A palavra cela ganhou um novo significado no Centro de Formação para Diversidade Cultural e Inclusão Escola Viva, um projeto diferenciado de educação, que desde 2010 funciona no prédio do antigo presídio do Rio Grande, na avenida Portugal.
As celas hoje não têm mais as portas trancadas. Não existem mais grades que isolam. As paredes são pintadas de cores alegres e estão cobertas de desenhos, fotografias e outros trabalhos artísticos. O silêncio dos corredores foram trocados por músicas das oficinas de dança. O espaço é alegre, de vida. As celas são ocupadas agora por alunos cheios de expectativas, que buscam na Escola Viva uma oportunidade, paralela a da vida escolar, para ampliarem a sua formação.
Este ano o projeto passou por uma readaptação. O espaço do prédio passou a ser ocupado integralmente pela Escola (até ano passado o espaço era dividido com a estrutura pedagógica da Secretaria Municipal de Educação). “Conseguimos nos organizar melhor assim. Agora temos salas fixas para cada oficina. Fica melhor para atender os alunos”, conta a professora de Fotografia, Desenho e Pintura, Rúbia Scotthood. Aulas de Dança, Capoeira, Teatro, Esportes, Inglês, Percussão, Malabares, Xadrez, Desenho e Pintura. São ao todo 19 opções de oficinas para que os alunos da Rede Pública de Ensino tenham uma opção de ocupação no contraturno escolar.
Todos os alunos, de todas as oficinas, recebem ainda uma orientações sobre Educação Ambiental e Diretos Humanos. Hoje a Escola Viva atende a 200 alunos, com idade a partir de 12 anos, ligados a 35 escolas da rede pública do Município. “Estamos com uma lista de espera. Pretendemos rever o projeto para o próximo ano, buscando atender também os alunos das escolas mais distantes”, revelou a diretora da Escola, Maria de Lourdes Escouto.
Outra novidade é o atendimento a alunos surdos. A oficina de Libras é frequentada por 12 alunos surdos que até ano passado não tinham um espaço fixo para serem atendidos, revelou a diretora. “Eles têm uma carga horária maior que os outros alunos”, revelou Escouto. De acordo com a diretora, foi feita uma reavaliação no projeto inicial buscando identificar os gargalos. “Nós conseguimos, além de garantir a passagem de ônibus, que eles já recebiam, incluir um lanche, aumentando dessa forma o tempo dos alunos aqui dentro da escola. Agora os alunos têm a possibilidade de fazer duas oficinas por dia. Eles podem participar de uma oficina, saem para um lanche e depois participam de outra”, explicou a diretora, ao revelar que um problema identificado era o grande número de desistência dos alunos no meio das oficinas.
Para ajudar os alunos na escolha das oficinas as quais gostariam de participar, a equipe da Escola Viva realizou oficinas no 1º mês de preparação (no final de março). Durante um mês foram feitas apresentações de todas as oficinas, a interação com todos os oficineiros e a saída de campo – uma visita ao lugar onde os alunos moram. “Essa saída foi emocionante. Só depois desse amadurecimento é que eles tiveram a possibilidade de escolher a oficina ou oficinas das quais tinham interesse de participar. Temos que ter a consciência que estamos aqui também para aprender, é uma troca”, contou a diretora, explicando que esta foi mais uma forma de buscar a redução no número de desistências.
Toda a estrutura da Escola Viva é mantida pela Secretaria de Município de Educação. As aulas iniciam em março e devem seguir até outubro, sendo concluídas com um espetáculo dos alunos. “Esse ano queremos envolver as famílias para que elas busquem espaços em seus bairros para que esse espetáculo sejam apresentado lá, onde os alunos moram”, concluiu a diretora. A matéria sobre a Escola Viva abre a série de matérias que serão publicadas essa semana pelo Agora, em comemoração ao Dia da Educação, 28 de abril.
Publicado no Jornal Agora em 24/06/2013
* Foto Fábio Dutra

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