sexta-feira, 12 de junho de 2009

Harpia está pronta para a soltura

Veracel Celulose – Release produzido em 16/04/2009

Está pronta para ser solta a primeira harpia do mundo a retornar à natureza depois de ter vivido durante anos em cativeiro. Também conhecida como gavião-real, um exemplar da maior ave de rapina das Américas vive, desde 1997, em um ambiente construído especialmente para ela na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, após ter sido resgatada na região por fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Esse projeto trará muitos subsídios para outros projetos ambientais.” Com essa afirmação, o pesquisador Roberto Azeredo, presidente da Crax – Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre, definiu a importância do Projeto Harpia na Mata Atlântica, na RPPN Estação Veracel. A Crax é uma fundação que atua na reprodução de aves da fauna, especialmente da Mata Atlântica, para reintrodução na natureza. Por isso, Azeredo foi convidado a conhecer de perto os resultados obtidos pela equipe do projeto e dar seu parecer sobre as condições de soltura da ave, mantida em cativeiro desde 1997. O pesquisador se surpreendeu com a magnitude do trabalho realizado.

Para Azeredo, as informações obtidas até o momento já justificam todo o processo. “Esta soltura, a primeira de que tenho conhecimento na área de Mata Atlântica, dará respostas sobre a viabilidade de devolver ao habitat natural outros animais que tenham permanecido por muito tempo em cativeiro”, destacou.

O gavião-real vive em um recinto construído especialmente para ele na RPPN desde que foi entregue por fiscais do Ibama, após o resgate. Em 2004, outro gavião-real foi avistado na Estação, o que despertou o interesse em realizar a soltura da ave mantida em cativeiro. Assim surgiu o projeto, financiado pela Veracel Celulose S.A. e desenvolvido de forma integrada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ibama, Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (ABFPAR), SOS Falconiformes, Crax e RPPN Estação Veracel.

Roberto Azeredo esteve na RPPN no dia 25 de março, a convite dos pesquisadores do projeto, com o objetivo de avaliar as condições da harpia que está sendo reabilitada para a soltura. “Nada do que vi aqui merece crítica. Esta ave pode ser solta na natureza a qualquer momento”, avaliou. A previsão é que a soltura ocorra em junho deste ano. Esta será a segunda harpia adulta a ser monitorada via satélite no Brasil. A primeira também faz parte do Projeto Harpia na Mata Atlântica e vem sendo monitorada desde maio de 2008, dentro da área do Parque Nacional Pau-Brasil, em Porto Seguro.

RPPN – A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel foi criada há dez anos. São 6.069 hectares de mata nativa preservada, entre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro. A área foi reconhecida pelo Ibama como RPPN, ou seja, uma área particular perpetuada com o objetivo de conservar a biodiversidade e promover a educação ambiental.

Além de ser uma das maiores reservas particulares de Mata Atlântica do Brasil, segundo o Governo Federal, a Estação Veracel foi considerada pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC – Forest Stewardship Council) como uma área de alto valor de conservação, por abrigar uma expressiva reserva de Mata Atlântica, com proteção a fontes de água e por ser habitat de diversas espécies de animais e vegetais endêmicos e/ou ameaçados de extinção. Todas essas características também garantiram à RPPN Estação Veracel o reconhecimento como Sítio do Patrimônio Mundial Natural, conferido pela Unesco.

Até o momento, já foram catalogadas na Estação Veracel 445 espécies de vertebrados, das quais 37 estão ameaçadas de extinção e 54 são endêmicas da Mata Atlântica do sul da Bahia. Na área, já foram avistados grandes mamíferos como onça, jaguatirica, veado-mateiro e anta. Entre as aves, destacam-se a harpia, o macuco, o beija-flor balança-rabo-canela e o papagaio-chauá, espécie ameaçada de extinção.

A diversidade arbórea também é significativa na Estação, que se destaca entre as 20 áreas com maior diversidade de espécies de árvores do mundo. São 308 espécies, incluindo exemplares centenários de pau-brasil, jacarandá, pequi-preto e jatobá.

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