Pobreza e abandono traduzem a situação atual dos mais de 11 mil índios pataxós do extremo sul do Estado. Hoje, eles vivem divididos em sete terras indígenas (TI): Coroa Vermelha e Mata Medonha, no município de Santa Cruz Cabrália; Imbiriba, Aldeia Velha e Barra Velha, em Porto Seguro; e Águas Claras e Corumbauzinho, em Prado
PORTO SEGURO, SANTA CRUZ CABRÁLIA E PRADO (Da Sucursal Extremo Sul) – Nas terras indígenas do extremo sul, o investimento em educação é mínimo, para não dizer inexistente, e o atendimento médico oferecido nos postos da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) deixa muito a desejar. Mas ainda é a demarcação definitiva do território que lhe cabe a principal reivindicação dos primeiros donos da terra.
A antropóloga Leila Burger Sotto-Maior, da Fundação Nacional do Índio (Funai), estuda a região desde agosto de 2004 e faz um levantamento da situação fundiária. Dados da pesquisa mostram que apenas quatro das terras indígenas (TI) estão homologadas, mas três destas ainda mantêm demanda por processo de revisão de limites.
A TI Imbiriba já foi demarcada e aguarda a homologação pelo presidente da República. Corumbauzinho e Aldeia Velha estão em processo de identificação.
Como forma de pressão para que seja concluída a demarcação de todas as terras, os pataxós reiniciaram as retomadas (ocupação de fazendas e parques nacionais) em 1999. Hoje, no extremo sul, são 13 as áreas de retomada, três delas dentro do Parque Nacional do Descobrimento, no município de Prado.
A equipe de reportagem da Sucursal Extremo Sul visitou quatro das terras indígenas e conta o que viu por lá.
ALDEIA-MÃE – Na TI de Barra Velha, litoral sul de Porto Seguro, vivem aproximadamente cinco mil índios divididos nas aldeias de Barra Velha (aldeia-mãe), Boca da Mata, Meio da Mata, Guaxuma, Trevo do Parque, Bugigão, Pé do Monte, Craveiro, Águas Belas e Corumbauzinho. Segundo Sotto-Maior, a TI de Barra Velha já foi homologada, mas está com demanda por revisão de limites.
No ano de 1951, houve um grande massacre na aldeia-mãe, isso fez com que os parentes (forma de tratamento entre os índios) fugissem da aldeia e se espalhassem pela região. A índia Rosalina, de 94 anos, conta que, naquele ano, a polícia cercou a aldeia para prender dois assaltantes que haviam se refugiado na área. Segundo Rosalina, após matar os assaltantes, os policiais permaneceram na aldeia maltratando os índios.
"Eles não mataram nenhum índio, mas bateram tanto que os mais velhos não resistiram e acabaram morrendo. Muitos parentes fugiram daqui naquela época. Tenho um irmão que foi embora e eu nunca mais vi", conta Rosalina. Depois desse massacre, o cacique proibiu a entrada de brancos na aldeia, atualmente que os "caciques mais modernos" liberaram novamente a entrada de brancos.
Rosalina é uma das mais velhas da aldeia-mãe, conhecida como a parteira e, hoje, com 94 anos, ainda "agarra" crianças. O último parto que acompanhou foi o nascimento de seu tataraneto, o pequeno Kaina (Feliz), nascido no dia 29 de março.
Segundo Sotto-Maior, a aldeia-mãe vive uma situação aparentemente estável, se for avaliada apenas a vila central, onde existem uma escola e um posto de saúde da Funasa, mas basta um deslocamento em direção à Boca da Mata para se deparar com extrema pobreza e abandono.
O posto da Funasa funciona uma vez por semana, quando o médico visita a aldeia. Nos outros dias, os índios têm que contar com a sorte. Semana passada, uma criança passou mal e acabou sendo socorrida pela antropóloga e sua equipe, que conduziram o menino até o hospital de Porto Seguro.
VALORIZAÇÃO – O resgate da cultura pataxó está sendo trabalhado na escola. A valorização dos adereços e vestimentas indígenas é o tema das aulas de cultura do professor Maurin. Os cantos, as brincadeiras e a língua pataxó são os destaques das aulas de alfabetização do professor Carleone. "Temos que fazer esse tipo de trabalho. Apesar de estarmos longe da zona urbana, temos contato com a televisão, e isso está fazendo com que nossa cultura seja esquecida", lamenta o cacique Arurauã (o nome significa um peixe que se adapta na água e na terra, se adapta em todas as situações, explica o cacique).
