terça-feira, 25 de agosto de 2015

Receitas trazidas pelos colonizadores portugueses

Aos 78 anos, a dona-de-casa Teresinha de Oliveira Cravo é a guardiã de mais uma das delícias que o Município nos reserva. Morando há 52 anos na Ilha do Leonídio, dona Teresinha ainda faz para o marido e para os filhos os deliciosos doces à base de abóbora que aprendeu com a sogra, já falecida.
"Minha mãe provavelmente também aprendeu com a sogra. Meu avô foi o primeiro português a chegar na Ilha, na época em que a Ilha ainda tinha apenas um dono. Com certeza, ele trouxe essas receitas com ele de Portugal", conta com orgulho o marido de dona Teresinha, seu Gleci Cravo, de 75 anos, ao falar das receitas do milharaco e do doce de abóbora gila.

O milharaco é um bolinho frito de abóbora, chamado desta forma pelos portugueses, explicou dona Teresinha. "Apesar de ter esse nome, não leva milho na receita. Ele é feito com a abóbora de doce, açúcar e farinha", contou a dona-de-casa, explicando que depois de cozinhar a abóbora, amassa-se toda ela e coloca-se em um sacos de pano para que escorra toda a água. "Depois coloco açúcar e farinha e faço os bolinhos que são fritos", revelou dona Teresinha, que já chegou a fazer doces para vender, mas hoje, devido a problemas de saúde, raramente cozinha as gulosemas para a família.
Já o doce de abóbora gila, além de ser uma delícia da culinária transmitida entre as gerações da família Cravo, tem um valor histórico ainda maior, as sementes dessa espécie de abóbora que são plantadas pela família são provenientes das sementes trazidas pelo avô de seu Gleci. "Acho que só eu planto essa espécie de abóbora aqui na Ilha. As primeiras sementes vieram com o meu avô. Nós conservamos até hoje, sempre que abrimos uma abóbora e as sementes estão boas, temos o cuidado de guardá-las", revelou seu Gleci.
Além de serem os guardiões das receitas, o casal Cravo também tem muitas histórias interessantes para contar sobre a Ilha do Leonídio. "Eu nasci na Ilha, a Teresinha mudou-se para cá há 52 anos, quando nos casamos. Moramos sempre nesta casa, que fica na terra que era do meu avô", concluiu seu Gleci.
Os doces de abóbora da dona Teresinha foram uma indicação do secretário adjunto de Município de Desenvolvimento Primário, Cledenir Mendonça.
Publicado em 12/01/2014 no Jornal Agora

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