sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Crianças abaixo do peso entre pataxós

SAÚDE INDÍGENA – Agente de Saúde Mariana Brás visita famílias da aldeia de Coroa Vermelha e confirma situação dos índios. Quantidade de alimentos é insuficiente

Apesar de ter reduzido bastante o número de crianças indígenas pataxós desnutridas, na Aldeia de Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália (a 735 km de Salvador, no extremo sul do Estado), o número de crianças que estão abaixo do peso ou no limite de peso para a sua idade ainda é considerado grande, informou a agente de saúde Mariana Brás. Todos os meses, Mariana visita as casas das famílias indígenas da aldeia, pesa as crianças e orienta as mães sobre a alimentação.

Das 62 crianças pesadas pela agente nos últimos meses, a maioria está abaixo do peso, informou Mariana. Crianças como os irmãos Welison, de 7 meses, que pesa 7 quilos; Adideli, de 5 anos, que pesa 14 quilos; e Udison, de 3 anos, que está com 13 quilos. A mãe dos meninos, Maria D'Ajuda, sustenta a família com a venda de artesanato de sementes e nunca recebeu cesta básica de apoio à alimentação dos programas do governo federal.

De acordo com Vitor Derengowski, coordenador da área de saúde indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Brasília, o órgão de saúde indígena não realiza a compra de cestas básicas.
“As cestas básicas são adquiridas pelo Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) e distribuídas pela Fundação Nacional do Índio (Funai)” — diz Derengowski.

Desnutrição
De acordo com o coordenador, há um caso excepcional, nas aldeias de Mato Grosso do Sul, em que a Funasa ajuda com cestas básicas, mas não é o caso das aldeias da Bahia. Derengowski afirmou que o programa de combate à desnutrição infantil nas aldeias indígenas da Bahia se resume à identificação dos casos e ao fornecimento de vitaminas para suprir as carências.

O Núcleo de Ação Local (NAL) da Funai, em Porto Seguro, recebeu há um mês 42 mil toneladas de alimentos do programa Fome Zero, cerca de 900 cestas básicas, de acordo com Zeca Pataxó, chefe do NAL. A quantidade de alimentos é insuficiente para atender os 11 mil índios pataxós que vivem no extremo sul do estado, diz Zeca. Só na aldeia de Coroa Vermelha, são 950 famílias.

Reivindicações
Ontem, Derengowski esteve reunido com lideranças de seis das sete terras indígenas pataxós do extremo sul. Os índios reivindicaram melhorias no atendimento na área de saúde. Entre as reivindicações estão o suprimento da falta de medicamentos e a melhoria no transporte de doentes.

Dos 10 carros do Pólo Base da Funasa, em Porto Seguro, sete estão parados, incluindo a ambulância. O coordenador da Funasa afirmou que a falta de medicamentos já está sendo solucionada e que nove veículos do Pólo Base de Porto Seguro serão consertados.
“A prioridade é o conserto da ambulância” — garantiu Derengowski.


A TARDE – 21/03/2007

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