quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Monitor Ambiental descobre na fotografia uma aliada na sensibilização sobre a importância da preservação do meio ambiente

 Jailson começou a fotografar a natureza há oito anos e já fez registro de algumas espécies ameaçadas de extinção

Somente um olhar aguçado de alguém acostumado ao ambiente da mata poderia enxergar um crejoá ou um falcão críptico — dois pássaros raros, ameaçados de extinção e que dificilmente são avistados com facilidade. Pois estes foram dois dos vários registros importantes da fauna e flora da Mata Atlântica que o monitor ambiental Jailson Souza conseguiu fazer em áreas remanescentes desse bioma, na região de Porto Seguro.

Jailson é monitor ambiental de uma empresa de proteção ambiental e, a partir de 2008, quando trabalhava no Parque Nacional do Pau-Brasil, começou a se interessar por fotografia da natureza. “Eu não tinha um equipamento adequado, então comecei fotografando beija-flores”, contou ele.

Os primeiros registros despertaram uma paixão definitiva: Jailson vendeu uma moto e um terreno para comprar um equipamento fotográfico melhor.

A fauna e flora da Mata Atlântica — Maritaca-de-barriga-azul, tatu, anu-preto, pica-pau-de-cabeça-amarela, raposa, bromélias, imbiruçu, besouros, aranhas, jararacuçu, pererecas, caititus, entre tantas outras espécies da fauna e flora da Mata Atlântica já foram registradas pelo fotógrafo nas áreas de mata nativa da região. “Com a foto da perereca na bromélia e da cobra comendo um assanhaço, ganhei prêmios da National Geographic. São dois registros importantes, não só pelos prêmios, mas principalmente porque foram muito difíceis de capturar”, destacou o fotógrafo.

Neste ano, Jailson conseguiu fazer mais um registro notável: ele fotografou um filhote de gavião-real no ninho. De acordo com biólogos que realizam o monitoramento dessa espécie na região, esse foi o primeiro registro de um filhote em dez anos de acompanhamento. “Esse registro me emocionou muito. Eu já havia fotografado harpias antes, mas nunca um filhote”, destacou Jailson.

Para ele, as fotos da fauna e da flora são importantes não apenas por seu valor estético, mas por evidenciarem as espécies que existem na região e por servirem como incentivo à conservação ambiental. “É uma forma de despertarmos a importância da preservação”, ressaltou o fotógrafo, revelando ainda que hoje compreende profundamente o quanto a conservação é essencial para que os animais que ele registra consigam se preservar, se reproduzir e não corram mais risco de extinção.

Publicada no site Radar 64 em 07 de abril de 2016

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