O "Delícias que o Município nos reserva" desta semana traz duas histórias de descendentes dos colonizadores portugueses que, desde que nasceram, moram na Ilha dos Marinheiros e transformaram as receitas e aprendizados deixados pelos seus antecedentes em fontes de renda para a família.
A nossa primeira visita foi no Camping Delícias da Ilha, onde fomos recebidos por Lucimar de Paula e Silva, de 47 anos. Filha de agricultores e de pescadores, Lucimar decidiu transformar a propriedade da família num camping, que tem como atrativo o turismo rural. "Essa foi a forma que encontrei para dar continuidade ao trabalho dos meus pais. As pessoas que vêm aqui podem colher couves e alfaces diretamente na horta", conta Lucimar que, além da propriedade da família, herdou as receitas de doces que produz para comercializar no quiosque que mantém no local, que fica em frente à Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, no Porto do Rei, na Ilha.
Receitas de arroz doce, cucas com gotas de chocolate, doces de abóbora, doce de melancia, bilharacos (doces de abóbora fritos) e pão caseiro são algumas das delícias que podem ser encontradas no quiosque de dona Lucimar, que funciona somente aos finais de semana. "Na realidade, os doces eu faço mais por encomenda, mas as cucas e pães sempre têm para servir. E faço uma salada de frutas típica portuguesa", disse dona lucimar, explicando que a salada tem que ser servida bem cheia até derramar. As reservas de lugares no Camping Delícias da Ilha podem ser feitas pelo telefone (53) 9957.1448.
Poucos metros depois do quiosque de dona Lucimar fica a adega do seu Hermes da Silva Dias, conhecido pela famosa jurupiga que produz.
Seu Hermes conta que aprendeu a fazer jurupiga com os avôs, amassando as uvas com os pés. "Na realidade, a gente ficava na volta dos mais velhos achando que estávamos brincando, mas estávamos era aprendendo", revela sabiamente seu Hermes.
A bebida à base de uva, produzida historicamente pelos descendenrtes dos colonizadores portugueses, começou a ser comercializada por seu Hermes há cerca de 20 anos. "Sempre fizemos para consumo próprio e para dar de presente para as pessoas que vinham nos visitar. Há uns 20 anos, resolvemos levar algumas garrafas para tentar vender na feira do Cassino, da qual participávamos vendendo legumes e verduras. Deu tão certo que não paramos mais de vender", conta o agricultor.
A bebida à base de uva, produzida historicamente pelos descendenrtes dos colonizadores portugueses, começou a ser comercializada por seu Hermes há cerca de 20 anos. "Sempre fizemos para consumo próprio e para dar de presente para as pessoas que vinham nos visitar. Há uns 20 anos, resolvemos levar algumas garrafas para tentar vender na feira do Cassino, da qual participávamos vendendo legumes e verduras. Deu tão certo que não paramos mais de vender", conta o agricultor.
As uvas utilizadas na produção da jurupiga, do vinho e do suco de uva produzidos são colhidas na parreira que seu Hermes mantém na propriedade da família. "As uvas já estão boas, mas ainda não estão no ponto de colher para a produção de jurupiga. Para a jurupiga, as uvas têm que estar bem doces porque não tem como corrigir a doçura da bebiba colocando outro produto", contou seu Hermes ao falar do segredo para se produzir uma boa bebida.
Hoje em dia, a produção de jurupiga de seu Hermes não é mais como era na época dos seus avós, quando as uvas eram amassadas com os pés. "Hoje, essa parte já é mecanizada e com certeza isso ajudou a melhorar o sabor do produto, mas a receita é a mesma que aprendi com meus avôs, e toda a minha produção, desde o plantio das uvas, é 100% orgânica", concluiu seu Hermes.
Publicado em 20/01/2014 no Jornal Agora
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