Com o apoio do Sebrae, os índios de Barra Velha fundaram uma associação de artesãos e estão vendendo o artesanato de sementes para outros estados e pensam em criar a grife pataxó, forma de dar mais valor ao trabalho por eles desenvolvido.
FAVELIZAÇÃO – Em Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália – ponto de referência histórica da chegada dos portugueses, vivem hoje 667 famílias. A TI foi homologada com 1.493 hectares, sendo 827 deles destinados à preservação – Reserva Indígena da Jaqueira, 75 hectares de praia (zona urbana), a área restante está dividida para agricultura.
Desde 1999, Coroa Vermelha vem sofrendo com o processo de favelização, dado o grande contingente de índios que se desloca para o local em busca de sobrevivência. "Na Aldeia de Coroa Vermelha tem tudo de ruim que pode existir numa zona urbana", avalia a antropóloga.
Falta saneamento básico e há violência urbana e alcoolismo. "Não temos um espaço para fazer uma horta. Só tem uma área onde podemos plantar, mas o solo é tão ruim que tudo que plantamos morre", reclamam os índios.
Em 2000, para a comemoração dos 500 anos de descobrimento, foram gastos R$ 11 milhões em urbanização, saneamento e na construção de 150 casas para os índios. Mas, durante as comemorações, com a primeira chuva forte, as fossas transbordaram e os esgotos passaram a correr a céu aberto, ilhando algumas residências.
Em Coroa Vermelha, há o único posto da Funasa com atendimento diário, com uma equipe de enfermeiros e técnicos de saúde. O médico atende uma vez por semana. No dia 11 de março, a equipe do posto da Funasa de Coroa Vermelha realizou um dia de pesagem para crianças de até 5 anos e constatou que há um alto índice de crianças abaixo do peso. De cada quatro pesadas, três estavam abaixo do peso, muitas com risco de desnutrição.
Sobrevivência é a meta de todo dia
Na TI de Aldeia Velha, também em Porto Seguro, vivem 150 famílias. A área foi demarcada em 1988, mas ainda está em processo de identificação, aguardando do resumo do relatório no Diário Oficial da União.
A Aldeia Velha fica numa zona urbana, mas diferentemente de Coroa Vermelha, preserva certa privacidade. Há uma porteira para entrar na área e, nos 1.400 hectares da TI, ainda existe uma grade de mata nativa que os índios lutam para preservar.
A saúde é mais uma vez apontada como o principal problema. O posto da Funasa funciona uma vez por semana mas, perto dali, no posto de saúde municipal, os médicos e enfermeiros se negam a atender a comunidade indígena. "Precisamos pelo menos de um carro adequado para transportar os doentes e alguém que possa ao menos fazer um curativo de emergência", alerta o cacique Ipê, que coordena o grupo de 500 índios.
Não tem energia na área e o reservatório de água instalado pela Funasa há um ano está parado, o encanamento ainda não foi concluído. "Temos que carregar baldes de água na cabeça", conta Ipê. Segundo ele, a única escola da aldeia foi construída este ano pela prefeitura, pois "antes as crianças estudavam no galpão onde fica a farinheira".
Nas duas salas de aula estudam 150 crianças, do pré à quarta série primária, os professores são cedidos pela prefeitura, mas ainda aguardam a assinatura do contrato para passar a receber o pagamento. Como a área indígena é recente, o grupo ainda está começando a se estruturar. Tanto que a união de todos em torno de um ideal foi motivo de comemoração numa reunião com o chefe da Funai de Porto Seguro, na última semana. "Gostei de ver que hoje vocês estão lutando juntos, sem aquelas brigas de antigamente", ressaltou Zeca Pataxó.
Uma reserva extrativista de madeira e uma área onde eles possam fazer uma horta comunitária é o principal objetivo dos índios, que solicitaram a ajuda do Ibama para produzir sem prejudicar a mata. "Temos consciência da preservação, mas também precisamos de madeira para construir as nossas kijeme (casas) que estão em estado precário e de uma área para cultivar uma horta, muitas famílias aqui não têm nem uma hortinha", disse o cacique Ipê.
