“Bichos comem pedras?”, questionaram os alunos da turma de Alfabetização da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria da Graça Reyes (4ª Secção da Barra) a professora Karina da Rosa.
“No momento eu não soube responder a eles, mas pedi que pesquisassem e descobrimos que a avestruz come pedras para ajudar na digestão”, revelou a professora Karina. Aproveitando a curiosidade natural das crianças, ela desenvolveu durante todo esse ano atividades de educação ambiental com seus alunos.
“Todas as manhãs eu pego o jornal e os alunos olham. Primeiro eles olham as figuras e depois escolhem um assunto que acharam mais interessante”, contou a professora, que tem 19 alunos na turma
Através desse trabalho de leitura diária dos jornais, os curiosos alunos da professora Karina já conseguiram aprender sobre os albatrozes, as tartarugas, as baleias, corujas, leões marinhos. “A primeira matéria que lemos foi sobre os albatrozes e conseguimos o contato com o Augusto, do projeto Albatroz, que veio aqui fazer uma palestra para os alunos”.
“Depois escrevemos uma carta para o Augusto e ele voltou para nos mostrar fotos do mar”, lembrou a aluna Brenda.
“Quero mostrar o livro da coruja”, disse feliz Brenda. Segundo Karina, os alunos acharam uma coruja no pátio da escola e lhe pediram para saber mais sobre elas. O pessoal do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema ) deu uma forcinha para a professora e foi falar sobre corujas. “Aí os alunos conseguiram fazer a diferenciação entre as aves do mar e a ave de rapina. Desta forma eles vão fazendo conexões e aprendendo”, comentou a professora.
No dia que a geóloga Carla, do projeto Pinípedes do Sul - Conservação de leões e lobos-marinhos na Costa Sul do Brasil foi falar para a turma sobre os riscos que os leões e lobos-marinhos correm com as redes de pesca, os atentos alunos imediatamente lembraram que o pessoal do Projeto Tartarugas no Mar e do Projeto Albatroz haviam explicado que as tartarugas e os albatrozes também podem ser capturados acidentalmente pelas redes de pesca.
A maioria dos alunos da escola é filho, neto ou sobrinho de pescador. Eles têm, naturalmente, uma curiosidade maior em relação a animais que vivem no mar. “Com esses projetos fui incentivando a curiosidade das crianças. Como resultado tenho acompanhado o desenvolvimento deles e a forma segura com que eles participam de debates fazendo associações a outras coisas que já haviam aprendido”, destaca com orgulho a professora.
Karina explicou que com a ajuda dos projetos de educação ambiental conseguiu fazer com que os alunos entendessem com mais facilidade sobre animais vertebrados, invertebrados, mamíferos, etc.
Sempre atenta e carinhosa com seus alunos, Karina faz questão de explicar para uma aluna que havia se aproximado com um livro para mostrar a ilustração de um urso, que aquele animal não tinha no Brasil e aí lembrou que há pouco dias um aluno havia perguntado sobre os animais que viviam no deserto. “Eles lançam as perguntas. Eu lanço de volta pedindo que eles pesquisem sobre o assunto, desta forma vou plantando a semente da investigação neles”, salienta a professora antes de encerrar a entrevista.
De longe o aluno Emanuel Ferreira da Costa, de 6 anos, faz questão de dizer que naquele dia havia aprendido que não podemos matar os pássaros. A turma havia lido a matéria sobre o Ninhal que existe na Ilha dos Marinheiros e sobre a ação de caçadores na área.
“Aprendi também que não podemos jogar lixo no mar”, complementou Emanuel. E de repente todos os alunos começaram a contar ao mesmo tempo tudo que haviam aprendido. Com certeza cada um deles tem uma história do animal que mais gosta para contar.
A próxima aventura ambiental da turma da professora Karina já está agendada, será uma visita a Reserva Ecológica do Taim..
Eduarda Toralles
Publicado no Caderno Agorinha (Jornal Agora) 24/11/2014
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