, nem filha mulher, mas já ensinei a receita a meus filhos”, concluiu a doceira.
As cocadas de dona Simone foram uma indicação do prefeito Alexandre Lindenmeyer, que faz questão de dar uma paradinha para comprar algumas "canoinhas de coco", como chama os deliciosos doces, toda vez que vai à Ilha da Torotama.
Publicado em 05/01/2014 no Jornal Agora

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