Viva Tupã que veio nos trazer maion (luz) – "Na minha aldeia tem belezas sem plantar /Eu tenho arco, eu tenho flecha, tenho raiz para curar", esse é o primeiro refrão da principal oração pataxó e é na Aldeia de Mata Medonha, também no município de Santa Cruz Cabrália, onde essas palavras fazem sentido.
É na mais isolada de todas as terras pataxós, que os índios ainda conservam sua cultura, o orgulho pelos seus antepassados e o respeito pela natureza. Os 500 hectares de Mata Medonha estão completamente tomados pela mata nativa. A TI já foi homologada, mas ainda está com demanda por revisão de limites.
A agricultura de abacaxi e de mandioca de onde sai o sustendo das 40 famílias que lá vivem é desenvolvida de forma a não prejudicar a natureza, agricultura orgânica.
Com o apoio da Comissão Executiva do Plano de Lavoura Cacaueira (Ceplac), os índios estão formando uma associação para expansão desse tipo de agricultura. "Antigamente eu não me importava quando via derrubarem uma árvore, mas hoje acho lindo quando vejo uma área verde dessas com tudo preservado. Se não cuidarmos, o que nossos netos e os filhos deles vão ver quando crescer?", diz o índio Urussu, um dos mais velhos líderes da aldeia, durante uma conversa descontraída na sombra da árvore, onde os índios costumam se reunir para tomar decisões sobre a comunidade.
Há poucos anos foi aberta uma estrada de chão que dá acesso à área, que nos dias de chuva fica intransitável. "Que bom que vocês estão aqui. Eu sempre disse para os mais novos que tivessem paciência, que o nosso dia ia chegar. Está chegando o nosso momento de aparecer", revela o índio Urussu. "Urussu é uma abelhinha doce que faz um mel muito gostoso", faz questão de explicar.
Problemas parecem não existir em Mata Medonha. Ingênuos e alegres, os índios se mostram contentes com o que recebem. "O médico vem aqui uma vez por semana. Graças a Deus temos isso. Antigamente não tínhamos nada", festeja Urussu. E completa, modesto: "Só precisamos de um carro para escoar nossa produção de abacaxi, de ajuda para a preservação da mata e que saia a demarcação dos 24 alqueirões de nosso território".
Os índios de Mata Medonha estão sofrendo com a pressão de alguns fazendeiros do entorno da TI para a destruição da mata nativa. Esse também foi um dos problemas apontados pela antropóloga Leila Burger Sotto-Maior, da Funai. Ela observa que, além do desmatamento, está ocorrendo o comprometimento da água consumida na aldeia, pois os donos de uma fazenda vizinha estariam jogando restos de madeira no rio.
No dia 7 de abril, os fiscais do Ibama estiveram na região. Encontraram uma grande área de mata desmatada e quatro fornos de carvão em uma fazenda vizinha. Os fornos foram destruídos e apreendidos um trator e uma motos-serra.
Na única sala de aula existente em Mata Medonha estudam 30 crianças, durante o dia, e 27 adultos, à noite. Pela manhã, a professora Sandra, que não é descendente pataxó, atende na mesma sala os alunos do pré à 2ª- série do ensino fundamental. À tarde é a vez dos alunos da 3ª- à 4ª- série. "Eu ensino e aprendo ao mesmo tempo", faz questão de revelar a professora Sandra, que já trabalha há três anos no local.
"Eu tenho 50 anos e estou estudando. Não estudei antes porque antigamente nós pensávamos que o estudo não servia para nada", disse uma das índias (não quis revelar o nome). Valorizar o que a natureza oferece e o que antepassados deixaram tem sido a filosofia de vida das 40 famílias que vivem em Mata Medonha.
O resgate e a preservação da cultura estão sendo trabalhados na sala de aula e nas conversas diárias entre idosos, jovens e crianças ao pé da árvore, na área central da TI. Conversas onde são relatadas histórias como a do pé-de-garrafa, uma espécie de monstro que protege a mata e que muitos afirmam já ter visto.
O porquê do nome da aldeia é também explicado pelos mais velhos. "Lá por 1964, quando os viajantes passavam pela região, eles diziam que iam "por essa mata medonha aí" que era mais rápido. Aí ficou o nome. Vou escrever um livro com todas nossas histórias e enviar para vocês. Tenho que fazer isso antes que elas se percam", conclui Urussu.
