O Programa de Pós-graduação em Oceanografia Biológica (PPGOB) da Furg formou, no dia 18 de agosto, o primeiro doutor que conquistou, simultaneamente, dupla titulação. Pedro Fruet obteve o título de doutor em Oceanografia Biológica pelo PPGOB da Furg e pela Flinders University, Austrália.
A iniciativa foi possível graças a uma parceria entre as duas universidades e já abriu portas para que outros estudantes do programa de pós-graduação sigam o mesmo caminho que garantiu a dupla titulação para Fruet. “Meu colega aqui no Museu Oceanográfico, Rodrigo Genoves, já está se preparando para isso”, comemora Fruet.
A tese de Fruet, intitulada “Estrutura Genética, Dinâmica e Viabilidade Populacional do Boto, Tursiops truncatus, do estuário da Lagoa dos Patos, Sul do Brasil”, foi aprovada por uma banca que contou com quatro examinadores da Furg, além de dois examinadores externos no processo de avaliação, uma exigência da Flinders University. A banca que examinou a tese de Fruet foi formada pelos professores doutores Eduardo Resende Secchi (orientador – Furg), Luciano Dalla Rosa (Furg), Paul Gerard Kinas (Furg), Leandro Bugoni (Furg), Luis Fernando Fernandes Marins (Furg), Alexandre Freitas Azevedo (Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ) e Artur Andriolo (Universidade Estadual de Juiz de Fora – UEJF).
O doutor em Oceanografia Biológica Pedro Fruet contou que sua conquista foi possível graças ao fato de vários formandos em Oceanografia da Furg estarem espalhados pelo mundo. “Entre eles, Luciana Möller e Luciano Beheregaray, que atualmente coordenam diversas linhas de pesquisa na Flinders University, na Austrália”, destacou Fruet.
Quando estudou na Furg, Luciana iniciou um estudo sobre a população de botos (Tursiops truncatus) existente no estuário da Lagoa dos Patos, informou Fruet. Foi isso que acabou aproximando e possibilitando o acordo entre as duas universidades. “Eu precisava de um laboratório especializado em análises genéticas e com pessoas capazes de me orientar nesses trabalhos. Na Flinders University, tem um laboratório de Ecologia Molecular e pessoas muito capacitadas”, explicou Fruet.
Para que o acordo entre as duas universidades fosse possível, o então estudante de pós-graduação do PPGOB da Furg teve que atender a algumas exigências da universidade australiana. Entre elas, a de estudar durante um ano na Austrália, período em que realizou as análises genéticas dos botos, por meio de amostras coletadas no estuário da Lagoa dos Patos.
Fruet explica que o projeto que garantiu a sua aprovação no doutorado existe desde 1974, mas, sistematicamente, somente a partir de 2005. “Uma das linhas de pesquisa desse projeto era a coleta de amostras de pele dos botos residentes no estuário da Lagoa dos Patos para análises genéticas”, destacou.
O agora doutor em Oceanografia Biológica salienta que a coleta de amostras foi feita apenas para uma parcela da população de botos. “Já tínhamos a identificação de alguns botos, feitas através de marcas naturais que eles têm nas nadadeiras. Com essas informações realizamos as coletas, que são feitas com o disparo de flechas no dorso dos animais conhecidos”, explicou.
O pesquisador continuará no Museu Oceanográfico, instituição pioneira no estudo desta espécie no Brasil, que o apoiou na realização de sua pesquisa e na qual participa de outras pesquisas sobre o meio ambiente.
Publicado originalmente no Caderno O Peixeiro (Jornal Agora), em Agosto de 2014

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