sábado, 31 de maio de 2014

Trabalho ambiental garante sucesso na desova em Belmonte (BA)

Foi registrado um aumento de 33% nas desovas de tartarugas, em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os resultados de monitoramentos de tartarugas marinhas na região de Belmonte, realizado pela parceria ONG PAT Ecosmar e Veracel Celulose S.A. De acordo com Paolo Botticelli, coordenador da organização não governamental, as desovas vêm aumentando nos últimos anos, inclusive com comemorados registros das raras tartaruga-de-couro (Dermochelys coriácea) e tartatuga-de-pente (Eretmochelys imbricata).

Esse ano, nasceram mais de 42.000 filhotes de tartaruga marinha nos 35 km de praia próximos ao Terminal Marítimo de Belmonte (TMB) – operação de escoamento da celulose produzida pela Veracel. Essa faixa de praia é monitorada diariamente pelo projeto. O relatório elaborado pela PAT Ecosmar revela que o aumento das desovas em relação à temporada passada se deve a dois fatores: a oscilação natural do número de matrizes e aos trabalhos de manejo e de proteção que possibilitaram a redução da predação humana das fêmeas de tartarugas marinhas.

O monitoramento de quelônios marinhos é realizado nessa região desde 1997. A partir de 2005, a Veracel firmou a parceria com a ONG, contribuindo para o resultado positivo alcançado na atual temporada. Foram registradas 413 desovas, superando a temporada 2007/2008, quando ocorreram 312 desovas.

No período de 2007/2008, registrou-se ainda 296 ocorrências reprodutivas no entorno do TMB. Segundo o coordenador da PAT Ecosmar, essa região é área de reprodução da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), da tartaruga-de-papo-amarelo (Caretta caretta) e da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea). Também foram registradas nove desovas da raríssima tartaruga gigante (Dermochelys coriacea). Em toda a costa brasileira, desovam a cada ano, de 3 a 6 fêmeas dessa espécie. Os ninhos encontrados na área de influência direta do terminal são transferidos, para garantir a segurança das tartaru­guinhas.

Na temporada 2006/2007, foram registradas pela primeira vez duas ocorrências reprodutivas de tartaruga-verde (Chelonia mydas). Como resultado do trabalho de preservação e para a alegria dos ambientalistas envolvidos no projeto, na temporada 2007/2008, foram registradas mais ocorrências dessa espécie. Portanto, na área em questão, já foram monitorados ninhos de todas as cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil. Esse é um importante indicador de eficiência das metodologias preservacionistas adotadas.

O programa tem por objetivo monitorar as ocorrências reprodutivas e não-reprodutivas de quelônios marinhos nas áreas de influência do TMB, com atenção especial para ações que minimizem o efeito da iluminação artificial, da erosão costeira e das atividades industriais na área, conforme as condicionantes ambientais para funcionamento do terminal marítimo.

Gestão ambiental - O Projeto de monitoramento da desova de quelônios marinhos é um dos projetos de gestão ambiental nos quais a Veracel é parceira. Atender à legislação, possuindo todas as licenças ambientais necessárias às suas atividades florestais, industriais e de logística e atendendo suas condicionantes são compromissos fundamentais. No entanto, a empresa adotou para si a visão de ser referência em sustentabilidade, buscando ampliar sua contribuição para além do cumprimento legal. Essa é a diretriz que legitima a iniciativa de se manter um hectare ambientalmente protegido para cada hectare de plantio de eucalipto.

Hoje, a Veracel possui 104 mil hectares de áreas protegidas, entre as quais a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, com 6 mil hectares. Além de mais cinco áreas identificadas como de alto valor de conservação, que somam mais de 3 mil hectares a esse importante acervo natural que é o bioma Mata Atlântica. Junta-se a essas iniciativas o Programa Mata Atlântica, desenvolvido desde 1994, com o objetivo de aumentar a diversidade biológica de seus projetos florestais. Com esse programa, são revegetadas a média de 500 hectares por ano com mudas de espécies nativas da região. Até 2008, foram recuperados e enriquecidos 3.104 hectares de mata nativa.

Para garantir que a comunidade também cuide desse patrimônio natural, a educação ambiental tem um papel fundamental, que demanda a dedicação de técnicos e consultorias para envolver vizinhos, empresas parceiras e a comunidade em geral na luta pela preservação. Em 2009, procurando fortalecer ainda mais o compromisso com o meio ambiente, a Veracel se tornou signatária do Pacto da Mata Atlântica, uma proposta, de mais de 50 organizações ambientalistas, indivíduos, empresas e poder público, cujo objetivo é reverter o quadro de risco de extinção da Mata Atlântica.