CONSERVAÇÃO – Os conflitos envolvendo a população indígena e as unidades de conservação ambiental também são antigos. Na década de 80, parte do Parque Nacional do Monte Pascoal foi transformada em terra indígena, a Aldeia do Pé do Monte. O decreto que transformou a área em parque nacional ainda não foi derrubado e há uma sobreposição de documentos em relação à aldeia. "Isso tem que ser resolvido", afirma Sotto-Maior.
Desde 2001, o Parque Nacional do Monte Pascoal é administrado em conjunto pelo Ibama e pelos pataxós, mas segundo Sotto-Maior, os índios têm pouco poder de decisão, servindo apenas de motoristas, eventuais colaboradores e brigadistas no combate a fogo.
O Parque Nacional do Descobrimento, no município de Prado, também faz parte da área reivindicada pelos índios. No final do ano de 2003, três áreas do parque foram retomadas, os índios permanecem no local até hoje, aguardando a conclusão do estudo do GT.
Publicado no Jornal A Tarde em 19-04-2005
Este blog foi criado para apresentar alguns dos meus trabalhos no Rio Grande do Sul e na Bahia
terça-feira, 25 de junho de 2013
Grupo do Maturidade Ativa agora também tem aulas de culinária
Cebola, alho poró, camarão, champignon e molho shoyu são alguns dos ingredientes do Yakissoba que o chef André Miki fez no curso de Culinária oferecido a um grupo da terceira idade que faz parte do Programa Maturidade Ativa do Serviço Social de Comércio (Sesc).
André Miki é o gerente do Sesc Rio Grande e se propôs a dar a primeira aula de culinária do Programa, que já existe há sete anos. “Realizamos diversas atividades com eles, resolvemos inovar com o curso de culinária. Nossa ideia é que eles se tornem multiplicadores desses aprendizados”, disse Patrícia Vaz, auxiliar de Cultura e Lazer do Sesc.
“Estou amando, ainda mais com esse cheiro”, disse Miriam Piva, que há 3 anos participa do grupo. Miriam revelou que gosta de participar das ações para se divertir, aprender e não se isolar.
“Eu sei tricô e sempre procuro ajudar as outras a fazer. Agora vou poder ensinar a fazer Yakissoba também”, completou Miriam. “Essa união que é boa, é uma troca de experiências”, completou Rosana Silveira, amiga de Miriam, que também participa do programa há 3 anos.
De acordo com Patricia, a ideia é incluir o curso de culinária no programa que já conta com aulas de Espanhol, oficinas de tricô, aula experimental de Pilates, entre outras atividades. O Maturidade Ativa busca promover a qualidade de vida e o envelhecimento ativo de pessoas a partir dos 50 anos, explicou Patrícia ao citar que o grupo se reúne uma vez por semana. “No próximo dia 29 estaremos participando do Dia do Desafio, uma aula de ritmo e dança que será realizada em frente ao CCMar”, revelou.
A aula é aberta ao público da terceira idade, quem quiser participar é só estar no local a partir das 15h e para ganhar uma camiseta do Dia do Desafio basta fazer a doação de um agasalho.
Os interessados em ingressar no Programa Maturidade Ativa ou saber mais sobre as suas atividades devem procurar o Sesc Rio Grande - avenida Silva Paes, 416, bairro Centro ou contatar pelo telefone (53) 3231.6011.
Publicado no Jornal Agora em 23-05-2013
Foto Fábio Dutra
Surfistas buscam despertar a consciência ambiental reutilizando garrafas pet na confecção das pranchas
“Não acredito que eles vão surfar em pranchas de garrafa pet”, disse a pequena Mariana Costa Brum, de sete anos, que foi surpreendida, na tarde desta quarta-feira, 5, por um grupo de surfistas entrando no mar da praia do Cassino com pranchas de surf feitas de garrafa pet.
Os surfistas em questão eram Jairo Lumertz e Carolina Scorsin, os idealizadores do projeto Prancha Ecológica. Com o projeto os surfistas buscam despertar em crianças e adultos a consciência ambiental aliada ao interesse em frequentar ambientes naturais. “Conheci esse projeto quando morava no Hawaí. Resolvi trazer ele aqui para o Brasil, porque enxerguei nas pranchas ecológicas uma força de prender com mais facilidade a atenção das crianças e de despertar nelas a consciência ambiental”, contou o surfista Jairo, que é natural de Porto Alegre. Jairo mora atualmente em Garopaba, Santa Catarina, onde deu início à versão brasileira do projeto, em parceria com a prefeitura local.
