Ninhal da Ilha dos Marinheiros, uma área de imensa beleza e de uma importância muito grande para a preservação de algumas espécies de aves, está extremamente vulnerável à caça e destruição dos ninhos.
Numa área oposta ao ninhal, utilizada para avistamento das aves pelos pesquisadores, é impossível não se encantar pela quantidade de aves que sobrevoam a área e pela quantidade de filhotes que é possível avistar nas árvores.
De acordo com denúncias, o Ninhal da Ilha dos Marinheiros tem sofrido ataque de caçadores, que acessam o local de barco e estão abatendo a tiros aves como garças, colhereiros e savacus. “Eles chegam de barco e abatem a tiro as aves que estão sobrevoando para chegar aos ninhos”, lamentou a pessoa que fez a denúncia. De acordo com ela, a denúncia de crime contra o meio ambiente já foi feita ao comando ambiental da Brigada Militar (Patram).
A convite do jornal Agora, o biólogo Augusto Silva Costa esteve no local e apontou a importância da área para a preservação de espécies como a garça pequena-branca (Egretta thulla), colhereiro (Platalea ajaja), garça-branca-grande (Ardea alba), savacu (Nycticorax nycticorax), garça-moura (ardea cocoi), savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea) e garça-azul (Egretta caerulea).
Segundo Augusto, foi estimada a existência de 1.360 ninhos num monitoramento realizado entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, pelo pesquisador Dimas Gianuca, no seu projeto “Ecologia Reprodutiva de oito espécies de ciconiiformes em uma colônia no Estuário da Lagoa dos Patos”, de conclusão da pós-graduação em Oceanografia Biológica na Furg. “Isso aqui é um grande laboratório. Já rendeu duas teses e um trabalho de conclusão de curso. Essa área rende muito conhecimento ainda para nós”, destacou o biólogo.
As duas espécies que chamam mais a atenção, porque são consideradas tropicais, são a garça-azul e a savacu-de-coroa . “A Nyctanassa violacea se reproduz aqui nesse ninhal e o próximo ninhal dela fica lá em Santos (SP). Nesse intervalo de mais de mil quilômetros, não tem registro de reprodução desse bicho”, disse Augusto, destacando a importância do local.
De acordo com o biólogo, as espécies de aves que vivem no local alimentam-se de peixes e não apresentam nenhuma espécie risco para as produções agrícolas existentes no local. “Elas se alimentam de peixes e têm uma relação boa com os pescadores. Geralmente, os pescadores jogam os peixes que ficam presos nas redes, que não são interessantes para eles, para as aves que ficam na volta”, relatou Augusto.
O Ninhal da Ilha dos Marinheiros fica numa área de mata nativa, em uma propriedade particular, e, apesar da sua importância para a reprodução das espécies, não é uma área protegida.
Ainda que o local seja de importância ambiental, além de não ser protegido por uma legislação própria, é de fácil acesso (tanto pela lagoa, quanto por terra), tornando a área mais vulnerável ainda. A equipe do Agora constatou, na manhã de ontem, que uma área foi limpa, facilitando o acesso a pé até bem próximo aos ninhos.
Crime Ambiental – O sargento Gilnei Costa, da Patram, informou que a denúncia já foi registrada e que já foi feito o levantamento no local. “Além da questão da caça, tem outra questão que estamos levantando”, informou o sargento, garantindo que a equipe da Brigada Ambiental já está realizando o levantamento das denúncias.
Por Eduarda Toralles
eduarda@jornalagora.com.br
*Publicado em 19/11/2014, no Jornal Agora
http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=3&n=66046
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