segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Apicultura garante a permanência de família no campo

Com uma produção de 40 toneladas de mel por ano, o apicultor Eliés Valverde Silva, da Apis
A família Valverde, juntamente com mais 34 apicultores da Associação de Apicultores de Eunápolis, tem colaborado para que a região Extremo Sul da Bahia se torne destaque na produção de mel no estado. "A associação tem uma produção anual de cerca de 50 toneladas de mel por ano. Temos dois grande produtores e a os demais são pequenos produtores. A associação está crescendo. Meu maior interesse é ver o produtor trabalhar e, graças a Deus, isso tem melhorado a cada ano. ", comemorou o presidente da Associação de Apicultores de Eunápolis, Whashington Cardoso de Almeida, explicando ainda que a meta da associação é engajar cada vez mais pequenos produtores.
Segundo o engenheiro agrônomo Ediney de Oliveira Magalhães, do Centro Regional de Apicultura do Sul da Bahia, do Ministério da Agricultura e Abastecimento/Ceplac/Cepec, o crescimento da apicultura no extremo sul da Bahia deve-se a existência dos plantios de eucalipto e as parcerias como a firmada entre a Veracel Celulose S.A e os produtores locais, que autorizou a colocação de apiários em suas áreas. "Em menos de seis anos o Extremo Sul passou de uma produção inexpressiva para quase 350 toneladas de mel de alta qualidade. A apicultura é feita com um baixo investimento, mas o retorno é bastante compensador", destacou Magalhães, revelando ainda que a região Extremo Sul tem o potencial, por baixo, de atingir a produção de 800 toneladas de mel por ano.
De acordo com o presidente da Associação de Apicultores de Eunápolis, 99,9% da produção de mel da região é de eucalipto. A associação possui 1660 caixas coletoras, 650 destas da empresa Apis Valverde Indústria Brasileira, que tem uma coleta média anual de 61,5 litros de mel por caixa, quando a média nacional é de 25 a 30 litros. Isto é o que explica Leandra Silva, umas das oito sócias da empresa familiar, confirmando também a característica dos apicultores da região de formar empresas familiares.
Boa alternativa - De acordo com um estudo divulgado pela Comissão Executiva para o Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), a apicultura é considerada uma das grandes opções para a agricultura familiar por proporcionar o aumento de renda, através da oportunidade de aproveitamento da potencialidade natural de meio ambiente e de sua capacidade produtiva.
"Apenas com 50 colméias habitadas e com o manejo adequado, famílias podem produzir 1.500 quilos de mel de eucalipto por ano, gerando uma renda bruta estimada em R$ 15 mil no varejo ou R$ 7 mil no atacado", revela Magalhães.
De acordo com o engenheiro agrônomo, muitas famílias da região vivem da atividade apícola, possibilitando, desta forma, o aumento da autoestima destas, por meio da geração de renda e de trabalho. "A apicultura é uma atividade familiar, ela é fixadora de mão-de-obra no campo", disse o engenheiro agrônomo.
Prova disso é a empresa Apis Valverde Indústria Brasileira, que conta com a participação dos filhos e da esposa de seu Eliés Valverde Silva. Eles são responsáveis desde a coleta do favo de mel no campo, o envasamento do produto, comercialização e até estudos de melhoramento genético para ampliar a produção.
De acordo com Eliés, a história da sua família como apicultores iniciou no ano de 2002, quando teve que reduzir seu gado de corte devido à proibição de manter os animais em áreas de preservação permanente. “Como não tinha pasto suficiente em minha propriedade, resolvi me desfazer do gado.
Um dia acordei e vi um enxame de abelhas na varanda da minha casa. Comecei a notar que estava aumentando a comunidade de abelhas e resolvi apostar na produção de mel para permanecer com a minha família na região”, conta. O apicultor conta que procurou a parceria com a Veracel para instalar as caixas coletoras, pois percebeu que as abelhas moravam em sua propriedade, mas buscavam o néctar nos eucaliptos plantados na região. “Começamos a fazer o teste com duas caixas coletoras e hoje já são 650”, destaca.     
Apostando no potencial do mel de eucalipto, a família Valverde investiu em um curso sobre apicultura na Ceplac de Itabuna, na formação da associação e na construção de um entreposto para beneficiamento do produto. “A família entendeu a nossa necessidade e abraçou a causa e a Veracel abriu espaço para  nós. Não precisamos tirar nossa família do campo”, revelou o apicultor.
Comercialização – Com uma produção de 3.500 toneladas de mel, a Bahia é hoje, o quinto maior produtor do Brasil. Cinquenta por cento da produção nacional atende o mercado interno e a outra metade o externo, tendo a Alemanha e os Estados Unidos como maiores compradores.
Para atender o mercado, os produtores precisam obter o certificado SIF (Serviço de Inspeção Federal) ou do SIE (Serviço de Inspeção Estadual) é o que garante a liberação da comercialização do produto mel e de seus derivados, garantindo um produto de qualidade ao consumidor e da venda de forma legal, dentro das normas do Ministério da Agricultura.
De acordo com o Washington Luiz Cardoso de Almeida, presidente da Associação de Apicultores de Eunápolis, apenas dois produtores locais possuem a certificação, pois a entidade ainda aguarda a conclusão das obras do entreposto, de acordo com a normas do Ministério da Agricultura, para o beneficiamento de forma adequada do mel, o que garantirá a certificação. Ampliando o potencial econômico da apicultura na região."A associação já tem todo o equipamento necessário para o entreposto municipal", revelou Almeida.
Valverde Indústria Brasileira, de Eunápolis (BA), recebeu, em 2009, Prêmio Destaque do Agronegócio da Bahia. O prêmio tem o objetivo de contribuir para o aprimoramento das atividades agropecuárias, reconhecer o esforço e a importância do segmento de agronegócios baiano para a economia, o combate das desigualdades sociais e criação de empregos, mediante o reconhecimento e a premiação dos agricultores, pecuaristas e profissionais do setor.

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