A ideia é estender o projeto para o Rio Grande do Sul, envolvendo cada vez mais crianças. “Queremos levar esse projeto para todo Brasil. Nós ensinamos as crianças a fazer as pranchas, passo a passo. Com as pranchas, elas aprendem a reaproveitar materiais e ao mesmo tempo ter esse contato tão importante com a natureza”, contou Carolina. De acordo com a surfista, para confeccionar uma prancha ecológica são utilizadas cerca de 42 garrafas pet, E.V.A., gelo seco, cola e PVC. “Uma prancha dessas sai em torno de R$ 50. Não comercializamos as pranchas, nosso projeto é social”, explicou a surfista. A dupla esteve em Rio Grande e Pelotas a convite da Universidade Federal de Pelotas, para ministrar uma oficina para alunos do UFPel e para as crianças da Escola Municipal Vanda Rocha, no Cassino, e da Creche Raio de Luz. “Sou professor das disciplinas de Esporte e Aventura, Excursionismo e Educação Física e Meio Ambiente, da UFPel. Vejo nesse projeto uma grande possibilidade para os professores de Educação Física. Eles tem um implemento esportivo feito de lixo e podem trabalhar a educação ambiental”, salientou o professor da UFPel, Cesar Vaghetti, conhecido como Salada, que também é surfista.
A pequena Mariana disse que gostou da novidade e recebeu do pai, Paulo Neto, seu companheiro no passeio na praia, o reforço do recado que os surfistas Jairo e Carolina estavam passando no mar. “Sabe aquele monte de garrafas pet que, infelizmente, vimos atiradas agora a pouco lá adiante na beira da praia? Viu que brinquedo legal pode ser feito com elas!”, conclui Neto.
Publicado no Jornal Agora em 05-06-2013
Foto Fábio Dutra
CMC promove tarde cultural na Xavier Ferreira
“Tento mostrar um Rio Grande que o rio-grandino não dá valor”, disse o fotógrafo Aldivo Mendes, que, com outros artistas da cidade, participou do projeto Arte na Rua - em comemoração ao aniversário do Centro Municipal de Cultura Inah Emil Martensen. A 1ª edição do projeto, realizada nesta sexta, 22, foi na Praça Xavier Ferreira.
Mendes participou da exposição juntamente com os fotógrafos Regys Macedo e J.C.Celmer. “Somos três colegas que andamos pelos mesmos lugares e olhamos a diversidade de coisas que conseguimos fotografar”, destacou o fotógrafo.
Exposição fotográfica, exposição de quadros, esquetes teatrais, música, entre outras manifestações de artistas da cidade animaram a tarde ensolarada que passou pela praça. “Estou gostando muito desse projeto. Acho que faltam espaços culturais aqui em Rio Grande e esse tipo de iniciativa divulga o teatro”, disse a estudante de teatro Verônica Borges, que com mais duas amigas, também estudantes de teatro da Cia Teatral Ovelha Negra, realizaram brincadeiras com os frequentadores da exposição e deram um colorido diferente à praça com suas fantasias multicores.
Sentada em um dos bancos da praça, a autônoma Charlene Nunes participou descontraidamente de esquete teatral do trio da Cia Teatral Ovelha Negra. “Eu vim para conferir a programação. Acho que tem que ter cada vez mais esse tipo de evento”, disse. “Essa foi a maneira que encontramos de comemorar o aniversário do Centro Municipal de Cultura, junto com a população. Presenteamos a cidade com uma exposição de artistas que são nossos”, disse a diretora do Centro Municipal de Cultura Inah Emil Martensen, Janice Salomão Hias.
Segundo Janice, o evento de sexta foi a 1ª edição do Arte na Rua, que será realizado em outras praças e pelos bairros da cidade. “Teremos uma periodicidade para realizar esse tipo de exposição, sempre com artistas da cidade. Vamos convidar artistas de bairros, convidar artistas que ainda não são conhecidos do público”, conclui.
As crianças participaram da oficina de Educação Patrimonial. “Essa oficina é apenas uma parte do projeto. Levamos as crianças para conhecerem os prédios históricos da nossa cidade, explicamos a importância desses prédios e depois vem essa oficina para eles colorirem”, explicou Marília Hamsmann. Segundo o secretario municipal de Cultura, Celso Santos, a ideia desse tipo de projeto como o Arte na Rua é estimular que a população do Rio Grande aproveite mais os espaços e as manifestações artísticas na cidade. “A arte e a cultura não precisam de um espaço físico, é isso que estamos mostrando. Queremos que a população crie o costume de participar desse tipo de evento. Vamos criar mais eventos para ocupar esses espaços”, finalizou Santos.