Árvores centenárias encantam os plantadores de florestas

“Aprendi que temos de ajudar a preservar a Mata Atlântica. Plantando nativas, crescemos junto com elas”, disse Elieze Antônio Nascimento, da empresa Bonella Florestal, uma das parceiras da Veracel Celulose no Programa Mata Atlântica (PMA). Mantido desde 1994, o programa abrange os dez municípios onde a Veracel tem atividades. Até 2008, já foram enriquecidos e reflorestados cerca de 3.100 hectares.
Elieze trabalha há dois anos com o reflorestamento de mudas nativas e, junto com uma equipe da Bonella Florestal, visitou a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, para conhecer de perto o futuro das mudas que ajuda a plantar.
Na trilha de um quilômetro no meio da mata, tentou prever, emocionado, em quanto tempo os plantios que ajuda a fazer serão florestas maduras como aquela. Também participaram do grupo: Roberto Bonella, Renata Migray, Maurício Santos, Regineia Raasch, Maxsuel Maia, Milton Gonçalves e Aelson dos Santos.
O objetivo foi trocar experiências entre os pesquisadores e as pessoas que plantam as mudas nativas, dando ao grupo a oportunidade de compreender a grandeza do trabalho já realizado.
Durante a caminhada no meio da mata, além da diversidade da fauna e da flora, essa equipe de “plantadores de florestas” aprendeu algumas curiosidades, como a folha de patioba que os índios utilizavam para se comunicar no meio da mata. “Se utilizarmos a madeira apropriada para bater no caule da folha, o som alcança uma área de até quatro quilômetros de distância”, explicou o educador da RPPN, Alexandro Ribeiro Dias.
Marcas da ação do homem:
Na trilha, foi possível ver as diferentes fases de crescimento da mata. Onde ocorreu a extração de árvores, antes da Veracel adquirir a área, no auge da exploração madeireira da região (entre os anos 70 e 80), Alexandro chamou a atenção dos visitantes para a diferença da vegetação do outro lado do vale onde a mata é primária.
“Este vale dificultou a exploração da mata do lado de cá, onde podemos notar árvores bem mais altas.” O relevo difícil salvou os exemplares centenários.
O que mais encantou os “plantadores de florestas” foi o pequi com mais de 30 metros de altura, cujo tronco só pode ser abraçado por 14 pessoas de mãos dadas. Biólogos tentaram estimar a idade da árvore. Alguns avaliaram que ela tenha mais de mil anos. “Há controvérsias, mas com certeza mais de 500 anos ela tem”, avaliou a bióloga Virgínia Camargos.
A biodiversidade insiste...:
A RPPN Estação Veracel é uma das seis Áreas de Alto Valor de Conservação da Veracel, com 6.069 hectares de mata nativa preservados, entre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, no extremo sul da Bahia.
A área foi reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) pelo Ibama, ou seja, é uma área particular perpetuada com o objetivo de conservar a biodiversidade e promover a educação ambiental.
Por isso, foi denominada Sítio do Patrimônio Mundial Natural pela Unesco. Além de ser uma das maiores reservas particulares de Mata Atlântica do Brasil, se destaca entre as 20 áreas de maior diversidade de espécies de árvores do mundo.
Até o momento, já foram catalogadas 445 espécies de animais vertebrados, das quais 37 ameaçadas de extinção e 54 endêmicas do sul da Bahia. Está em curso ainda um projeto de monitoramento de mamíferos de médio e grande porte, desenvolvido desde 2007, em parceria com a Conservação Internacional (CI Brasil) e o Instituto Dríades.
... mas a ameaça persiste:
Apesar de ser crime ambiental, a caça ainda é uma prática muito difundida na região, uma ameaça constante para a preservação da fauna existente na reserva. Somente este ano, a equipe de vigias ambientais registrou 128 indícios de caçadores e localizou 51 armadilhas. Nesse importante trabalho de proteção ao meio ambiente, a Estação conta com o apoio da Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental (Coppa), Polícia Militar, Companhia de Ações Especiais Mata Atlântica (Caema) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Resultados do Programa Mata Atlântica:
“Aqui perto temos uma área, plantada há um ano, com árvores de mais de dois metros de altura. Para ficar uma mata parecida com esta aqui, acho que leva uns 20 anos”, avaliou Maxsuel Maia, supervisor da Bonella Florestal.
Maxsuel explicou ainda que as áreas que estão sendo recuperadas pela Veracel haviam sido degradadas ao logo do tempo. Em 1945, a Mata Atlântica abrangia mais de dois milhões de hectares na Bahia. Em 1974, em virtude do surgimento de polos madeireiros, favorecidos pela BR-101 recém-construída, cerca de 40% dessa área de mata nativa foi destruída. Em 1990, só restavam 6%, resumidos em Unidades de Conservação e pequenos fragmentos isolados.
Desde 1991, quando se estabeleceu na região, a Veracel empreende ações ambientais. Hoje a empresa mantém 104 mil hectares de áreas protegidas para a conservação, onde são desenvolvidas as ações do programa de recuperação.
“O objetivo do PMA é formar mosaicos com os plantios comerciais e colaborar no estabelecimento dos corredores ecológicos, que vão possibilitar a conexão entre os diversos fragmentos de Mata Atlântica da região”, comentou Agnaldo Vitti, coordenador de Silvicultura.
Para recuperação de cada 400 hectares de mata nativa, este ano, a Veracel deverá investir aproximadamente R$ 2,35 milhão. De acordo com a engenheira florestal Ninive Maia, além do plantio das mudas, o investimento garante a manutenção das áreas por três anos. “Não é simplesmente plantar a muda. Temos que dar manutenção nos primeiros anos,” destaca a engenheira.
Essa contribuição atende às diretrizes do Pacto da Mata Atlântica, do qual a Veracel é signatária desde abril deste ano. A meta é plantar mudas de pelo menos 80 espécies diferentes por hectare, sobretudo aquelas que já estavam desaparecendo da região, como o jacarandá-da-baía, guapuruvu, pau-de-jangada e oiticica.
Fonte: Eduarda Toralles - Publieditorial Veracel Celulose

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