sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Baleias já começam a chegar


Vida Marinha – Fugindo das águas geladas da Antártica, as jubartes vêm em busca de águas mais quentes para a sua reprodução

Um espetáculo que se repete todos os anos, entre os meses de julho e novembro, já pode ser visto num passeio ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no município de Caravelas, a 800 km de Salvador. A chegada das baleias jubarte (Megaptera novaeangliae) que, neste período, procuram o litoral da Bahia — principalmente Caravelas, no extremo sul do Estado, e a Praia do Forte, no litoral norte — para o acasalamento e a amamentação dos filhotes.

As primeiras baleias jubarte já começam a chegar, trazendo, junto, uma grande leva de turistas para a região.
“Gostamos muito do passeio, é emocionante, pretendemos voltar” — disse a paulista Eveylin Yamashita, de 24 anos, que fez o passeio a Abrolhos no início do mês, em companhia do noivo, Thiago Medeiros, de 26 anos.
“Só viemos à Bahia com a condição de fazer esse passeio a Abrolhos. Era meu sonho” — afirmou Thiago. Na semana passada, em um dia de trégua das constantes frentes frias oriundas do Sul, foi possível ver as primeiras baleias chegando à região do banco de Abrolhos.

O acesso ao local para o avistamento das baleias começa no município de Caravelas, de onde partem embarcações do tipo catamarã com destino ao Parque Nacional Marinho. O passeio dura, em média, duas horas e meia, só de ida.

Na saída, a paisagem dos manguezais e dos ribeirinhos pescando no rio compõem o belo cenário do dia. As baleias começam a ser vistas, em média, depois de uma hora e meia de viagem. As primeiras aparecem tímidas, a uma boa distância da embarcação, mas, à medida que o catamarã se aproxima do banco dos Abrolhos, é possível ver as borrifadas de água que indicam a presença dos enormes mamíferos marinhos que migram da Antártica, no Polo Sul, numa viagem que começa no final de outubro, em busca de águas mais quentes para o acasalamento e reprodução da espécie.

A avistagem das baleias é regulamentada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) através da Portaria 117, que estabelece as normas para a aproximação dos animais em alto-mar. A uma distância de 100 metros, o motor do catamarã deve ser desengrenado. Todos ficam atentos, em silêncio, e, aos poucos, as baleias se aproximam um pouco mais da embarcação, proporcionando um espetáculo emocionante, com mergulhos, levantamento das caudas e, para os que tiverem muita sorte, até saltos fora d'água.

O cenário da chegada ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos é deslumbrante, com as ilhas, um mar de um azul maravilhoso e muitas aves marinhas sobrevoando o local.
Abrolhos é um arquipélago formado por cinco ilhas: Ilha Siriba, Ilha Guarita, Ilha Redonda, Ilha Sueste e Ilha de Santa Bárbara. Os turistas descem apenas na Ilha Siriba, povoada por centenas de atobás brancos, sempre preocupados em proteger seus ninhos.
"Eles são lindos, parecem feitos de algodão" — observou Evelyn, ao ver os primeiros filhotes de atobás brancos que ficam na ilha. A caminhada pela ilha dura 20 minutos, na companhia de um guarda-marinho do Ibama, que faz o serviço de guia.

A Ilha da Guarita, a menor do parque, é povoada por centenas de beneditos, aves que elegeram a ilha como local predileto para o pouso e a procriação. As aves dão voos rasantes sobre os visitantes que se arriscam a se aproximar da ilha, mas não como forma de ataque. Parecem estar fazendo reconhecimento ou mesmo dando boas-vindas.

Apesar da beleza do cenário na superfície, a vista mais deslumbrante de Abrolhos só pode ser observada nos mergulhos, onde milhares de peixes, corais e tartarugas podem ser vistos de perto em seu habitat.
"É emocionante. Vi vários peixes, mas com certeza fiquei mais encantada com uma lagosta enorme que vi andando calmamente lá no fundo" — descreveu Evelyn ao voltar do mergulho com compressor, na companhia do noivo e de um guia do parque (o mergulho com compressor só é permitido para quem já tem o curso básico de mergulho).

A embarcação fica por cerca de quatro horas no arquipélago de Abrolhos. No retorno ao município de Caravelas, o espetáculo das baleias jubarte mais uma vez encanta os turistas.


Monitoramento

Com a chegada das baleias, o Instituto Baleia Jubarte (IBJ), responsável pela proteção da espécie no Brasil há 17 anos, começou a fazer o monitoramento dos animais. O trabalho conta com o patrocínio da Petrobras, que mantém bases de pesquisa em Caravelas e em Praia do Forte, no litoral norte, a 70 km de Salvador.

A bióloga Márcia Engel, diretora do Instituto Baleia Jubarte, organização não-governamental responsável pela administração do Projeto Baleia Jubarte, revela que, segundo levantamento realizado no ano passado, uma população de cerca de 6 mil baleias migra todos os anos para o litoral brasileiro para reprodução. O local preferido para reproduzir e amamentar os filhotes é o Banco dos Abrolhos, no extremo sul da Bahia.

Em 2005, os pesquisadores avistaram 990 animais, sendo 119 filhotes. Foram realizadas 463 fotoidentificações na costa baiana. A fotoidentificação é feita por meio de desenhos na cauda das jubartes e representa a principal ferramenta de pesquisa da espécie.
“As fotos servem como carteira de identidade das baleias, pois os desenhos, tal qual impressões digitais, nunca se repetem de um indivíduo para o outro” — explica a bióloga.
O IBJ já identificou 2 mil baleias.


A Tarde - 25/07/2006

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