Publicado no Jornal Agora em 22-03-2013
Foto Fábio Dutra
CCMar, uma perspectiva de futuro para os jovens
“Ensino”, com esta única e importante palavra a aluna Roberta M. da Silva Barbosa, de 15 anos, resumiu o que representa o Centro de Convívio dos Meninos do Mar (CCMar). "Um espaço democrático para o desenvolvimento de ações educativas e profissionalizantes", assim o oceanólogo Lauro Barcellos, um dos idealizadores e diretor do CCMar, define a Centro.
Roberta é aluna do curso de Informática Fudamental. Ela é uma dos 89 jovens que, neste semestre, estão tendo a oportunidade de frequentar um dos oito cursos oferecidos pelo Centro. “Estou aprendendo muita coisa. Antes eu não tinha conhecimento de nada do mercado de trabalho. Gosto de mar, de barco, quero trabalhar nessa área. Agora, com esse curso, já tenho mais conhecimento, já tenho informações para buscar um trabalho”, disse Otávio Antares, de 16 anos, um dos alunos do curso de Construção Naval.
Dar perspectiva para o futuro, esse foi um dos pontos destacados pelo diretor Lauro Barcellos ao falar sobre o que motivou a criação do CCMar. “Queríamos que esses jovens tivessem uma perpectiva que os anime e os ajude a buscar sempre mais”, revelou Barcellos, explicando ainda que não é exigida escolaridade para que os jovens frequentem os cursos. “Atendemos jovens que ainda não concluíram o Ensino Fundamental, e é isso que torna o nosso Centro original. Ele é uma ação pedagógica direcionada aos jovens de 14 a 17 anos, indepentente do nível de escolaridade. Nossa única exigência é que eles estejam matriculados em alguma escola”, complementou o diretor.
O CCMAR começou a ser idealizado em 1986 e o projeto foi concretizado em 2007, graças ao financiamento do BNDES. Hoje, mais de 4.200 jovens já frequentaram os cursos do Centro. “Atendemos 350 alunos por ano. Os jovens já saem daqui como ajudantes em algum ofício”, comemorou o diretor, revelando que, este ano, tem mais de 2.400 nomes na lista de espera.
Técnica do Trabalho de Recepcionista de Eventos, Técnica do Trabalho de Manicure e Pedicure, Técnica de Panificação e Confeitaria, Informática Fundamental, Auxiliar Administrativo, Construção Naval, Costuraria e Culinária, essas são as oito opções de cursos oferecidas pelo CCMar, opções escolhidas de acordo com a realidade do Município e de um levantamento do mercado de trabalho, desenvolvido em parceria com o Sebrae. Além do currículo referente a cada um dos cursos, todos os alunos do CCMar recebem orientações sobre Segurança no Trabalho, Relações Trabalhistas, Perigo das drogas e regras básicas de educação e convivência. “A convivência social e a disciplina são pontos que cobramos aqui”, destaca Barcellos.
“Estou aprendendo a me comunicar e a ser educada. Está sendo um incentivo para eu ir atrás do meu sonho, que é ser uma ótima advogada”, enfatizou Caroline Goulart, de 16 anos, uma das alunas do curso de Auxiliar Administrativo. Os cursos são semestrais, com aulas das 14h às 17h20min, de segunda a sexta-feira. Cada aluno recebe a passagem diária de ida e volta e o lanche.
O CCMar, localizado no antigo entreposto de peixe, no início da rua Visconde de Paranaguá, Centro, faz parte do Complexo de Museus da Fundação Universidade do Rio Grande (Furg), que provém toda a infraestrutura física e pessoal do Centro, assim como é responsável pelo controle administrativo.Construído no antigo entreposto de Pesca, conta hoje com o apoio de diversas instituições e empresas, entre elas a Marinha do Brasil, Sindop, Sinterg, Ogno, Tecon, Superintendência do Porto, Iara Fertilizantes, Celulose Riograndense, Fundação Cidade do Rio grande, Polícia Federal, Polícia Civil, Embrasmaqui, Quip e de um grupo de Senhoras Voluntárias. Entidades que apoiam a principal proposta do CCMar, que é “ratificar a desejada educação plena, através da formação integral de jovens em situação de vulnerabilidade, atendendo a vocação regional nas ações desenvolvidas”, concluiu Barcellos.
