terça-feira, 13 de março de 2018

Ornitólogo do Instituto Butantan diz que a região tem vocação para o turismo de Observação de Aves

Variedade de aves, áreas de conservação ambiental e estrutura turística são pontos destacados por especialista em aves

“A Costa do Descobrimento tem uma vocação para a observação de aves.” É assim que o ornitólogo Luciano Lima, do Instituto Butantan, em São Paulo, define o potencial da região para fomentar essa nova plataforma turística. Há cerca de um ano, o ornitólogo apresentou um catálogo com o levantamento de mais de 360 espécies de aves existentes em quatro áreas de conservação ambiental da região, sendo mais de trinta delas ameaçadas de extinção.

Ele destaca ainda que outra vantagem da região é já contar com grande parte da estrutura turística necessária.
“Além da variedade de aves e das áreas de mata preservadas, a região já tem uma estrutura turística com hotéis e aeroporto”, ressalta, enfatizando que o Crejoá (Cotinga maculata) é uma das aves mais procuradas pelos observadores.
“Cerca de 80% de cada mil observadores querem registrar o Crejoá, que é uma das espécies presentes nas matas da região.”

Luciano destaca que o turismo de observação de aves, em média, gera mais renda que o turismo convencional.
“Só no Brasil, são cerca de 50 mil observadores de aves. Nos Estados Unidos, esse número ultrapassa 41 milhões. É uma atração turística com grande potencial mundial”, afirmou.

A atividade já está sendo oferecida por quatro unidades de conservação ambiental de Porto Seguro:

  • Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Estação Veracel

  • RPPN Rio do Brasil

  • Parque Nacional Pau Brasil

  • Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades — essas duas últimas administradas pelo ICMBio.


Ferramenta ambiental e científica

“É um turismo que nada mais é do que buscar observar aves na natureza, e que se transformou em uma importante ferramenta para a conservação ambiental e o desenvolvimento científico”, enfatiza o ornitólogo.

Luciano conta que, por meio dos registros feitos por observadores de aves e publicados no site WikiAves — um dos maiores bancos de dados sobre aves do mundo, com mais de dois milhões de registros — foi possível descobrir, por exemplo, que o urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus) é uma ave migratória.

Ao falar sobre a vocação para a conservação, Luciano reforça que o turismo de observação de aves consome a natureza de forma conservacionista.
“Observar aves faz com que as pessoas se reconectem com a natureza, despertando nelas a consciência da conservação ambiental”, destaca.

Aliado a isso, o especialista comenta que é possível trabalhar também com educação ambiental, despertando nas crianças a consciência da importância da preservação. Com esse objetivo, a Estação Veracel está preparando uma exposição ambiental sobre aves, com lançamento previsto ainda para este ano.


Consolidação da plataforma turística

Nesta semana, o ornitólogo retornou a Porto Seguro para ministrar um curso de formação de condutores de observadores de aves, direcionado a colaboradores das quatro unidades de conservação que já desenvolvem essa atividade na região: RPPN Estação Veracel, RPPN Rio do Brasil, Parque Nacional Pau Brasil e Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades.


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Publicada no site Radar 64 em outubro de 2017

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