Mais de 53 hectares de mata nativa foram destruídos nos últimos quatro anos, no extremo sul do Estado, para a produção ilegal de carvão, em sua maioria adquirida por siderúrgicas do Espírito Santo e de Minas Gerais. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), a Coordenação Regional Costa das Baleias, do Núcleo Mata Atlântica, atua com um inquérito civil para apurar irregularidades na produção e comercialização do carvão na região.
Na última segunda-feira, houve uma audiência com representantes de empresas siderúrgicas e de celulose, dirigentes das secretarias estaduais da Fazenda e do Meio Ambiente, além da Polícia Ambiental, visando à regularização da produção de carvão na região. O encontro foi promovido pelo MPE, por meio da Coordenação Regional Costa das Baleias, do Núcleo Mata Atlântica.
Durante a audiência, representantes de três siderúrgicas do Espírito Santo — que adquirem carvão no extremo sul da Bahia — garantiram que irão se reunir com representantes das empresas de celulose Aracruz e Suzano, além da CAF Arcelor Mittal (de carvão vegetal), para desenvolver, até o próximo dia 2, o esboço de um plano de auto-suprimento da matéria-prima.
Dificuldade – A situação da produção ilegal de carvão na região é crítica e envolve questões sociais, segundo Natália Coelho Albuquerque, chefe substituta do escritório do Ibama em Teixeira de Freitas. “Praticamente todas as comunidades atuam na produção de carvão. Eles conseguem tirar um salário mínimo por forno/semana”, explica Natália, referindo-se à dificuldade de convencer os produtores rurais — nos municípios de Teixeira de Freitas, Alcobaça, Nova Viçosa e Mucuri — a não investirem na atividade.
O coordenador do Núcleo Mata Atlântica, promotor Sérgio Mendes, estima que existam mais de mil carvoarias irregulares na região, “comprometendo o meio ambiente e potencializando um gravíssimo problema de insustentabilidade ambiental”, ressaltou. Ainda segundo o Ibama, para manter a produção, estão sendo furtadas árvores nativas de reservas naturais. Somente este ano, foram registradas 70 ocorrências de degradação em áreas de reserva de uma empresa de celulose.
Esse dado foi reforçado pelo promotor de Teixeira de Freitas, Alexandre Cruz, durante a audiência. “No extremo sul, o carvão é produzido a partir de madeira furtada da Mata Atlântica e de plantações de eucalipto das empresas de celulose. O produto é amplamente adquirido por siderúrgicas do Espírito Santo e de Minas Gerais”, explicou Cruz.
Para Natália, a organização da produção de carvão com resíduos de eucalipto seria uma solução viável. No entanto, as empresas de celulose não permitem a retirada dos resíduos de suas áreas, alegando que esses materiais contribuem para a conservação do solo — o que, segundo a chefe do escritório do Ibama, não é verdadeiro.
O metro cúbico do carvão vegetal é vendido por valores entre R$ 100 e R$ 120, enquanto o valor pago nas carvoarias varia de R$ 20 a R$ 40. Para produzir um metro cúbico de carvão, são necessários três metros cúbicos de madeira. De acordo com o Ibama, três caminhões de carvão — com capacidade de 50 m³ cada — são suficientes para devastar um hectare de mata.
* 11/09/2007 - A Tarde Online
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