Publicado no Jornal Agora em 05-05-2013
Foto Fábio Dutra
Escola Viva, da diversidade à inclusão, um aprendizado para a vida
A palavra cela ganhou um novo significado no Centro de Formação para Diversidade Cultural e Inclusão Escola Viva, um projeto diferenciado de educação, que desde 2010 funciona no prédio do antigo presídio do Rio Grande, na avenida Portugal.
As celas hoje não têm mais as portas trancadas. Não existem mais grades que isolam. As paredes são pintadas de cores alegres e estão cobertas de desenhos, fotografias e outros trabalhos artísticos. O silêncio dos corredores foram trocados por músicas das oficinas de dança. O espaço é alegre, de vida. As celas são ocupadas agora por alunos cheios de expectativas, que buscam na Escola Viva uma oportunidade, paralela a da vida escolar, para ampliarem a sua formação.
Este ano o projeto passou por uma readaptação. O espaço do prédio passou a ser ocupado integralmente pela Escola (até ano passado o espaço era dividido com a estrutura pedagógica da Secretaria Municipal de Educação). “Conseguimos nos organizar melhor assim. Agora temos salas fixas para cada oficina. Fica melhor para atender os alunos”, conta a professora de Fotografia, Desenho e Pintura, Rúbia Scotthood. Aulas de Dança, Capoeira, Teatro, Esportes, Inglês, Percussão, Malabares, Xadrez, Desenho e Pintura. São ao todo 19 opções de oficinas para que os alunos da Rede Pública de Ensino tenham uma opção de ocupação no contraturno escolar.
Todos os alunos, de todas as oficinas, recebem ainda uma orientações sobre Educação Ambiental e Diretos Humanos. Hoje a Escola Viva atende a 200 alunos, com idade a partir de 12 anos, ligados a 35 escolas da rede pública do Município. “Estamos com uma lista de espera. Pretendemos rever o projeto para o próximo ano, buscando atender também os alunos das escolas mais distantes”, revelou a diretora da Escola, Maria de Lourdes Escouto.
Outra novidade é o atendimento a alunos surdos. A oficina de Libras é frequentada por 12 alunos surdos que até ano passado não tinham um espaço fixo para serem atendidos, revelou a diretora. “Eles têm uma carga horária maior que os outros alunos”, revelou Escouto. De acordo com a diretora, foi feita uma reavaliação no projeto inicial buscando identificar os gargalos. “Nós conseguimos, além de garantir a passagem de ônibus, que eles já recebiam, incluir um lanche, aumentando dessa forma o tempo dos alunos aqui dentro da escola. Agora os alunos têm a possibilidade de fazer duas oficinas por dia. Eles podem participar de uma oficina, saem para um lanche e depois participam de outra”, explicou a diretora, ao revelar que um problema identificado era o grande número de desistência dos alunos no meio das oficinas.
Para ajudar os alunos na escolha das oficinas as quais gostariam de participar, a equipe da Escola Viva realizou oficinas no 1º mês de preparação (no final de março). Durante um mês foram feitas apresentações de todas as oficinas, a interação com todos os oficineiros e a saída de campo – uma visita ao lugar onde os alunos moram. “Essa saída foi emocionante. Só depois desse amadurecimento é que eles tiveram a possibilidade de escolher a oficina ou oficinas das quais tinham interesse de participar. Temos que ter a consciência que estamos aqui também para aprender, é uma troca”, contou a diretora, explicando que esta foi mais uma forma de buscar a redução no número de desistências.
Toda a estrutura da Escola Viva é mantida pela Secretaria de Município de Educação. As aulas iniciam em março e devem seguir até outubro, sendo concluídas com um espetáculo dos alunos. “Esse ano queremos envolver as famílias para que elas busquem espaços em seus bairros para que esse espetáculo sejam apresentado lá, onde os alunos moram”, concluiu a diretora. A matéria sobre a Escola Viva abre a série de matérias que serão publicadas essa semana pelo Agora, em comemoração ao Dia da Educação, 28 de abril.
Publicado no Jornal Agora em 24/06/2013
* Foto Fábio Dutra
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