“Não acredito que eles vão surfar em pranchas de garrafa pet”, disse a pequena Mariana Costa Brum, de sete anos, que foi surpreendida, na tarde desta quarta-feira, 5, por um grupo de surfistas entrando no mar da praia do Cassino com pranchas de surf feitas de garrafa pet.
Os surfistas em questão eram Jairo Lumertz e Carolina Scorsin, os idealizadores do projeto Prancha Ecológica. Com o projeto os surfistas buscam despertar em crianças e adultos a consciência ambiental aliada ao interesse em frequentar ambientes naturais. “Conheci esse projeto quando morava no Hawaí. Resolvi trazer ele aqui para o Brasil, porque enxerguei nas pranchas ecológicas uma força de prender com mais facilidade a atenção das crianças e de despertar nelas a consciência ambiental”, contou o surfista Jairo, que é natural de Porto Alegre. Jairo mora atualmente em Garopaba, Santa Catarina, onde deu início à versão brasileira do projeto, em parceria com a prefeitura local.
A ideia é estender o projeto para o Rio Grande do Sul, envolvendo cada vez mais crianças. “Queremos levar esse projeto para todo Brasil. Nós ensinamos as crianças a fazer as pranchas, passo a passo. Com as pranchas, elas aprendem a reaproveitar materiais e ao mesmo tempo ter esse contato tão importante com a natureza”, contou Carolina. De acordo com a surfista, para confeccionar uma prancha ecológica são utilizadas cerca de 42 garrafas pet, E.V.A., gelo seco, cola e PVC. “Uma prancha dessas sai em torno de R$ 50. Não comercializamos as pranchas, nosso projeto é social”, explicou a surfista. A dupla esteve em Rio Grande e Pelotas a convite da Universidade Federal de Pelotas, para ministrar uma oficina para alunos do UFPel e para as crianças da Escola Municipal Vanda Rocha, no Cassino, e da Creche Raio de Luz. “Sou professor das disciplinas de Esporte e Aventura, Excursionismo e Educação Física e Meio Ambiente, da UFPel. Vejo nesse projeto uma grande possibilidade para os professores de Educação Física. Eles tem um implemento esportivo feito de lixo e podem trabalhar a educação ambiental”, salientou o professor da UFPel, Cesar Vaghetti, conhecido como Salada, que também é surfista.
A pequena Mariana disse que gostou da novidade e recebeu do pai, Paulo Neto, seu companheiro no passeio na praia, o reforço do recado que os surfistas Jairo e Carolina estavam passando no mar. “Sabe aquele monte de garrafas pet que, infelizmente, vimos atiradas agora a pouco lá adiante na beira da praia? Viu que brinquedo legal pode ser feito com elas!”, conclui Neto.
Publicado no Jornal Agora em 05-06-2013
Foto Fábio Dutra

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